Usuários reclamam de atendimentos nas Uaps
Prevista para terminar em julho de 2014, as obras da Unidade de Atenção Primária à Saúde (Uaps) do Bairro Parque Guarani, na região Nordeste, ainda estão em andamento. O local está funcionando de modo provisório há dois anos, e os usuários reclamam de precariedade do atendimento. “O prédio do posto tem dois andares. Para não parar os atendimentos, a parte de cima foi fechada para a realização das obras e todos os atendimentos passaram para baixo, mas não tem espaço. O atendimento do dentista teve que ser transferido para o PAM-Marechal, mas nem todo mundo tem dinheiro para ir ao Centro realizar os atendimentos”, explica a conselheira de saúde do bairro, Marileia Rodrigues. A unidade atende os moradores do Parque Guarani e do Vivendas da Serra. Nos atendimentos odontológicos, Marileia reclama que há dificuldade em conseguir vagas. “No posto de saúde do Granjas Bethânia, tem consultório montado, mas falta dentista. Então, os moradores de lá são atendidos pelo dentista do Parque Guarani, ocupando as nossas vagas.”
Conforme o subsecretário de Atenção Primária à Saúde, Thiago Horta, o atraso nas obras se deu devido à demora no repasse dos recursos pelo Ministério da Saúde, que somente foi enviado no segundo semestre de 2015, e problemas na capacidade instalada da empresa que executa a obra, que é de pequeno porte. A previsão é que a obra seja concluída até 30 de junho. Sobre a situação da falta de dentista no Granjas Bethânia, o subsecretário disse que irá verificar o problema.
Grama
Os moradores do Grama, ainda na Zona Nordeste, também afirmam obter dificuldades para atendimento médico. Segunda a presidente da Associação de Moradores do bairro, Fabiana Alvim, os problemas são diversos. “Ontem (terça-feira, dia 17) mesmo tinha cerca de 200 pessoas na fila da farmácia, que não tem prioridade. Os atendimentos estão sendo feitos apenas das 7h às 10h30. Para conseguir consulta com especialista, tem que chegar de madrugada. Tem gente indo meia-noite para a Uaps, levando cobertor e dormindo por lá. Às 7h, eles começam a distribuir senha. Às 9h, abre o portão, e atendem o pessoal até às 10h. Quando dá 10h, eles pegam cinco pessoas da fila, colocam para dentro e trancam o portão. Quem está na fila não consegue mais atendimento.”
A presidente conta que são disponibilizadas apenas 20 consultas para atender os pacientes de oito bairros. “Na Uaps não tem Programa de Saúde da Família. E só temos o posto para nos socorrer já que o Hospital João Penido não está realizando atendimento de porta. É um absurdo. Às vezes, eu tenho que sair do Grama e ir para alguma UPA (unidade de pronto socorro) para conseguir atendimento, e todas são muito longe. É humilhante, um descaso total com a população. Estamos mendigando serviço.”
O subsecretário afirma que a ocorrência de gripe tem intensificado a procura pela Uaps, que já é localizada em uma região de grande volume de usuários. “Temos que implementar uma agenda eletiva para desafogar a porta. Casos que não estão agudos podem ser agendados. Estamos no processo de implementação, mas é um processo de maturação, que é um desafio para o sistema de saúde.” Thiago explica que, na Uaps, há duas filas: uma para marcação de consulta médica e outra para marcação de especialista. No novo fluxo, iniciado no último dia 18, a fila para especialista foi eliminada. “O usuário está saindo do consultório médico já com o protocolo para o especialista, sem precisar enfrentar outra fila.”









