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Suspeita de esfaquear garota é acautelada em BH


Por Tribuna

29/04/2011 às 07h00

Continua internada, na Casa de Saúde HTO, a adolescente de 15 anos esfaqueada pelas costas com quatro golpes, na manhã de quarta-feira, perto de uma escola no Bairro Benfica, Zona Norte. Ela permanece em observação e se recupera de uma perfuração no pulmão. A suspeita do crime, 17, foi autuada em flagrante na 1ª Delegacia Regional por ato infracional análogo a tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil. Após ser encaminhada à Vara da Infância e Juventude, ela foi acautelada no Centro de Reeducação Social São Jerônimo, em Belo Horizonte, conforme informou a juíza Maria Cecília Gollner Stephan. A magistrada explicou que o Centro Socioeducativo Santa Lúcia, na Zona Norte, é destinado a infratores do sexo masculino.

Já a amiga da vítima, 16, apreendida por envolvimento na briga, foi autuada na delegacia por ato infracional análogo a lesão corporal. A adolescente chegou a ser apresentada à Promotoria da Infância e Juventude mas, de acordo com a juíza, não foi feita representação contra a garota. Ela e a vítima ficaram sob a responsabilidade de familiares. Durante depoimento à Polícia Civil, a suspeita confirmou a motivação passional e admitiu ter dado três das quatro facadas sofridas pela estudante, até a faca se quebrar. Questionada sobre como teria atingido a vítima pelas costas, ela disse que a adolescente percebeu que iria ser esfaqueada e tentou correr, mas que ela a alcançou e desferiu os golpes.

No mesmo dia e poucos minutos depois da tentativa de homicídio perto de uma escola, outra briga de mulheres foi registrada pela PM dentro de um colégio municipal no Distrito Industrial, Zona Norte. Segundo o boletim de ocorrência, cinco garotas, com idades entre 13 e 17, brigaram por desavenças anteriores. A diretora acionou a polícia e os responsáveis pelas envolvidas. O delegado Rodolfo Rolli disse que todas já foram qualificadas, e o caso, encaminhado à Vara da Infância e Juventude.

Para o psicólogo social Lélio Lourenço, os casos de violência envolvendo adolescentes vêm se multiplicando em ambientes que antes não eram considerados polos de conflitos, como escola e família. Segundo ele, esse aumento pode ser explicado pela participação em grupos rivais e até pelo bulling. Há a questão de pertencer a um grupo, desafiando outros. E o jovem violento está mudando sua prática, porque tem mais acesso a modelos de violência, a grupos e armas. Na opinião do psicólogo, esse processo se instaurou de maneira coletiva. Não houve aumento da violência, mas uma mudança de estilo. Ela está mais aguda, causando prejuízos maiores.

No caso da agressão que resultou em esfaqueamento, Lourenço disse chamar a atenção o fato de as envolvidas serem do sexo feminino. No caso delas, parece ter relação direta com algum acontecimento, algo grupal, ressaltou, acrescentando que a violência depende do ambiente. Há bairros que ficaram mais violentos em função de fenômenos, como a presença de grupos rivais e de tráfico de drogas. Não é que o jovem ficou mais agressivo, mas o ambiente o faz virar algoz e vítima. Para ele, também há prejuízos nas classes mais favorecidas. Um exemplo é o bulling, com resultado midiático mais ameno em função das pessoas envolvidas. Já em bairros populares violentos, o jovem se orgulha em pertencer a tal comunidade onde ninguém pode entrar sem permissão prévia. Além disso, ele não tem uma série de benefícios que o de classe mais favorecida tem.