Um terço dos habitantes de JF é de outras cidades
Um terço da população de Juiz de Fora não nasceu aqui. Isso é o que indica a investigação da amostra do Censo Demográfico 2010, cujos resultados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A cidade conta com 516.247 habitantes, mas 173.209 nasceram em outros municípios, o que representa 33,5% da população (ver quadro na capa). A proporção é semelhante à da capital mineira, onde 32% dos moradores foram registrados fora. Outras cidades de grande porte do estado, como Betim (59,7%), Contagem (49,5%) e Uberlândia (48,5%), também apresentam parcela representativa de moradores nascidos em localidades diferentes. Levando em consideração as unidades da federação, o censo constatou que 50.221 residentes em Juiz de Fora vieram de outros estados.
Conforme a supervisora de Disseminação de Informações do IBGE em Minas, Luciene Longo, essa é uma característica típica dos grandes centros urbanos. "Essas cidades funcionam como polos das regiões onde estão inseridas, atraindo moradores por ofertar condições de trabalho, entre outras características." Luciene ainda pondera que os números não levam em conta a maioria dos estudantes de fora. Isso porque as pessoas que têm família em outras cidades, mas vivem em Juiz de Fora e fazem uso da rede de ensino local, normalmente, são contabilizadas como habitantes dos municípios onde seus pais residem. Por isso, o número de pessoas de fora que estão presentes no dia a dia da cidade é ainda maior.
Cidade universitária
Essa característica de receber estudantes é evidenciada em outros dados divulgados ontem. Considerando as pessoas que frequentavam a escola em 2010, Juiz de Fora é a sétima cidade de Minas no número de alunos de cursos de graduação. Pelos dados do IBGE, 17,11% da população de estudantes estavam matriculadas no ensino superior no município. Juiz de Fora apresenta-se no ranking mineiro atrás apenas de Belo Horizonte (19,53%), Grupiara (19,2%), Uberaba (18,33%), Viçosa (17,61%), Uberlândia (17,55%) e Itajubá (17,35%). O município de Umburatiba apresenta o menor percentual (0,39%) de pessoas que frequentavam a faculdade em Minas Gerais.
Ainda em 2010, 13,4% dos residentes em Juiz de Fora declararam ter ensino superior completo, enquanto 40% da população (183.284 pessoas) são considerados sem instrução ou com ensino fundamental incompleto.
Mais de mil estrangeiros na cidade
Juiz de Fora é a segunda cidade mineira em número de residentes estrangeiros. Com 1.050 pessoas de outras nacionalidades, a cidade fica atrás apenas de Belo Horizonte, que tem 6.099 moradores nascidos em outros países. Os dados também foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no Censo 2010, e revelam que o município mantém a característica de atrair imigrantes, tendo ainda 186 habitantes naturalizados brasileiros. Depois de Juiz de Fora, as cidades com mais residentes estrangeiros no estado são Uberlândia (739) e Governador Valadares (683).
De acordo com o professor do Departamento de História da UFJF Marcos Olender, há características históricas diferentes que resultaram nas imigrações para Juiz de Fora. "No fim do século XIX e primeiros anos do século XX, as razões estão relacionadas com a necessidade de imigrar devido a situações enfrentadas na terra natal conjugadas com atrativos que o Brasil oferecia. No caso da colônia alemã em Juiz de Fora, há relação com o atrativo empresarial proporcionado por Mariano Procópio, na época da construção da Estrada União e Indústria. Na ocasião, ele trouxe mais de mil alemães para a cidade."
Em relação aos italianos, Olender explica que eles vieram para a América, saindo de um processo de crise nos campos italianos. "Muitos aportaram no Rio e vieram para o interior de Minas devido aos cafezais. Mas alguns também optaram por ficar nas cidades, e aqui era o principal polo econômico do estado. Já os árabes, sírios e libaneses tradicionalmente se dirigiram às capitais ou regiões como Juiz de Fora na época, que tinha um setor comercial importante."
O historiador reforça que, com o tempo, familiares e amigos dos países de origem continuaram se estabelecendo aqui, devido aos laços culturais, o que justifica a representatividade de estrangeiros no município até hoje. "Também temos uma nova leva de visitantes de outras nacionalidades que se estabelecem temporariamente aqui, principalmente vinculados aos programas de intercâmbio, como os da UFJF", destaca Olender. Segundo informações da Secretaria de Comunicação da UFJF, hoje a instituição conta com cerca de 120 alunos estrangeiros, sendo muitos oriundos da África e do Japão.
Há dez anos morando no Brasil, a professora de italiano do Departamento de Letras Estrangeiras Modernas da UFJF, Prisca Agustoni, 36 anos, veio morar em Juiz de Fora por causa do companheiro, o também professor universitário Edimilson de Almeida Pereira. "Nos conhecemos em um congresso na Suíça, onde nasci. Como lá a carreira acadêmica não me apresentava muitas possibilidades e ele já era funcionário público aqui, decidimos morar juntos no Brasil. Fiz doutorado em Belo Horizonte, mas sempre tive como objetivo morar em Juiz de Fora, e a existência da UFJF foi essencial para isso. A gente não abre mão do país em que nasceu para viver separado de quem amamos."
Dobra o número de divorciados
Os solteiros são maioria em Juiz de Fora, somando 232.344 pessoas, o que representa 51% da população com mais de 10 anos de idade. Já na pesquisa realizada em 2000, a quantidade de juiz-foranos que se denominava solteira representava 48% da população. Os dados do IBGE revelaram ainda que o número de divorciados mais do que dobrou (111%) na última década, passando de 10.095 para 21.318 e seguindo a tendência nacional. Percentualmente, aumentou de 2,62% para 4,8% no período. O estudo também mostra que os casais têm preferido pôr fim ao casamento por meio do divórcio direto, em vez de passar antes pelo processo de separação. Isso porque a proporção de desquitados ou separados judicialmente caiu de 3,4%, em 2000, para 2,6%, em 2010.
Já em relação à natureza do casamento, os juiz-foranos têm recorrido mais à união consensual. Essa modalidade representa 30% das uniões, conforme o último levantamento, ante os 21% no Censo de 2000. Em contrapartida, a porcentagem de pessoas que eram casadas no civil e no religioso caiu de 65% para 57% em uma década.
Entre as 242.343 mulheres (com 10 anos ou mais) residentes na cidade, 145.549 são mães, sendo que a média é de 2,69 filhos por mulher, o que representa índice menor que as médias nacional (3,12) e mineira (3,17).
Pessoas com deficiência
Os dados do IBGE também apontam que 20% da população juiz-forana têm algum tipo de deficiência permanente. O mesmo levantamento feito em 2000 mostrava que 13% se enquadravam nessas condições. A deficiência mais comum, entre as pesquisadas pelo censo, é a dificuldade ou impossibilidade de enxergar. Quase 74 mil juiz-foranos revelaram ter alguma deficiência permanente de visão. A pesquisa também indica deficiência auditiva, motora e intelectual (ver quadro).
Para o assessor do Núcleo de Atendimento Especial à Pessoa com Deficiência da Secretaria de Assistência Social (SAS), Wesley Barbosa Severino, esse aumento é "espantoso" e pode refletir, entre outros motivos, "o trânsito cada vez mais violento e o crescimento da violência no país, situações que causam deficiência". Na visão dele, isso indica que deve-se implementar, cada vez mais, as políticas para as pessoas com deficiência, rompendo as barreiras da falta de acessibilidade e de inserção na educação e no mercado de trabalho. "Diante desses novos dados, vamos trabalhar juntamente com o Conselho Municipal da Pessoa Portadora de Deficiência para discutir como enfrentar essa demanda", conclui Wesley.









