Escolas estaduais enfrentam falta de livros
O ano letivo já está no segundo semestre e pelo menos três escolas estaduais de Juiz de Fora continuam com déficit de livros didáticos. Segundo a diretora regional do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), Victória Mello, o problema é crônico e acontece há anos. “Quando eu lecionava, muitas vezes, tínhamos que olhar em outras escolas se havia livros sobrando para nos emprestar.”
Uma das escolas que tenta contornar a falta do material é a Maria Elba Braga, localizada no Cerâmica, na Zona Norte. Segundo um professor da unidade, que preferiu ter o nome preservado, a escassez de livros tem prejudicado o ensino e aprendizado dos estudantes. “Em sala de aula, nós estamos colocando os alunos para sentar juntos. Mas tem dificultado a realização de lições e estudos em casa. A gente sabe que o livro didático não pode ser a única ferramenta de ensino, mas ele é a base da educação.” Ainda conforme o professor, anualmente é realizado o censo escolar, mas, mesmo assim, a escola não recebe a quantidade de livros que deveria. Além disso, o site pelo qual é solicitado o material está frequentemente fora de operação.
As duas turmas do primeiro ano do ensino médio da Escola Estadual Antônio Carlos, do Bairro Mariano Procópio, na Região Nordeste, estão tendo as aulas de matemática sem o suporte do livro didático. Conforme a supervisora da instituição, Andrea Ottoni, a quantidade de livros da disciplina que chegou a unidade não era suficiente para abastecer as duas turmas. “Para não prejudicar uma das turmas, a gente optou por não distribuir os livros. Reproduzimos as atividades que estão sendo desenvolvidas em sala de aula.” Mesmo tendo entrando em contato com a Superintendência Regional de Ensino (SRE) e com a Secretaria de Estado de Educação (SEE) logo no início do ano letivo, o material que está em carência ainda não foi reposto. No entanto, a supervisora deixa claro que, “apesar do livro enriquecer a disciplina, o conteúdo não deixou de ser dado. O professor utilizou outros recursos”. Conforme Victória Mello, o Instituto Estadual de Educação, conhecido como Escola Normal, também está lidando com a falta de material didático.
A SEE informou, por meio de nota, que a distribuição dos livros é feita a partir dos dados do censo escolar e, quando ocorre falta de material, a direção da unidade deve solicitar novos livros no Sistema de Controle de Remanejamento e Reserva Técnica (Siscort), que é gerido pelo Ministério da Educação. Além disso, a secretaria acrescentou que, quando ocorre carência de material didático, “a SRE trabalha no remanejamento entre as escolas – uma escola que tem livros sobrando, por exemplo, pode repassá-los às escolas que possam não ter recebido”.
Sobre a escassez dos livros na escola Antônio Carlos, a SEE esclareceu que foi autorizada abertura de uma nova turma em 2015, por isso, a unidade tem mais alunos que em 2013, quando o MEC enviou o material. A mesma situação ocorre na escola Maria Elba Braga. Já no Instituto Estadual de Educação, a SEE afirmou que “não há caso de falta de livros didáticos, exceto em casos pontuais de alunos que perdem algum livro e pedem reposição, o que nem sempre pode ser feito imediatamente”.









