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BR-040 liberada nos dois sentidos depois de mais de 18 horas


Por Eduardo Valente e Michele Meireles - Repórter

28/08/2014 às 16h58

Equipes fizeram longo trabalho para liberação da estrada

Equipes fizeram longo trabalho para liberação da estrada

Atualizada em 29/08 às 20h19

O acidente sobre um viaduto no km 756 da rodovia BR-040, na altura de Ewbank da Câmara, no fim da tarde de quinta-feira, envolvendo duas carretas, deixou o tráfego fechado em ambos os sentidos por mais de 18 horas. A liberação ocorreu por volta das 11h30 de desta sexta (29), quando a Polícia Rodoviária Federal (PRF) concluiu os trabalhos de remoção dos veículos e realizou a limpeza da pista, que ficou coberta por um óleo inflamável. O motorista de um dos caminhões, Marco Antônio da Silva, 45 anos, morreu na batida. Ele vivia em Juiz de Fora e seu corpo foi sepultado nesta sexta no Cemitério Municipal. Em razão do acidente, uma fila superior a dez quilômetros se formou em ambos os sentidos da estrada. Em alguns casos, pessoas passaram a noite dentro dos veículos, aguardando a abertura da via para seguir viagem. Outros, no entanto, preferiram encarar um desvio de 140 quilômetros entre Santa Barbara do Tugúrio e Rio Pomba até Juiz de Fora. Esta rota alternativa, a mais próxima possível, causou lentidão na MG-353 e na MG-133.

Por volta das 21h de quinta-feira, a vendedora Patrícia Santos, 28, de Santos Dumont, saía de Juiz de Fora quando soube do acidente. Para não ficar presa na estrada, ela decidiu descer do ônibus em Benfica, Zona Norte, e dormir em um hotel. "Sabia de alguns amigos presos no congestionamento há mais de duas horas. Preferi não arriscar e gastei R$ 90 com a diária." No caminho oposto, o servidor público Leandro Costa, 32, voltava de ônibus de Belo Horizonte quando ocorreu a colisão. Com a interrupção do fluxo, ele caminhou mais de três quilômetros a pé até ser resgatado por amigos do outro lado do viaduto. "Eu e outras pessoas passamos por um trilho de trem, no meio do mato, para conseguirmos fazer a travessia." Já o ator e jornalista Vinicius Cristóvão, 34, saiu às 9h30 de São João del-Rei em direção ao Rio de Janeiro quando foi surpreendido pelo trânsito parado. Segundo ele, como havia a previsão de liberar a pista por volta do meio-dia, ele optou por não fazer o desvio. "Quando abriu a pista, o tráfego ainda era muito lento. Isso só foi melhorar quando eu já estava em Petrópolis (RJ)."

Situação difícil também do empresário Talles Duque, 29. Ele saiu à 1h de Divinópolis em direção a Juiz de Fora. Mesmo sendo informado pelo motorista sobre o acidente, achava que, quando chegasse à região, não teria mais retenções. "O ônibus parou perto da entrada de Santos Dumont às 6h30. Ficamos parados até por volta do meio-dia, e cheguei à cidade só 13h30." Conforme Talles, pior foi ficar sem água e comida.  

Uma das empresas que mantém rota pela BR-040, a Atual, informou nesta sexta que cerca de dez ônibus ficaram presos no engarrafamento, e os carros que saíram da rodoviária após a interdição utilizaram o desvio por Rio Pomba. Outros, no entanto, não tinham como retornar. 

De acordo com o comandante do Pelotão de Trânsito Rodoviário da Polícia Militar, tenente Jader Augusto, as MG-133 e MG-353 tiveram um aumento de aproximadamente 60% no tráfego. Segundo ele, diversas viaturas foram deslocadas para pontos estratégicos das estradas para orientar os condutores. A PRF também atuou na área do acidente.

 

Ônibus urbano

  O acidente também impactou na vida de moradores de distritos e bairros afastados do Centro de Juiz de Fora. Isso porque as linhas 714 (Chapéu D’Uvas), 729 (Paula Lima) e 731 (circular BR-040) não conseguiram cumprir seus itinerários. A estudante de jornalismo Liliane Oliveira, 24, que mora em Paula Lima, disse que na noite de quinta resolveu descer do ônibus na rodovia e caminhar dois quilômetros até a entrada do distrito, onde havia um carro à sua espera.