Dos nomes raros aos ignorados pelo IBGE: conheça batismos quase únicos em Juiz de Fora

Nomes pouco usuais revelam laços familiares, referências culturais e coincidências que atravessam gerações


Por Mariana Souza*

26/11/2025 às 06h00

A nova plataforma lançada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que reúne o ranking e outras curiosidades sobre os nomes mais utilizados no país, despertou o interesse de muita gente. Além dos mais populares, há também os menos comuns – alguns tão raros que parecem inventados, e outros que nem sequer aparecem no levantamento oficial.

Em Juiz de Fora, o estudo identificou 2.780 nomes, entre os tradicionais, como José e Maria, e outros que chamam atenção pela originalidade, como Job. Alguns são marcados pela repetição familiar e pela força cultural, enquanto outros intrigam pela singularidade.

O IBGE, no entanto, faz um alerta sobre limitações na base de dados. De acordo com a nota técnica sobre o levantamento batizado de Nomes do Brasil, são exibidos apenas nomes com frequência mínima de 20 registros no total nacional. No caso de buscas regionais, os critérios variam: são necessários ao menos 15 registros por estado ou dez por município para que o nome apareça no sistema.

A coincidência que virou nome

Esse é o caso da jornalista Elisabetta Mazocoli que, ao procurar seu nome pelo Brasil, encontrou apenas 47 pessoas com a mesma grafia. Para ela, o batismo mistura coincidência e um certo tom místico.

Ela conta que o pai, até hoje, não sabe explicar de onde tirou o nome. “Ele não se lembra de ter visto ‘Elisabetta’ em filme, na TV, em livro nenhum. Não conhecia ninguém com esse nome, não lembra de ter lido em lugar nenhum. Ele só sabe que esse nome ficou na cabeça dele”, relata. Quando anunciou a escolha, a reação da família foi de estranhamento: “Ele falou com todo mundo que queria muito esse nome e, a princípio, todo mundo achou estranho”. A mãe resistiu à ideia, já que nunca havia cogitado o nome, e ele ainda fugia totalmente do padrão das irmãs por parte de pai, Aneletice e Clarice.

A virada veio com uma descoberta do avô materno. Vasculhando documentos antigos, ele encontrou a certidão de nascimento da própria avó – tetravó de Elisabetta –, em que constava o nome “Elisabeta”. Nascida na Itália, ela imigrou para o Brasil ainda criança e, ao ser registrada aqui, teve o nome adaptado para “Elisabeth”, embora fosse conhecida pela família como dona Betina.

“Meu pai só conhecia ela como dona Betina. Ninguém sabia, na família, que tinha existido uma Elisabeta. E esse é o meu avô materno, ou seja, o meu pai não tem nada a ver com essa história, ele não tinha como imaginar que havia uma Elisabeta na família da minha mãe. Não foi pensando em homenagear ela que ele sugeriu esse nome, mas essa coincidência fez com que eles decidissem por ele”, conta.

Para a jornalista, o nome sempre soou forte. Ela costuma assinar muitas vezes como “Betta”, mas mantém carinho especial pelo nome completo. “Hoje em dia eu gosto muito de Elisabetta, porque acho um nome forte, marcante. Gosto muito dessa história, acho bonita, uma coincidência que quase mostra que as coisas eram para acontecer dessa forma mesmo”, reflete. E garante: quando tiver filhos, também pretende escolher nomes diferentes e especiais, à altura da história que carrega no próprio nome.

Nome de craque

O fisioterapeuta Frantchescoli Rubbiati Mansur Ferreira conta que sempre viu seu nome como algo imponente e marcante, capaz de traduzir uma personalidade confiante e determinada. Curiosamente, durante pesquisado no sistema nacional do IBGE, o nome dele não aparece entre os registros – tamanha é a raridade.

Ele explica que foi batizado em homenagem ao jogador uruguaio Enzo Francescoli, ídolo do futebol sul-americano, por influência do pai, apaixonado pelo esporte. Embora tenha nascido em 1996, sua gestação ocorreu durante a Copa América de 1995, disputada entre junho e julho daquele ano, quando o Uruguai conquistou o título ao vencer o Brasil nos pênaltis. O pai, admirador do desempenho do atleta tanto pela seleção quanto pelo River Plate, quis homenageá-lo, não apenas por seu talento, mas também por considerá-lo um exemplo de simplicidade e humildade.

Frantchescoli revela ainda um detalhe curioso sobre a grafia diferenciada de seu nome: “Segundo meu pai, o ‘T’ e o ‘H’ foram acrescentados para deixar a pronúncia mais próxima do espanhol das narrações esportivas.”

Um nome inventado em família

Também sem registro no sistema nacional do instituto, a técnica de enfermagem e graduanda em Serviço Social, Nassalli do Nascimento Castro, conta que seu nome surgiu de uma constatação bem-humorada feita por alguns tios quando sua mãe, Rosângela, estava grávida.

Cansada, mas celebrando os pequenos momentos de descanso, Rosângela costumava visitar com frequência a mãe, Ivone, e sempre que podia repousava um pouco na sala de estar da casa.

Ao verem o tamanho da barriga, os irmãos de Rosângela faziam apostas sobre o parto e brincavam dizendo que não daria tempo de chegar ao hospital, que o bebê nasceria ali mesmo, na sala.

Ainda sem nome definido, a família começou a sugerir apelidos em meio às brincadeiras e, de “na sala”, nasceu o nome Nassalli.

Hoje, adulta, a jovem carrega no nome não apenas a criatividade da família, mas a lembrança afetiva daqueles encontros na sala da avó Ivone que acabou se tornando, para sempre, parte da sua própria história.

Confira alguns nomes raros de Juiz de Fora

  • Anete
  • Amilcar
  • Celeida
  • Eliabe
  • Elpidio
  • Esdras
  • Jan
  • Job
  • Maeia
  • Osni
  • Paplo
  • Saionara
  • Tawan
  • Valdivino
  • Zeni

*estagiária sob supervisão da editora Fabíola Costa