Juiz-foranos que estavam no Rio relatam tragédia

Ruas fechadas e muitas máquinas trabalhando no local da tragédia
A tragédia na Avenida 13 de Maio, no Centro do Rio de Janeiro, deixou juiz-foranos que residem ou estão a passeio na capital fluminense perplexos e alterou a rotina de quem trabalha na região devido ao fechamento das vias adjacentes ao local do desabamento. Mesmo assim, nesta quinta-feira (26), a maioria das empresas trabalhava normalmente.
Instalados em um hotel próximo, os professores e artistas do Grupo Divulgação, de Juiz de Fora, Márcia Falabella e José Luiz Ribeiro, acompanharam durante toda a noite o trabalho dos bombeiros e da Defesa Civil no local e relataram as cenas da catástrofes. "Nos hospedamos em um hotel bem perto e quando estávamos retornando já ouvimos pelo rádio do táxi o que havia acontecido. Ficamos perdidos, sem saber se conseguiríamos entrar no hotel, descemos antes e nos deparamos com uma aglomeração e com muita fumaça e poeira. Um cenário de destruição, próximo ao 11 de setembro. Mas o mais perplexo de tudo foi ver que bem pertinho, em um bar, muitos continuavam a beber e ver jogo sem se importar com a tragédia ao lado", relatou Márcia.
José Luiz Ribeiro, diretor do Divulgação, que estava com a amiga no Rio para assistir a espetáculos e exposições, contou que, diante das notícias do desabamento, familiares de Juiz de Fora ficaram preocupados. "Como nossos celulares estavam desligados, os parentes e amigos que ficaram em Juiz de Fora estavam desesperados sem notícias. Só depois nos falamos e acalmamos a todos, mas a cena no local foi de perplexidade. Eu mesmo costumava frequentar o prédio, onde comprava sapatos. Realmente é assustador."
A juiz-forana Ana Paula Bicalho Nascimento, 42 anos, que mora há 12 no Rio e trabalha como gerente comercial na Região Central contou que a maior dificuldade para quem trabalha na área foi retornar para casa após o trabalho na quinta-feira, dia do episódio. "Quem saiu no horário não teve dificuldades, mas quem deixou o trabalho mais tarde ficou sem ter como voltar. As estações de metrô da Carioca, Uruguaiana e Cinelândia ficaram fechadas, pois havia boatos que a estrutura dos túneis pudesse ter sido comprometida. Já hoje de manhã (ontem) tudo voltou ao normal, apesar de o trabalho intenso de busca pelos desaparecidos na área do desastre."
Formado em Juiz de Fora, o jornalista e produtor cultural Pedro Nogueira, 28, que também trabalha em um prédio vizinho à tragédia, relatou o cenário atual. "São mais de quatro metros de altura só de entulhos. O prédio maior parece ter descolado do outro e parte da estrutura está aparente. Isolaram toda a área e as avenidas ao redor, mas o metrô já está funcionando. Acho que por conta do desabamento as pessoas estão evitando o Centro, pois o movimento de carros está bem menor que nos dias normais."








