Chuvas e seguro: o que garante e o que pode anular a indenização

Chuvas e seguro: especialista explica quando o seguro cobre alagamentos em carros e imóveis e quais situações podem levar à negativa de indenização.


Por Natália Mancio

27/02/2026 às 19h59

Chuvas e seguro se tornaram um dos principais pontos de dúvida após os prejuízos causados pelos alagamentos em Juiz de Fora. Muitos proprietários de veículos e imóveis só descobrem os detalhes do contrato depois do dano, quando precisam acionar a indenização e enfrentam surpresas sobre o que está ou não coberto.

Em entrevista ao Tribuna no Ar, Stefania Lamar, da Kamest Seguros, explicou que nem todo seguro cobre automaticamente fenômenos da natureza. No caso dos automóveis, a diferença entre o seguro básico e o compreensivo é determinante. Enquanto o plano básico costuma contemplar apenas roubo e incêndio, o seguro compreensivo — também chamado de total — geralmente inclui danos causados por enchentes, queda de árvores e outros eventos naturais. Ainda assim, é fundamental verificar se a apólice específica prevê essa cobertura, pois cada contrato possui cláusulas próprias, limites e franquias.

Um ponto que pode gerar negativa de indenização está relacionado ao chamado agravamento de risco. Em situações de chuvas e seguro, se o motorista tenta atravessar uma área claramente alagada e o veículo sofre danos, como o calço hidráulico — quando o motor aspira água e compromete seu funcionamento — a seguradora pode entender que houve exposição deliberada ao perigo. Nesses casos, a perícia avalia se a travessia foi inevitável ou se havia alternativa segura. A caracterização de imprudência pode anular o direito ao pagamento.

No seguro residencial, a atenção deve ser ainda maior. Coberturas para alagamentos, desmoronamentos e deslizamentos geralmente são adicionais e precisam ser contratadas de forma específica. Muitas apólices básicas contemplam incêndio e explosão, mas não incluem automaticamente danos decorrentes de enchentes. Por isso, em cenários de chuvas e seguro, é essencial revisar as condições do contrato, observar os limites de indenização e entender quais exclusões estão previstas.

Em caso de sinistro, o procedimento correto faz diferença. A recomendação é documentar todos os danos com fotos e vídeos, registrar boletim de ocorrência quando necessário e acionar imediatamente o corretor ou a seguradora para abrir o processo formal. Reparos não devem ser realizados antes da autorização, salvo em situações emergenciais devidamente comunicadas. A organização das provas e o cumprimento dos prazos ajudam a evitar questionamentos futuros.

Chuvas e seguros: passo a passo para acionar o seguro após enchente ou dano

As recentes enchentes reforçam que chuvas e seguro exigem planejamento prévio. Revisar a apólice, entender as cláusulas e avaliar a necessidade de ampliar coberturas pode evitar prejuízos ainda maiores em momentos críticos. Mais do que um contrato, o seguro é uma ferramenta de prevenção — mas sua eficácia depende da contratação adequada e de atitudes prudentes diante do risco.

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