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Câmara quer agilidade em ações contra enchentes


Por Mariana Nicodemus (colaborou Guilherme Arêas)

28/03/2012 às 06h00

Debate aconteceu na tarde de terça-feira (27)

Debate aconteceu na tarde de terça-feira (27)

A audiência pública realizada ontem na Câmara Municipal para discutir alternativas para os recorrentes alagamentos no Bairro Industrial, Zona Norte, terminou sem respostas efetivas à população local. Apesar de a Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Estratégico (SPDE) ter apresentado Plano de Drenagem Urbana que contempla a região, o conjunto de intervenções proposto por pesquisadores da UFJF à Prefeitura, orçado em cerca de R$ 20 milhões, depende da captação de recursos junto ao Governo federal para que possa ser posto em prática. Os vereadores Chico Evangelista (PP) e Wanderson Castelar (PT), proponentes da reunião, sugeriram que documento solicitando agilidade na confecção de um projeto para pleito de verba seja encaminhado à Secretaria de Obras.

Representando os moradores do local, Renata Moraes lembrou que a comunidade passa o período chuvoso atenta ao nível do Rio Paraibuna e do Córrego Humaitá, que corta o bairro. O presidente da Associação de Moradores e Amigos do Bairro Industrial, José Chaves Júnior, destacou que o problema é mais grave na Rua Henrique Simões, mas afeta o patrimônio e a saúde física e psicológica de toda a região. "Existe a enchente que nos obriga a levantar os móveis, e existe e enchente que esperamos chegar e que nos impede de dormir enquanto não vem. É essa que arrasa qualquer ser humano."

Segundo o diretor do Departamento de Articulação e Integração de Políticas Setoriais da SPDE, Heber de Souza Lima, a Zona Norte foi priorizada no Plano de Drenagem Urbana por ser a que apresenta situação mais crítica na cidade. "Devido à crescente impermeabilização dos solos, decorrente da construção civil, a água tem chegado muito rápido às regiões mais baixas, provocando as inundações", expôs.

Em entrevista à Tribuna, o coordenador do projeto, Fabiano César Tosetti Leal, professor do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFJF, explicou que foram estudadas as manchas de inundação e as áreas passíveis de enchentes, dependendo da intensidade das chuvas, e oferecidas algumas propostas. Entre as intervenções estruturais e não estruturais indicadas está a construção de bacias de detenção e bacias de infiltração, que retêm a água da chuva e a libera lentamente, para que escoe com mais facilidade e não haja inundação.

O secretário de Obras, Jefferson Rodrigues Júnior, afirmou que, se houvesse solução para os alagamentos no bairro, esta já teria sido executada, desde que houvesse certeza de que o investimento seria eficaz. "Temos que buscar recursos externos para realizar as intervenções, porque a Prefeitura não tem condições de investir. Mas, para isso, é preciso um projeto, que pode existir agora que temos um plano diretor", destacou. "Não existe medida definitiva, pois estamos lidando com fenômenos da natureza. Qualquer estudo técnico pode propor uma solução e, eventualmente, ocorrer uma precipitação de intensidade maior do que a esperada, e aquilo acabar não atendendo de forma conveniente", afirma Tosetti.