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Mais um garoto baleado em briga de gangue


Por Sandra Zanella

28/08/2012 às 20h45

Duas ocorrências envolvendo rixa entre grupos de jovens rivais aterrorizaram bairros das zonas Norte e Sul da cidade, na noite de segunda-feira, e deixaram mais um adolescente, 17 anos, ferido a tiros. A tentativa de homicídio aconteceu no Santa Cruz e teria sido motivada por desavença entre moradores do local e do São Judas Tadeu, ambos na região Norte. Segundo a Polícia Militar, por volta das 21h, o garoto foi alvejado na Rua Maria Cândida de Jesus. Socorrido pelo Resgate, ele foi levado para o Hospital de Pronto Socorro (HPS), onde foram constatados ferimento no tórax e fratura exposta na clavícula. Conforme a PM, mesmo ferido, o garoto estava lúcido e informou aos policiais que havia sido baleado por dois rapazes do São Judas.

Militares conseguiram encontrar os suspeitos, ambos de 20 anos, que foram reconhecidos pela vítima no hospital e levados para a 1ª Delegacia Regional. Aos prestarem declarações, eles negaram participação no crime. O delegado de plantão entendeu que não havia elementos suficientes para confirmar a prisão e liberou os suspeitos, encaminhando o caso para investigação na 3ª Delegacia. O policial levou em consideração a impossibilidade de ouvir a vítima, que estava internada, o fato de nenhuma arma ter sido apreendida, a negativa dos suspeitos e a ausência de testemunhas que tenham presenciado a ação criminosa.

Na manhã desta terça-feira (28), policiais da 3ª Delegacia estiveram no HPS para entrevistar o adolescente. Segundo a Secretaria de Saúde, o paciente passou por cirurgia e seu estado geral de saúde era considerado estável. O delegado Rodolfo Rolli disse que, se for comprovado o envolvimento dos dois homens, vai solicitar a prisão preventiva deles. Ele informou, ainda, já ter identificado dois suspeitos de, na noite de sábado, atingirem com três balas um rapaz, 20, na Rua Doutor Augusto Eckmann, no Jardim Natal, também na Zona Norte. Segundo o delegado, eles serão intimados para serem ouvidos nos próximos dias. A vítima, também entrevistada no HPS, revelou que a motivação do crime foi rixa entre grupos rivais do Jóquei e Jardim Natal.

Na Zona Sul

Cerca de 40 minutos depois de o garoto, 17, ser baleado na Zona Norte, no outro extremo da cidade, região Sul, um enfrentamento de grupos rivais também levou medo à população. O confronto entre moradores dos bairros Ipiranga e Jardim Gaúcho aconteceu na Rua Heitor Inácio, no Santa Efigênia. Policiais conseguiram deter seis suspeitos de envolvimento no conflito, um deles, 21, e os demais com idades entre 15 e 17. Dois garotos teriam invadido uma residência para se esconderem no quintal, mas foram pegos. Eles disseram que estavam em uma lanchonete, quando teria surgido a gangue com indivíduos do Ipiranga, armados com paus e facas. Em seguida, teria começado a briga generalizada e, como estariam em menor número, teriam procurado abrigo no imóvel.

Outros suspeitos foram detidos na Rua Arnaldo Stefani e reconhecidos por populares como envolvidos na confusão, mas negaram participação. Na casa de um dos adolescentes apreendidos, a PM encontrou duas facas dentro de uma caixa de papelão. O grupo foi levado para a 1ª Delegacia Regional e entregue aos responsáveis. Moradores relataram aos militares que fatos semelhantes têm ocorrido com frequência na área.

 

 

Adolescente de 17 anos confessa homicídio

Um adolescente de 16 anos, morador do Esplanada, Zona Norte, confessou na terça o homicídio de Jefferson Luiz Fernandes da Silva, 14, morto domingo com um tiro no pescoço em uma festa popular no Monte Castelo. Acompanhado da mãe e do advogado, ele confirmou ter ido armado com um revólver 38 para o evento por causa de briga com galera. Ele alegou ter atirado contra Jefferson para se defender porque teria sido agredido por ele e por outros jovens do Monte Castelo até desmaiar. O suposto infrator negou ter atirado contra o outro jovem, 20, baleado na região glútea direita e no lado esquerdo do quadril na festa, apesar de afirmar ter sido agredido por ele com uma garrafada na cabeça. O garoto disse ter comprado a arma em uma feira livre e a dispensado no Rio Paraibuna. Ele passou por exame de corpo de delito por apresentar várias lesões.

Policiais da 3ª Delegacia estiveram no HPS para entrevistar o rapaz baleado na mesma festa que permanece internado. A vítima confirmou a autoria dos suspeitos detidos no dia do crime. Na ocasião, dois jovens, ambos de 19, moradores do Fábrica e Esplanada, um deles soldado do Exército, foram liberados pelo delegado de plantão por falta de indícios suficientes. Ao final do inquérito, o titular Rodolfo Rolli vai pedir a prisão preventiva e o acautelamento dos envolvidos. Ele também investiga o assassinato de Silvio Henrique Balduti Júnior, 13. O corpo foi encontrado com um tiro na cabeça, , em escadão do Esplanada, logo após o tiroteio na festa.

A juíza da Vara da Infância e Juventude, Maria Cecília Gollner Stephan, disse na segunda que vai deferir os pedidos de acautelamento de adolescentes que estejam envolvidos nesses conflitos de grupos rivais. "Menino que comete ato infracional gravíssimo tem que fazer reflexão no Santa Lúcia (Centro Socioeducativo)." Sobre a morte dos garotos de 13 e 14 anos domingo, ela questionou: "O que esses meninos estavam fazendo em festa àquela hora?". A magistrada fez um alerta aos pais: "Onde seu filho está?". Para a juíza, não houve aumento de adolescentes envolvidos nesse tipo de crime. "É como uma onda, é sazonal. Antes eles estavam matando, agora estão sendo vítimas."

O comandante da 4ª Região da PM, coronel Ronaldo Nazareth, garantiu que a PM está intensificando as operações para combater as brigas de gangues. "Nosso Setor de Inteligência está monitorando as redes sociais na internet, vamos fazer novas ocupações, cumprir mandados e prender pessoas. Ficamos sentidos com esses crimes, mas o mais chocante é o que esses garotos estavam fazendo na rua de madrugada. Precisamos trabalhar com envolvimento das famílias."