Bombeiros ainda buscam por três vítimas em Juiz de Fora

Cinco dias após os deslizamentos que devastaram Juiz de Fora, equipes de resgate seguem mobilizadas em três áreas enquanto famílias aguardam a localização das últimas vítimas


Por Pâmela Costa

27/02/2026 às 09h28- Atualizada 27/02/2026 às 10h59

O trabalho de busca por vítimas soterradas continua na manhã desta sexta-feira (27), cinco dias após os deslizamentos em Juiz de Fora, que já deixaram mais de 50 mortos e 3.500 famílias desabrigadas e desalojadas.

O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais atua em três frentes: no Bairro Paineiras, no Bairro JK (comunidade Parque Burnier) e no Bairro Linhares/Três Moinhos. As equipes procuram por desaparecidos nessas regiões.

Segundo a corporação, há registro de um corpo em cada um dos locais onde ocorrem as operações: Paineiras, Parque Burnier e Linhares/Três Moinhos. No Paineiras, uma criança de nove anos ainda não foi localizada, e as buscas continuam pelo Pietro, irmão de Sophia.

O trabalho de resgate segue intenso, enquanto famílias aguardam a localização das vítimas para realizar os sepultamentos.

Paineiras

Rua engenheiro Murillo Miranda de Andrade Leonardo Costa
Rua Engenheiro Murillo Miranda de Andrade, no Paineiras (Foto: Leonardo Costa)

Ao todo, seis moradores do Bairro Paineiras morreram em decorrência do deslizamento de terra, entre eles, uma criança que ainda não foi localizada entre os escombros e a lama. Até o momento, a avó, o padrasto, a irmã de sete anos e a mãe do menino já foram encontrados. A mãe, 32 anos, – única pessoa retirada com vida – chegou a ser socorrida, mas morreu no hospital durante a madrugada seguinte ao resgate. 

A família era moradora da Rua do Carmelo que foi em grande parte evacuada devido ao risco de novos deslizamentos. As vítimas são familiares de Josiane Aparecida, 43, que têm aguardado por toda a semana um desfecho para a tragédia.

Durante a semana, os familiares se juntaram nas buscas realizadas pelo Corpo de Bombeiros e voluntários. As buscas durante à noite, entretanto, enfrentam desafios relacionados a falta de iluminação e o risco de deslizamento de terra e de uma pedra que foi arrastada para perto do local. 

A reportagem da Tribuna, que esteve no local, presenciou uma amiga da família subir até os escombros da casa e recuperar um álbum de fotos. Brinquedos sujos de lama que eram dos irmãos – um já localizado e outro que segue sendo procurado – estavam amontados em um canto em frente a residência totalmente destruída. 

Também no Bairro Paineiras, na Rua Engenheiro Murillo Miranda de Andrade, um policial penal chegou a ficar soterrado e seu corpo foi recuperado na madrugada de quarta-feira. O homem, 36 anos, morreu enquanto ajudava outras vítimas – dentre elas, a sua esposa. 

Comunidade Parque Burnier

Bairro Parque Burnier. Foto de Leonardo Costa
(Foto: Leonardo Costa)

O Parque Burnier foi uma das localidades mais afetadas pela chuva, que ocasionou um desabamento de terra que atingiu ao todo 12 lares e ceifou várias famílias. O clima de luto que invade a comunidade que busca incessantemente pelos seus mortos permanece com duas vítimas ainda sendo procuradas nesta sexta. 

Desolados, moradores trabalham há quase cinco dias com enxadas nas mãos em busca das vítimas. A reportagem esteve no local e testemunhou o esforço da comunidade, que tem se apoiado mutuamente diante da tragédia.

Uma família formada por pai, mãe e dois filhos pequenos perdeu a casa. A matriarca decidiu enviar as crianças para um local seguro, em outro bairro, enquanto permaneceu na área atingida para ajudar os vizinhos nos trabalhos de busca e apoio. Somente no local, mais de dez vítimas – já sem vida – foram retirados.

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