JF vai às urnas hoje para definir 2º turno
Pela sexta vez seguida, desde a Constituição de 1988, quando foi instituída a eleição em dois turnos para prefeitos de cidades com mais de 200 mil habitantes, o
eleitor juiz-forano deve manter a tradição hoje nas urnas e levar para o segundo turno a disputa pela Prefeitura. Tecnicamente empatados, conforme pesquisa Ibope/Tribuna de Minas/TV Integração, divulgada na última quinta-feira, Bruno Siqueira (PMDB) e Margarida Salomão (PT), respectivamente com 30% e 28% das intenções de voto, são seguidos a certa distância pelo prefeito e candidato à reeleição Custódio Mattos (PSDB), com 20% da preferência do eleitorado. Como a margem de erro é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos, a corrida sucessória chega embolada na sua reta final, com os três concorrentes com chances de passar para a próxima fase, que será realizada no dia 28 de outubro. Os outros três candidatos – Laerte Braga (PCB), Marcos Paschoalin (PRP) e Victória Mello (PSTU) – apareceram apenas de forma discreta nos levantamentos, com chances reduzidas de avançarem. Na disputa pelas 19 cadeiras na Câmara Municipal, a disputa de hoje é mais acirrada, com 453 nomes no páreo.
Os 386.662 eleitores juiz-foranos vão às urnas ao fim de três meses de uma campanha morna, despolitizada, com pouca discussão programática e quase sem emoção. Desconsiderando alguns embates despropositados encampados por Paschoalin, que ganharam repercussão mais pelo caráter folclórico, apenas na última semana, com a divulgação das pesquisas e a realização dos últimos debates na Rádio Solar AM e na TV Integração, a disputa esquentou. Nessas ocasiões, os três concorrentes à frente das pesquisas finalmente decidiram confrontar algumas de suas propostas e questionar aspectos da campanha alheia. Nas semanas anteriores, a cantilena foi sempre a mesma. Margarida e Bruno fazendo reiteradas críticas à atual gestão, enquanto Custódio aproveitava todo seu tempo de campanha para falar do estado como encontrou a Prefeitura e da atual situação do município. As propostas começaram a aparecer de forma esporádica até o início de setembro, quando ganharam mais consistência com a divulgação dos programas de Governo.
Amparada pelas votações obtidas no município em 2008, ao alcançar 114.980 votos no primeiro turno, e em 2010, com 66.779 para eleição de deputado federal, Margarida liderou a disputa até a última semana, quando foi superada por Bruno. Durante boa parte da campanha, a petista, que conta com apoio da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula, apareceu para eleitorado com a promessa de vitória ainda no primeiro turno. Na outra ponta, Custódio se apresentou para a disputa com o conjunto de obras viárias prometidas há três anos e meio ainda na sua fase inicial, além de um índice de rejeição na casa dos 50%. A seu favor jogavam a máquina administrativa, o governador Antonio Anastasia (PSDB) e o senador Aécio Neves (PSDB). Os dois tucanos, assim como a dupla presidencial petista, aparecem em todas as pesquisas como excepcionais cabos eleitorais em Juiz de Fora. Já Bruno conseguiu se lançar como candidato após uma árdua disputa interna no PMDB com o ex-prefeito Tarcísio Delgado, que deixou o partido para caminhar com Margarida. Desde então, Bruno seguiu com poucos aliados e sem nenhum grande padrinho, quando muito com apego à memória do ex-presidente Itamar Franco.
Saúde segue como maior preocupação
Independentemente do apelo dos candidatos, se à renovação ou à continuidade, o eleitor juiz-forano, mais uma vez, elegeu a saúde como principal preocupação. A questão da valorização da atenção primária, com fortalecimento do Estratégia Saúde da Família e das UAP’s, estava presente na maioria dos programas de Governo. Da mesma forma, o novo Hospital de Urgência e Emergência, ainda em construção, ganhou de todos os concorrentes o compromisso de continuidade de suas obras. A divergência, nesse caso, veio em relação ao modelo de gestão do empreendimento, bem como das UPA’s, atualmente geridas por entidades sem-fins lucrativos da iniciativa privada. A candidata Margarida Salomão defendeu a revisão do atual modelo. Bruno Siqueira também considerou a hipótese de rever a parceria com o setor privado, mediante análise mais aprofundada. Laerte Braga e Victória Mello pregaram a total reestatização do sistema de saúde.
O trânsito e o transporte público coletivo também permearam toda a campanha. Todos concorrentes, ainda que de forma diferentes, prometeram dar continuidade as obras viárias que preveem a construção de viadutos, pontes e mergulhões. Margarida e Bruno colocaram como possível a realização do entorno ferroviário, com a retirada do tráfego de trens de cargo da área urbana da cidade. Em relação ao transporte público, também prevaleceu consenso quanto à necessidade de um novo modelo com uma nova licitação de empresas de ônibus. Ninguém, no entanto, arriscou detalhar prazos e formatos. A petista e o peemedebista lançaram a proposta do bilhete único para evitar o pagamento de mais de uma passagem durante um espaço de tempo. Margarida também se comprometeu com tarifas mais baratas aos domingos.
A questão do pagamento do piso nacional do magistério tomou a maior parte do debate eleitoral envolvendo a educação. Custódio garantiu pagar o piso, mas mostrou dificuldade para cumprir o dispositivo da norma que prevê um terço de atividade extraclasse para todos os docentes. Margarida e Bruno afirmaram que também esse aspecto será solucionado caso sejam eleitos, embora não tenham detalhado como pretendem fazê-lo. Para Victória e Laerte, é necessário mudar as prioridades da administração, com foco no trabalhador. Paschoalin defendeu a redução de gastos com foco no essencial. Um outro tema debatido ao longo da campanha foi a segurança. A disseminação do crack em todo país foi apontada como um dos principais motivos para elevar a preocupação com o setor. Os candidatos propuseram ações específicas para combater a mazela.








