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Menos educação física na escola


Por Tribuna

26/11/2013 às 07h00

A educação infantil e os primeiros anos do ensino fundamental terão a carga horária das aulas de educação física reduzida nas escolas municipais, no próximo ano. A decisão da Secretaria de Educação causou reação dos professores da área e de outros segmentos, que acreditam que a nova grade trará prejuízos, em longo prazo, aos alunos da rede.

De acordo com o tesoureiro do Sindicato dos Professores de Juiz de Fora (SinproJF), Roberto Kalan, nos dias 4 e 5 de outubro, foi realizada plenária com os docentes de todas as escolas da rede municipal para discutir mudanças para 2014, devido à redução da carga horária da classe. No final da plenária foi decidida a manutenção das duas aulas de 50 minutos da educação física para a grade curricular do sexto ao nono ano. Já para a educação infantil e para as séries iniciais do ensino fundamental, as escolas teriam autonomia para se organizar internamente e decidir suas grades. Normalmente, nesses primeiros anos, os alunos tinham de três a quatro aulas da disciplina. "A secretaria não aceitou e impôs redução para dois módulos de 40 minutos para as séries iniciais, não respeitando a autonomia das escolas, como consta na LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional)", explica Kalan. Ele ainda afirma que a educação física em Juiz de Fora é referência para muitos municípios por possuir grandes produções científicas.

O secretário de Educação, Weverton Vilas Boas, apresentou documento no qual consta que a sugestão de redução veio do próprio sindicato. "O Sinpro apresentou o resultado da plenária, na qual constava essa restrição. Fizemos todo o planejamento para 2014 em cima desse acordo. No dia 14 de novembro, eles vieram com uma nova proposta. Mas não há possibilidade de alterarmos o acordo já realizado."

Um dos representantes do Conselho Regional de Educação Física Edson Faria acredita que a mudança acarretará na queda da qualidade do processo de formação dos estudantes. "Por meio da educação física, o aluno desenvolve noções de valores, atitudes e formas de interação em sociedade. São temas que, se trabalhados só na teoria, perdem o sentido." Já para a professora de educação física Ana Paula Neto, as séries iniciais são as que mais necessitam da disciplina para o desenvolvimento motor, cognitivo e afetivo dos alunos. "As aulas de educação física já são prejudicadas, pois a maioria das escolas não tem espaço adequado para a prática. Reduzir a carga horária será como queimar etapas da vida da criança."

De acordo com o secretário Weverton, alguns fatores impossibilitam a mudança dos termos do acordo. "Como já foi feito o planejamento para o ano que vem, não temos contratação de professores temporários, nem efetivação de concursados, não há edital de transferência de professores e, principalmente, não podemos começar as aulas sem professor em sala." Weverton acrescenta que foi autorizada, pela secretaria, a possibilidade de flexibilizar para até quatro aulas de educação física no que tange à educação infantil e até três aulas para o primeiro ano. No entanto, para os outros anos, correspondente à fase da alfabetização, vale a proposta da plenária de duas aulas de 40 minutos. "Estamos avaliando os ‘quadros de previsão’ das escolas. Ao final da avaliação, iremos verificar, caso a caso, se há necessidade de ajustes."