Defesa Civil alerta para novas chuvas e pede que moradores não retornem às áreas de risco
Bombeiros resgataram 58 vítimas em Juiz de Fora; Polícia Civil periciou 62 corpos no IML e realiza coleta de DNA de familiares de desaparecidos

Representantes da Defesa Civil de Minas Gerais, do Corpo de Bombeiros Militar, da Polícia Militar e da Polícia Civil atualizaram o balanço das operações após as fortes chuvas que atingiram Juiz de Fora e região durante a semana. As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (27) em coletiva de imprensa.
Segundo o comandante do 3º Comando Operacional de Bombeiros (3º CCOB), coronel Joselito Oliveira de Paula, a corporação já soma quase 80 horas de operação. Até o momento, foram resgatados 58 corpos em Juiz de Fora e seis em Ubá, dentro das ocorrências atendidas diretamente pelo corporação.
O total de óbitos confirmados pode variar entre as fontes. Ele ressaltou que, no caso do Corpo de Bombeiros, o número se refere aos corpos recuperados nas frentes de busca e não inclui vítimas que tenham sido resgatadas com vida e falecido posteriormente em unidades hospitalares.
Atualmente, três vítimas ainda estão sendo procuradas em Juiz de Fora, em três frentes distintas de trabalho. Na região do Parque Burnier, as buscas seguem concentradas, com revezamento entre cães farejadores e maquinário pesado. A estratégia, segundo o comandante, é varrer completamente toda a área movimentada. “Enquanto não fizer essa busca em todo o terreno, não há encerramento”, afirmou.
Em Ubá, as equipes utilizam drones, aeronaves, busca visual e cães. O coronel também fez um apelo para que voluntários e influenciadores digitais não se dirijam às áreas atingidas. Segundo ele, trata-se de uma “área quente”, de alto risco, acessada apenas por bombeiros treinados especificamente para esse tipo de cenário. “Nós agradecemos a boa vontade, mas é necessário buscar outras formas de ajudar”, disse.
Mais de 60 corpos periciados pelo IML
O delegado da Polícia Civil, Bruno Vink, informou que 62 corpos foram periciados no Instituto Médico Legal (IML). Todos que deram entrada já passaram por exame, e a maior parte foi liberada às famílias.
A Polícia Civil atua com reforço de policiais de Juiz de Fora e de Belo Horizonte, tanto na área operacional quanto no suporte técnico. Drones também estão sendo utilizados nas buscas. De acordo com o delegado, os peritos vindos da capital mineira permanecem na cidade por tempo indeterminado.
A corporação também está colhendo amostras de DNA das famílias de pessoas desaparecidas. O delegado incentivou que esses familiares se dirijam à delegacia regional de Polícia Civil de Santa Terezinha, na Rua Custódio Tristão 76, para que o material possa ser colhido e utilizado, caso haja necessidade futura de identificação.
‘Quem saiu da área de risco, não volte’
O coronel da Defesa Civil, Paulo Roberto Rezende, reforçou novamente o alerta para que moradores que deixaram áreas de risco não retornem às residências. “Mesmo com a evolução para o restabelecimento de uma certa normalidade na cidade, o mais importante é a vida”, declarou.
Segundo ele, houve avanço significativo nas ações, com grande mobilização de maquinário e mão de obra. Essa semana, o número de detentos para auxiliar nos trabalhos deve passar de 11 para 50, sob análise da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).
A Defesa Civil informou, ainda, que há previsão de chuva para todo o estado, com atenção especial para a Zona da Mata até o fim da semana. Embora seja possível prever volumes consideráveis e emitir alertas, a forma e a intensidade da precipitação ainda apresentam grau de imprevisibilidade.
Rezende também reforçou o pedido para que as pessoas se cadastrem nos alertas da Defesa Civil. “A população pode se cadastrar para receber alertas enviando o CEP por mensagem de texto para o número 4099.” Em casos de alerta severo, o sistema pode, inclusive, travar o celular com notificação emergencial. “Leve a sério esse alerta”, reforçou o coronel.
PM atua na retirada preventiva de moradores
O comandante da 4ª Região da Polícia Militar, coronel Lúcio Ferreira da Silva Neto, explicou que a atuação da PM tem se adaptado conforme a evolução do cenário.
Em um primeiro momento, o foco foi orientar e retirar moradores de áreas de risco, como ocorreu no Bairro Bom Clima, medida que, segundo ele, evitou uma tragédia ainda maior. “Se as pessoas estivessem nas casas e não tivessem sido orientadas e retiradas, poderíamos ter um cenário muito mais grave.”
Ministério Público busca recursos
Representantes do Ministério Público informaram que o órgão está atuando de forma integrada às forças de segurança e busca mecanismos para destinar recursos às operações, inclusive por meio de projetos que direcionam valores arrecadados com multas para as ações emergenciais.