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Centro e São Mateus têm mais idosos


Por BÁRBARA RIOLINO

26/08/2015 às 07h00- Atualizada 26/08/2015 às 09h51

Dona Lina, 87 anos, e Seu Laércio, 89, moram no Manoel Honório, onde têm facilidade para encontrar serviços que os atendam (Marcelo Ribeiro/24-07-15)

Dona Nina, 87 anos, e Seu Laércio, 89, moram no Manoel Honório, onde têm facilidade para encontrar serviços que os atendam (Marcelo Ribeiro/24-07-15)

Nelly Guedes Mattos, 82, diz que não tem do que reclamar do Bom Pastor e que gosta de fazer suas atividades a pé (Fernando Priamo/05-08-15)

Nelly Guedes Mattos, 82, diz que não tem do que reclamar do Bom Pastor e que gosta de fazer suas atividades a pé (Fernando Priamo/05-08-15)

Sérgio Correia Figueira, 65, veio do Rio para Juiz de Fora em busca de tranquilidade (Bárbara Riolino)

Sérgio Correia Figueira, 65, veio do Rio para Juiz de Fora em busca de tranquilidade (Bárbara Riolino)

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Vinte e dois por cento da população idosa de Juiz de Fora estão em bairros que compõem a região central da cidade. Segundo o ranking disponibilizado à Tribuna pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no Censo 2010, oito bairros apresentam concentração superior a 20%. Como em outras cidades, o Centro detém a maior população – 5.392 pessoas – que equivale a 26%. Em dados quantitativos, o São Mateus vem logo em seguida, com 3.938 idosos, entretanto, em porcentagem, o montante do bairro corresponde a 20,1%. Outros bairros com maiores índices de moradores idosos são o Santa Helena (23,1%), o Alto dos Passos (21,9%), o Manoel Honório ( 21%) e o Bom Pastor (20,4%) (ver quadro). A concentração de pessoas com mais de 60 anos de idade nestes locais é o dobro da média nacional, que é de 10,8% da população. A Tribuna esteve nesta região e conversou com moradores idosos a respeito das peculiaridades e características que mais os motivaram a escolher estas localidades para envelhecer.

“Hoje só vou ao Centro para ir ao médico, pois no bairro ainda não temos um posto de saúde. Aqui no Manoel Honório tem tudo o que eu preciso: feira, mercadinho, farmácia, padaria e comércio, além de me sentir mais segura. Tanto eu como meu esposo nos sentimos muito mais ativos”, destaca a aposentada Maria Aparecida Carnout Rocha, 87 anos, a dona Nina, que reside no bairro há 12 anos. A escolha do Manoel Honório foi motivada pela proximidade com os familiares. “Antes nós morávamos no Milho Branco e tínhamos que nos deslocar sempre para o Centro para resolver as coisas, tudo era longe. Hoje fazemos tudo sozinhos, sem a ajuda de ninguém”, revela.

Nascido e criado no Rio de Janeiro, em 2002, o engenheiro eletricista Sérgio Correia Figueira, 65, veio para Minas Gerais em busca de uma vida mais tranquila. Em função de negócios na região, instalou-se inicialmente no Granbery, mas por conta do sogro, já falecido, e da neta especial, hoje com 15 anos, precisou mudar-se para um bairro mais plano e que oferecesse mais recursos. Por estes motivos, a escolha foi pelo São Mateus, onde reside há quatro anos. “É um bairro fantástico e oferece muita comodidade, como farmácias, que na nossa idade são muito importantes, mercados, padarias, agências bancárias e demais facilidades. Estes fatores foram primordiais para a nossa escolha.”

Embora tenha vivido por quase 30 anos no Santa Helena – outro preferido pelas pessoas da terceira idade -, a também aposentada Linea Oliveira Ajub, 80, mudou-se há três para o Alto dos Passos. Para ela, o novo bairro trouxe mais segurança, contribuindo ainda mais para uma vida ativa e independente. “Lá estava se tornando um lugar barulhento e perigoso. Nunca fui assaltada, mas ouvi muitas histórias. Morando no Altos dos Passos, fico perto de tudo: comércio, mercado e farmácia. Faço minhas compras sozinhas e, sempre que vou ao Centro, ando a pé”, conta Linea, acrescentando que faz caminhadas na Praça do Bom Pastor regularmente.

Também residindo no Bom Pastor, a professora Nelly Guedes Mattos, 82, conta que tem uma relação mais do que afetiva com o bairro. Natural de São João del-Rei (MG), aos 18 anos mudou-se para o Bom Pastor com a família. Segundo ela, eles foram um dos primeiros moradores da localidade. “Depois que me casei, morei em outros lugares, como no São Mateus, no Centro e no Altos dos Passos, mas sempre quis voltar para o Bom Pastor. Antes do meu esposo falecer, viemos morar aqui. Estou aqui há 20 anos. Não tenho do que reclamar, pois é perto de tudo e posso fazer tudo a pé”, ressalta.

‘Pontos que dão referência e segurança’

O fato de a região central ser a mais populosa segue a mesma tendência das demais cidades brasileiras. Segundo pesquisadores, a ocupação desta área em Juiz de Fora começou com a passagem da Estrada Real, que ligava as minas de ouro aos portos do Rio de Janeiro e, posteriormente, a partir do desenvolvimento industrial trazido pelos colonos alemães, com a abertura da Estrada do Paraibuna, onde hoje é a Avenida Rio Branco. “A disposição urbana da cidade apresenta uma característica particular, no que tange ao fato de a espacialização da área central estar situada na região mais planificada da cidade”, pontua o especialista em sociologia urbana, o arquiteto e urbanista Mário Queiroz.

Para ele, esta característica estaria intimamente ligada ao conceito de satisfação para a população idosa. “É o que chamamos de “modus vivendi”, notado por questões contemporâneas relevantes, como acessibilidade e mobilidade. Com isso, os idosos teriam facilidade no atendimento de suas necessidades diárias prementes, com utilização das funções e dos serviços urbanos ofertados”, destaca.

A coordenadora do Polo de Enriquecimento Cultural para a Terceira Idade da Faculdade de Serviço Social da UFJF, Sandra Hallack Arbex, pontua que a preferência dos idosos por estes bairros pode estar ligada ao fato de eles já residirem nestes locais, onde foram envelhecendo, preferindo ficar pela comodidade e facilidade. “Juiz de Fora tem seu comércio e serviços localizados no Centro. Penso ser esta a razão da escolha e da permanência, pois, para alguns, a tranquilidade de poder sair a pé e fazer uma caminhada tem um grande peso.”

Outro ponto que justifica esta preferência, para Sandra, é o fato de estes bairros abrigarem casas bastantes antigas, com famílias que moram na mesma residência desde o casamento dos pais, onde construíram sua vida e criaram seus filhos “Os idosos são muito apegados aos lugares onde passaram toda a vida, ou, a maior parte dela. Neste locais estão seus conhecidos, amigos e vizinhos que dão apoio. Além disso, são pontos que dão referência e segurança.”