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Poço Rico tem trânsito inseguro e gargalos


Por Eduardo Vanini

29/03/2012 às 06h00

A região que compreende as conexões entre as ruas Espírito Santo e da Bahia e o entroncamento da Avenida Brasil com o Viaduto Augusto Franco, no Poço Rico, Zona Sudeste, transformou-se em um caso emblemático da saturação no trânsito da cidade. Além de problemas gerais de infraestrutura, como falta de segurança para a travessia de pedestres, a sinalização é falha, assim como o espaço para escoamento dos carros, que já não condiz com a realidade local (ver quadro). Exemplo maior disso é a Ponte Nelson Silva, que tem apenas duas pistas, recebe o fluxo do viaduto e faz parte de rotas de ligação entre região central da cidade e Zona Norte ou BR-267, além de carros vindos no sentido Santa Tereza-Poço Rico. O resultado são grandes filas duplas de veículos e desordem. Já na Rua da Bahia, o maior problema é o brusco afunilamento da via, que compromete a visão de motoristas e pedestres, sem que seja sinalizado. Em alguns momentos do dia, a passagem de trem fecha o cruzamento da rua com a Pinto de Moura, deixando a situação ainda mais complicada, devido ao acúmulo de veículos na pista.

Para quem deixa o Viaduto Augusto Franco e quer acessar a Ponte Nelson Silva, a lentidão já começa antes da saída do elevado, nos horários de maior movimento, como acontece entre 17h30 e 19h. "Falta uma distribuição mais adequada do trânsito, além da orientação melhor para os motoristas", reclama o bancário Aroldo Pereira, 44 anos. Para ele, levando-se em consideração a situação precária do trecho, acidentes deixam de acontecer "por sorte".

No sentido contrário, o representante comercial Hector Stigert, 34, era um dos motoristas que aguardavam em uma fila de mais de 20 carros o momento em que poderia acessar a ponte. Ele contou que passa frequentemente pelo trecho e gasta, em média, 15 minutos para atravessá-lo. "O principal problema são os carros que vêm na direção contrária e tomam a nossa pista na hora de entrar na ponte." Na opinião dele, a região precisa de intervenções, mas, sobretudo, da instalação de uma nova ponte, já que o dispositivo já não suporta o tráfego.

Por meio da assessoria de imprensa, a Settra argumentou que os problemas com o trânsito na ponte serão minimizados com a construção de uma ponte próximo ao Tupynambás, destinada aos motoristas que vêm da região de Poço Rico. A nova estrutura faz parte das obras viárias que serão realizadas pela Prefeitura. Além disso, a pasta garantiu que uma equipe vai à região verificar as condições da sinalização.

Falta visibilidade

Na Rua da Bahia, um problema antigo preocupa os motoristas: o estreitamento da via no cruzamento com a Espírito Santo prejudica a visibilidade. "Isso é muito ruim, tinham que acertar a rua, para evitar acidentes", diz o estudante José Eduardo Cintra, 21, que passa pelo local com frequência e seguia na direção Centro/Poço Rico. Já o funcionário público Rivelino Oliveira, 39, que passava pela pista contrária, definiu como "péssima" a situação do trecho. "Acho que deveria haver, pelo menos, sinalizações indicando a necessidade de redução de velocidade. Os motoristas passam em alta velocidade por aqui. É perigoso", classificou, pontuando já ter passado por situações arriscadas no cruzamento.

A mesma área também é perigosa para pedestres. A estudante Mariana Moreno, 21, reclama: "Para piorar, os carros passam muito rápido por aqui. Acho que deveriam ser instalados redutores de velocidade." Mais à frente, na saída da travessia de pedestres sobre a linha férrea, o eletricista Felipe Júnior, 24, chama atenção para o cenário confuso e sugere a instalação de um semáforo no cruzamento.

 

Mudança na região deve ser prioritária

Integrante da Comissão Municipal de Segurança e Educação no Trânsito (Comset), José Luiz Britto Bastos pontua que, no caso do gargalo formado na Ponte Nelson Silva, não há outra solução que não seja a construção da nova ponte. Para ele, apenas um dispositivo para os dois fluxos não condiz com a realidade atual do trânsito. "Qualquer outra mudança seria apenas uma paliativo." Na visão de Britto, essa intervenção deveria ser tratada como prioridade.

Já em relação aos problemas da Rua da Bahia, ele atesta que o mais indicado é a desapropriação do imóvel que causa o afunilamento da rua, para que haja um alinhamento. Entretanto, ele pontua que, enquanto isso não é feito, a sinalização do trecho poderia ser melhorada, de modo a exigir mais atenção do motoristas. "Não há nada que garanta segurança aos pedestres", aponta, sugerindo a instalação de uma faixa elevada, próximo à saída da travessia da linha do trem, já que um semáforo seria inviável no ponto.

A Settra informou que vai implantar, nos próximos dias, placas que sinalizem o estreitamento da pista. Além disso, de acordo com a pasta, está em andamento o processo para desapropriação do imóvel que causa o problema na esquina das ruas da Bahia com Espírito Santo.

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