JF terá mais 32 leitos para enfrentar o crack
No primeiro dia de funcionamento do portal Observatório do Crack -www.cnm.org.br/crack -, lançado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), com objetivo de criar um mapa da real da situação do crack nas cidades brasileiras, Juiz de Fora recebe uma boa notícia para o enfrentamento da epidemia da droga. Desde ontem, 32 leitos para atendimento de dependentes químicos foram liberados para três comunidades terapêuticas da cidade: Associação Projeto Amor e Resgate, Comunidade Terapêutica Nova Esperança e Centro Metodista de Assistência a Toxicômanos (Cemat). Com estas vagas, sobe para 80 o número de leitos para o setor. A confirmação do envio de verba federal de mais de R$1,2 milhão foi feita ontem pelo gestor municipal de Saúde Mental, José Eduardo Amorim.
Por meio da nova ferramenta, é possível verificar informações sobre Juiz de Fora e demais municípios do país. Pelos dados apresentados, a cidade só conta com ações de prevenção ao uso de drogas e com tratamento para dependentes. Outros oitos quesitos – como, por exemplo, ampliação da rede assistencial, capacitação de profissionais de saúde, estudos e pesquisas sobre o crack e diagnóstico sobre o consumo do entorpecente no município – constam como inexistentes.
Para o professor do Departamento de Psicologia da UFJF e consultor nacional dos Centros Regionais de Referência (CRR) em Crack e Outras Drogas de universidades federais do Brasil, Telmo Ronzani, os dados não podem ser considerados em sua totalidade. A pesquisa não tem segurança, não tem qualidade metodológica. Mas algumas coisas se confirmam. Não há em Juiz de Fora, por exemplo, diagnóstico dos usuários de crack, não há uma organização em rede, e o que existe, como o Centro de Assistência Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD), ainda é insuficiente para atender a demanda. Ainda segundo Ronzani, a ausência de um Conselho Municipal sobre Drogas mostra a falta de articulação entre Executivo e Legislativo. Esse conselho já deveria existir há tempos. Mas também existe a responsabilidade social. A universidade, a sociedade civil organizada, todos podem pressionar para que a cidade crie um plano efetivo de enfrentamento ao crack.
Promotor de Saúde, Rodrigo Ferreira Barros destaca a insuficiência da estrutura local. A demanda de dependentes é elevadíssima. O crack vem assolando a sociedade e, em Juiz de Fora, esse tratamento ambulatorial não se mostra completo. Recebemos muitas famílias solicitando ajuda. Chegamos a instaurar inquérito civil público junto ao Departamento de Saúde Mental, solicitando a abertura de 32 leitos exclusivos para dependentes químicos, 16 voltados para adolescentes e 16 para adultos. Pelo nosso entendimento, esse número não chega perto do mínimo necessário, mas já representa alívio para os casos mais graves. Não só a cidade, mas o Brasil tem muito que avançar para tentar brecar essa epidemia.
Paciente
Apesar de ter conseguido a internação em um hospital para o ex-companheiro, usuário de crack, uma vendedora relata que a assistência não garante a recuperação do paciente. Internam no período de abstinência, mas, em uma semana, ele já está na rua. A responsabilidade do Governo acaba aí?, questiona.
O gestor municipal de Saúde Mental, José Eduardo Amorim, garante que a cidade possui rede necessária para o enfrentamento do crack. Juiz de Fora conta com a rede de unidades de atenção primária de saúde (Uaps), que possuem profissionais capacitados para lidar com dependentes químicos. Dependendo do nível de complexidade, são encaminhados para o nível secundário – o Caps Álcool e Drogas, que é um atendimento extra-hospitalar. A previsão é de que uma segunda unidade do Caps AD seja inaugurada este ano. Paralelo a isso, contamos com três hospitais psiquiátricos credenciados pelo Ministério da Saúde para atendimento a dependentes de drogas, além de 48 leitos específicos para dependência química nos hospitais gerais. E, a partir de hoje (ontem), tivemos a liberação de mais 32 leitos em três comunidades terapêuticas.








