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Na Câmara, secretária atribui perda de doses de vacina a seringas inadequadas

Insumo disponibilizado pelo Governo de Minas é diferente do previsto na bula da Coronavac, de acordo com titular da Secretaria de Saúde


Por Tribuna

28/05/2021 às 12h49

Na manhã desta sexta-feira (28), a secretária de Saúde da Prefeitura de Juiz de Fora (SS/PJF), Ana Pimentel, atribuiu a perda de mais de dez mil doses da vacina Coronavac no município às seringas disponibilizadas pelo Governo de Minas Gerais. A afirmação ocorreu em reunião com os vereadores na Câmara Municipal em nova justificativa para a polêmica discussão sobre a perda técnica de imunizantes, que começou na quarta-feira (26) e se arrasta desde então.

A secretária admitiu o equívoco no ofício encaminhado à Câmara que assinalou a perda técnica de quase 18 mil doses de vacina. Ela voltou a afirmar que o número agrega 10.769 doses que “deixaram de ser entregues” e de “7.020 vacinas perdidas tecnicamente no processo de vacinação”, números de 26 de abril, data em que o documento foi elaborado. Desde então, outras 2.465 perdas técnicas ocorreram.

“O problema da confecção do memorando, eu queria reconhecê-lo publicamente. Pelo fato de nós estarmos vivendo na pandemia e contarmos com o mesmo número de servidores públicos que já tínhamos, a nossa equipe está extremamente sobrecarregada. Precisaríamos dobrar a equipe para conseguir atender a todos os pedidos de informação.”

De acordo com a titular da SS, o questão de doses consideradas “não entregues” ocorreu devido a problemas na extração do imunizante da Coronavac do frasco, o que, por sua vez, aconteceu pela inadequação da seringa utilizada. Segundo Ana, é de responsabilidade do Governo estadual a aquisição e disponibilização dos insumos da vacinação, incluindo as seringas, e o papel do município é a operacionalização da aplicação. “A agulha recomendada na bula da Coronavac é uma chamada de ‘volume morto’, porque ela conseguiria aspirar tudo. A agulha que foi oferecida para os municípios não aspira todo o volume. Sempre fica faltando a aspiração de uma parte”, explica a secretária.

A quantidade vacinal que não é “acessada” pela seringa fica inutilizada e a somatória dessas doses constituem as mais de dez mil doses que “deixaram de ser entregues”. As perdas foram diminuídas posteriormente porque houve diminuição na quantidade de unidades da Coronavac e aumento no quantitativo da vacina AstraZeneca, que é compatível com o material utilizado no município.

A reportagem da Tribuna enviou questionamentos ao Governo de Minas Gerais  e aguarda respostas a respeito dos insumos disponibilizados aos municípios e também sobre a reposição das unidades perdidas.

Cepa indiana em Juiz de Fora

A secretária também comentou sobre o paciente juiz-forano infectado com cepa indiana do coronavírus. De acordo com ela, todos os cuidados foram tomados pela PJF, com o isolamento da esposa do homem, que teve contato com o contaminado. “Ele está devidamente acompanhado na Santa Casa, está clinicamente estável. A vigilância epidemiológica de Juiz de Fora é muito qualificada e tem acompanhado cada passo”, garante.

A titular da SS revelou que, após a chegada ao Brasil vindo da Índia, o homem fez o trajeto entre São Paulo e Juiz de Fora com um motorista particular. Entetanto, em nota divulgada nesta sexta-feira (28) pelo Governo de Minas, foi informado que ele não teve outro contato além da esposa.

Centralização dos postos de vacinação

Os vereadores questionaram recorrentemente a secretária sobre a falta de postos de vacinação nos bairros, concentrando nos pontos da região central do município. Segundo Ana, para ampliar o número de locais seria necessária a maior disponibilização de doses da vacina. Outra questão, de acordo com a secretária, é a realização paralela da vacinação contra a Influenza, que ocorre nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs).

Nos últimos dias, ocorreu a ampliação da vacinação contra a Covid-19 em algumas UBSs, o que deve ser mantido pela Prefeitura. “Teve uma porcentagem significativa (de procura pela vacina) no último final de semana, e nós tomamos a decisão de voltar a regionalizar (a vacinação). Mas, neste momento, nós temos um quantitativo baixo (de vacina) para a primeira dose”, explica.