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UFJF será referência em terapia celular


Por Kelly Diniz

26/08/2013 às 20h52

UFJF será uma das primeiras instituições de ensino superior a ter laboratório de criopreservação

UFJF será uma das primeiras instituições de ensino superior a ter laboratório de criopreservação

A UFJF inaugura nesta terça-feira (27) laboratório especializado em terapia celular e se torna uma das primeiras instituições de ensino superior do Brasil a ter um laboratório de criopreservação. A unidade de dois andares foi construída no complexo do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) no campus, onde serão desenvolvidos projetos de pesquisas, medicina regenerativa e armazenadas células-tronco para a terapia celular e para os transplantes de medula óssea. Os procedimentos serão realizados no novo Hospital Universitário (HU), a partir da construção da Unidade de Transplante de Medula Óssea. Com esta estrutura, será possível dobrar o número de transplantes oferecidos pelo SUS no HU, que contará com 12 leitos e, assim, se tornará a segunda instituição hospitalar do Brasil em quantidade destes procedimentos, ficando atrás somente da unidade da Universidade de São Paulo (USP). Até o momento, o HU conta com cinco leitos e realizou, em uma década, 214 transplantes, com elevada taxa de sucesso. O novo prédio, no Bairro Dom Orione, deverá ser entregue no final de 2014.

Foram investidos cerca de R$ 2 milhões no laboratório, que recebe o nome de Centro de Pesquisa Celular e Imunologia Aplicada (Imunocet). Do total de recursos, R$1,5 milhão são de equipamentos. O Imunocet terá capacidade de congelamento de óvulos e espermatozoides para preservar fertilidade de pacientes que serão submetidos a quimioterapia. Estão previstos programas que irão beneficiar portadores de doenças crônicas, como isquemia crítica e gangrena diabética, osteonecrose de fêmur e úmero, esclerose múltipla, além de outras doenças autoimunes e morbidades.

Segundo o professor da Universidade de Chicago Richard K. Burt, um dos imunologistas mais conceituados do mundo, a terapia celular transforma vidas e reduz os gastos do Governo. Por exemplo, uma pessoa com esclerose múltipla terá que consumir remédios caros pelo resto da vida, e esses remédios diminuem o ritmo, mas não impedem que a doença progrida. Já a terapia celular dura dois anos e melhora o quadro neurológico e a qualidade de vida do paciente.

Quanto ao início das atividades do Imunocet, o coordenador do centro e professor Ângelo Attala explica que serão comprados os kits de coletas e enviadas as primeiras amostras para que o Conselho Nacional de Ética e Pesquisa (Conep) aprove o início dos trabalhos. "Acredito que, em três meses, estaremos recrutando os pacientes", diz o coordenador.

Protocolo de colaboração

Junto com a inauguração do Imunocet, nesta terça, serão realizadas algumas parcerias. Uma delas culminará na assinatura do Protocolo de Colaboração entre a UFJF e a Universidade de Chicago. O objetivo é realizar treinamentos, estágios, parcerias e intercooperação institucional. O professor Richard K. Burt será um dos consultores dessa parceria.

De acordo com Burt, o Centro de Tecnologia Celular da Universidade de Chicago atende pessoas do mundo inteiro. Como o custo de todo o processo é muito caro, o Governo americano dá assistência financeira para os norte-americanos, mas não para os estrangeiros. Mesmo sem os recursos financeiros, o centro atende essas pessoas com recursos próprios. "Minha maior gratificação é ver que consigo transformar a vida de pessoas de todo o mundo", afirma o professor. Para se ter uma ideia dos valores nos Estados Unidos, o custo da terapia celular varia de U$ 80 mil a US$ 150 mil, dependendo do tipo de doador.

Outra parceria é com o professor Milton Artur Ruiz, da USP de São José de Rio Preto, um dos pioneiros no Brasil em terapia celular. Ele vai atuar nos projetos de pesquisa do Imunocet, no treinamento de pessoal e como professor convidado da pós-graduação.