Centro de JF tem histórico de incêndios devastadores
Embora o incêndio ocorrido na última segunda-feira seja considerado um dos mais graves, prejuízos provocados pelo fogo fazem parte da história da região central da cidade. Em 1953, o fogo destruiu completamente oito lojas na Rua Halfeld em apenas duas horas. Segundo o então comandante do Corpo de Bombeiros, tenente José Antônio, havia uma quantidade insuficiente de hidrantes no Centro, além de problemas operacionais. Três anos antes, em fevereiro de 1950, labaredas destruírem o tradicional Edifício Clube Juiz de Fora, também na Rua Halfeld. Completamente dizimado, o prédio foi reinaugurado em 1958, com as características atuais.
Em 1991, outra edificação tradicional foi devastada pelas chamas: o complexo do Mercado Mascarenhas, na Getúlio Vargas. Não deu tempo de tirar nada, porque o fogo começou antes de abrirmos as lojas, relembra Bárbara Possal, que teve perda total na mercearia que mantinha no local. Os comerciantes relatam que, por três anos, funcionaram em um edifício anexo, que hoje pertence à Secretaria de Educação. Foi muito importante termos ficado juntos, um apoiando o outro. Foram anos difíceis, mas conseguimos reabrir nossos negócios, avalia o dono de uma banca de verduras, Carlai Lopes. Sentimos na pele o que os lojistas da Floriano estão sentindo. Eles precisam ter muita coragem, mas vale a pena lutar para se reerguer, diz Bárbara, que conseguiu reabrir sua loja e hoje também é proprietária de um restaurante no mercado.
Em 14 de outubro do ano passado, o incêndio na Scio Lustres levou caos ao Centro. Um prédio vizinho precisou ser evacuado, devido ao risco de as chamas se alastrarem. A loja foi reinaugurada há cerca de um mês. Perdemos tudo, de mercadorias a documentos. Foi muito doloroso reviver o que passamos com o que aconteceu agora na Floriano; as imagens daquele dia voltaram à nossa mente. Os lojistas terão que trabalhar muito, mas vale a pena recomeçar, é muito compensador. É bom estar de volta depois de um ano desempregada, diz a gerente do estabelecimento, Neide Lawall, funcionária da casa há 26 anos.
Memória afetiva
Para o historiador Vanderlei Tomaz, o prejuízo com o incêndio na Floriano vai além da perda material dos comerciantes. Embora tivessem sofrido alguma descaracterização, as construções afetadas pelo incêndio remontam à primeira metade do século passado, quando a via ainda se chamava 15 de Novembro. Segundo ele, os juiz-foranos se identificam com aquele trecho do comércio, e as chamas acabaram levando parte da história de Juiz de Fora. São dezenas de empregos interrompidos e uma dura lacuna na memória afetiva da cidade.








