Vândalos atacam ipês amarelos
Sete anos se passaram desde que as 150 mudas de ipê-amarelo foram plantadas na subida da Estrada Engenheiro Gentil Forn, uma das principais vias de acesso à região da Cidade Alta. Denominada como Árvores de Kardec, a iniciativa foi uma homenagem aos 150 anos do lançamento do Livro dos espíritos – literatura que decodificou a Doutrina Espírita para o mundo – prestada pela Associação Municipal Espírita (AME), em parceria com a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF). O que deveria ser um espaço marcado pela beleza natural da espécie, tem sido alvo de ações constantes de vândalos, que impedem as árvores de crescerem e florescerem.
A placa indicativa da homenagem, fixada pouco acima do trevo do Vale do Ipê, por exemplo, não se encontra no local há algum tempo. Uma grade chegou a ser instalada para proteger o objeto, mas em nada adiantou. Segundo a idealizadora da homenagem e moradora da Cidade Alta, Nara de Campos Coelho, a placa precisou ser substituída outras três vezes. Após plantarmos as primeiras mudas – que foram cedidas pela PJF em 2007 -, precisei fazer reparos no local diversas vezes, a começar pelo replantio de 60 mudas para repor aquelas que foram furtadas ou danificadas pelas queimadas, conta.
Segundo Nara, as medidas não pararam por aí. Ela se comprometeu em fazer a manutenção das árvores e regá-las com água todos os dias. Pedi a familiares e amigos que juntassem garrafas PET para serem usadas como reservatório de água durante o período de seca, bem parecido com este que enfrentamos atualmente. Acredita que as garrafas também foram furtadas? Foram mais de 220! Meu sonho dourado, literalmente, era ver aquele lugar florido, ressalta Nara, que utiliza o caminho todos os dias para chegar em casa.
Além de satisfazer um desejo íntimo em ver a Gentil Forn florida, Nara garante que a iniciativa iria beneficiar outras pessoas, sobretudo quanto à segurança. Em determinado horário, os raios incidem na vista dos motoristas. Acredito que iria deixar o trajeto mais seguro para todos, uma vez que as árvores iriam funcionar como bloqueio para o sol. Ter esta consciência sobre a natureza está entre os ensinamentos passados por Kardec. Nara estima que existam, atualmente, 28 ipês-amarelos na estrada. Segundo ela, quatro deles plantados próximo da rotatória do Vale do Ipê floresceram juntos pela primeira vez neste ano.
O ipê-amarelo é uma espécie nobre e de origem brasileira. Possui madeira de lei e tem sua retirada proibida em legislação. Segundo o engenheiro florestal do Instituto Estadual de Florestas (IEF) José Maurício Ferreira da Silva, a árvore floresce uma vez ao ano, geralmente entre os meses de julho e setembro, permanecendo com as flores por, no máximo, 20 dias. Dependendo do solo e da rotina de água e fertilizantes, em idade madura – entre 15 e 20 anos -, pode chegar a até 12 metros de altura. O clima de Juiz de Fora propicia o desenvolvimento do ipê-amarelo.
Procurada pela Tribuna a respeito do replantio de novos ipês na Gentil Forn, a Secretaria de Meio Ambiente informou, por meio de sua assessoria, que é necessária uma análise prévia de um engenheiro florestal para avaliar o local, como solo, situação do plantio feito anteriormente, as espécies adequadas para eventual replantio e espaçamento.
Grades protetoras
Enquanto os ipês-amarelos tentam se fixar às margens da Estrada Gentil Forn, outra espécie nativa plantada no local, a manacá-da-serra, encontra dificuldades em se desenvolver devido à grades danificadas, quebradas e cheias de pichações. Em alguma delas, mato e erva-de-passarinho tomam conta da proteção. Ao todo, a Tribuna contabilizou 65 árvores, sendo que boa parte delas apresenta problemas. Segundo a Empav, as árvores foram plantadas por meio de uma iniciativa particular, e a Prefeitura realizou a colocação das grades. Além disso, a pasta informou que uma equipe realiza trabalhos de limpeza e capina no local esta semana, além de retirar as proteções danificadas. As grades passarão por avaliação para constatar se serão recuperadas e instaladas novamente.









