Sem leito hospitalar, paciente fica na UPA
A falta de leitos hospitalares em Juiz de Fora, especialmente de UTI, tem causado indignação em familiares de pacientes que aguardam nas UPAs a transferência, muitas vezes urgentes, para hospitais. A situação veio à tona ontem na UPA Norte, quando uma mulher de 27 anos em estado de coma e com suspeita de meningite aguardava, há cinco dias, por uma vaga em UTI. Mesmo com mandado judicial para transferência imediata, a paciente continuou na unidade. Já na UPA Santa Luzia, foi relatada a espera pela transferência em locais improvisados e sem assistência adequada.
Com crises convulsivas e dores na cabeça, a paciente de 27 anos chegou à UPA Norte por volta de 11h da última quinta-feira, segundo o irmão dela Washington Louro Fonseca. "Após as sucessivas convulsões, ela entrou em estado de coma. Na sexta à noite, conseguimos o mandado, que passou a ter validade no sábado de manhã, mas a transferência só aconteceu na manhã de hoje (ontem)." Washington acredita que a demora piorou o caso de sua irmã, que encontra-se na Santa Casa de Misericórdia, segundo ele, em estado gravíssimo. Por meio de nota, a Secretaria de Saúde informou que a paciente esteve em leito isolado por conta da suspeita de meningite – doença que pode ser contagiosa, dependendo do tipo – enquanto aguardava transferência para hospital referenciado.
Na semana passada, a Tribuna recebeu a denúncia de que pacientes encontravam-se "internados" na UPA Santa Luzia, recebendo tratamentos paliativos enquanto não eram transferidos para hospitais. Um homem, que optou por não ser identificado, relatou que sua esposa aguardou por dois dias tomando soro em uma cadeira. "A UPA está sendo usada como hospital, o pior é que nem macas tem. Minha esposa ficou sentada na sala de medicação, tomando soro."
Conforme o secretário de Saúde, José Laerte, a falta de leitos em Juiz de Fora é uma realidade. "A UPA serve como local de estabilização dos pacientes, não de internação. No entanto, a falta de vagas nos hospitais compromete o tempo da transferência. O estrangulamento do número de vagas tanto no setor público quanto no privado, que não conseguem atender a demanda da cidade e da região, ocasiona a demora." Nos próximos meses, ainda segundo o secretário, cerca de 40 leitos serão inaugurados nos hospitais Maternidade Therezinha de Jesus e no João Felício e, em 2015, o sistema deverá ser desafogado com as novas vagas dos hospitais de urgência e emergência e universitário.









