Árvores e erosões são mais uma ameaça na 040

Nada de buracos na pista, traçado ultrapassado ou falta de obras viárias. O trecho da BR-040 entre Juiz de Fora e Belo Horizonte tem ainda perigos que vêm do alto ou estão sob o asfalto. Árvores podres, com troncos ocos, raízes comprometidas ou galhos soltos e erosões por debaixo do asfalto representam um risco real aos condutores, mas estão ocultos pela vegetação elevada às margens da estrada. A situação veio à tona após o início da série "Estrada do Medo", publicada pela Tribuna entre os dias 15 e 18 deste mês, que mostrou a degradação da via, temida por usuários e comunidades do entorno. A falta de monitoramento e intervenções na vegetação e nas encostas é evidente e, além de ameaçar a segurança dos usuários, sobrecarrega a rotina de trabalho da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Um relatório foi feito pelos patrulheiros diante do risco de acidentes fatais e enviado ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), mas nenhuma medida ainda foi adotada. Pelo documento, pelo menos cem árvores estão ameaçadas de cair sobre a rodovia somente no trecho entre Juiz de Fora e a Serra da Mantiqueira, depois do município de Santos Dumont. Na altura do km 735, segundo o documento, 31 árvores apresentam risco de queda.
Com a aproximação do período chuvoso, sobretudo de tempestades de vento, o risco aumenta. Após um vendaval, na tarde da última terça-feira, um eucalipto de grande porte caiu no km 744, na altura de Santos Dumont, deixando a rodovia interditada nos dois sentidos. Por causa do problema, um congestionamento se formou até que o galho fosse removido pelos Bombeiros Voluntários da cidade. Por sorte, nenhum veículo foi atingido.
"Isso vai acontecer mais vezes se o Dnit não tomar uma providência. O problema existe há anos, mas está se agravando. Há árvores que conseguimos entrar por debaixo por conta do tamanho do rombo no seu tronco. Muitas estão com a base totalmente podre. Fizemos um levantamento in loco e são quase cem com risco de queda entre o km 772 e o km 726. Eu mesmo já registrei ocorrência de acidente, com queda de árvores sobre o veículo, levando o condutor a óbito. Além disso, as erosões também preocupam", relata o policial Augusto Motta.
O inspetor chefe da PRF, Armstrong de Carvalho, diz que o ofício foi encaminhado há mais de um mês ao órgão federal. "Estamos aguardando o corte. Vamos entrar em contato novamente com o Dnit essa semana." Engenheiro florestal e secretário municipal de Meio Ambiente de Santos Dumont, Elmar Batista Moreira mostra-se preocupado. "Esse é um problema sério. É uma tragédia anunciada. No km 739,5, uma das árvores está pendendo sobre a estrada, já formando um ângulo de 45 graus com a faixa da rodovia. É um absurdo. Estão esperando acontecer uma coisa mais séria para tomar uma atitude. Imagina se uma árvore dessas cai sobre um ônibus? O Dnit precisa planejar a supressão dessas espécies. Sou engenheiro florestal e te digo que, se não for feito, o risco de acidentes fatais é enorme", alerta Moreira.
Agrônomo e mestre em ecologia, Theodoro Guerra considera negligente a falta de atitude dos órgãos competentes. "É preciso que haja monitoramento das espécies que margeiam rodovias como forma de precaução. Muitas precisam ser repostas em 15 anos. O eucalipto, por exemplo, é uma árvore exótica que tem grande durabilidade, entretanto, não é indicada para margens de rodovias e para perto de residências por conta do elevado crescimento vertical, pois sofre maior ação dos ventos e raios." Segundo Theodoro, são três os motivos do acometimento das espécies: "Com a idade avançada, as árvores ficam mais frágeis e suscetíveis às ventanias. A segunda causa é a ausência de nutrientes em função de alguma praga. Outra causa muito comum são os incêndios ocasionados por pontas de cigarro jogadas na estrada ou pela roçada irregular da vegetação rasteira. Geralmente colocam fogo, que atinge as árvores."
A assessoria de comunicação do Dnit foi procurada pela Tribuna, mas não respondeu aos questionamentos até a noite dessa quinta-feira (26).

Transtornos afetam usuários da via e patrulheiros
Além do risco iminente de acidentes, as quedas de árvores causam outros transtornos para usuários da via e policiais rodoviários. Na última terça-feira, um homem de 59 anos foi assaltado no momento em que estava retido no congestionamento na altura de Santos Dumont em razão da queda de um eucalipto. Ele relatou à Polícia Militar que estava parado na rodovia quando dois homens anunciaram o assalto, levando R$ 350, relógio, dois celulares, bolsa de couro e dois pen drives. A PM realizou rastreamento na cidade e localizou um dos suspeitos.
O secretário de Meio Ambiente de Santos Dumont, Elmar Batista Moreira, conta que a queda da árvore provocou o fechamento da BR-040 por quase quatro horas, empurrando todo o tráfego para dentro do município. "O eucalipto fechou a estrada, e a passagem dos carros aconteceu pela cidade. Só que também tivemos outras ocorrências e ficamos sem energia. Foi um caos."
Os policiais rodoviários relatam ainda a sobrecarga de serviços. "Não temos motosserra. Quando uma árvore cai de madrugada, temos que dar machadadas para conseguir liberar o tráfego", conta um dos patrulheiros. Inspetor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Armstrong de Carvalho confirma. "À noite, é ainda pior, pois nem sempre temos quem acionar. Muitas vezes, os Bombeiros estão empenhados em outra ocorrência, e somos nós que temos que tomar providências. Amarramos um cabo de aço em algum caminhão e pedimos o caminhoneiro para puxar a árvore, pois precisamos liberar a rodovia."








