Fim do vestibular da UFJF divide opiniões em JF
A mudança de parte do processo seletivo da UFJF, anunciada na quinta-feira após reunião do Conselho de Graduação (Congrad), dividiu opiniões e motivou debate entre instituições, profissionais e estudantes afetados pela decisão. A partir do ano que vem, o vestibular será abolido, e 70% das vagas serão disputadas exclusivamente por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), do Ministério da Educação (MEC), com base unicamente na nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Para o pró-reitor de Graduação, Eduardo Magrone, a mudança deve elevar a qualidade dos alunos que ingressam na UFJF, já que haverá competição entre candidatos do país inteiro. É uma sinalização para o ensino médio de que estamos investindo em uma seleção que valoriza a leitura e a contextualização do conhecimento. A tutora do Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação (Caed), Regina Meirelles, também vê a decisão de forma positiva. A tendência é que mais universidades passem a aderir a esta forma de seleção, o que vai permitir a unificação do ensino médio no país todo.
No entanto, as justificativas para a adoção integral do Enem são questionadas. O processo ainda não se mostrou 100% eficiente, avalia a psicóloga do Cave, Eliana Balena, acrescentando que os estudantes também podem ficar mais inseguros com o acirramento da disputa. O aluno passa a não saber com quantas pessoas está concorrendo, o que aumenta o estresse e a ansiedade. Por fim, há a sensação de que as necessidades dos candidatos não são ouvidas nem acatadas na tomada de decisões que os afetam.
A estudante Lorena Lira Vieira reconhece que haverá aumento da concorrência, mas aprova a alteração. O Sisu é mais democrático, porque dá oportunidade para pessoas do Brasil inteiro competirem por uma vaga. Já a aluna Amanda Zampa de Mello acredita que o fim do vestibular desfavorece candidatos. Muita gente mostrava seu potencial nas provas específicas, na segunda fase, e o Enem não permite isso.
Eduardo Magrone ressalta que as falhas na distribuição e na aplicação do Enem foram ponderadas pelo Congrad e, por isso, a decisão em adotar exclusivamente a nota do exame não foi unânime. É claro que há uma preocupação de que problemas voltem a acontecer, mas acho que o Governo federal deve tomar medidas para torná-los cada vez mais raros.
Pism
O Programa de Ingresso Seletivo Misto (Pism) será mantido, com oferta de 30% das vagas. Magrone destaca que, na próxima terça-feira, haverá novo encontro do Congrad, para definir novas premissas para a seleção seriada. O conteúdo do Pism vai ter que dialogar com o modelo de prova do Enem, para que haja maior sintonia entre os processos seletivos.








