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JF tem a primeira morte por gripe H1N1


Por KELLY DINIZ

26/04/2016 às 07h00- Atualizada 26/04/2016 às 09h28

No posto do INSS, as pessoas esperaram cerca de 40 minutos na fila para se vacinar (FERNANDO PRIAMO/25-04-16)

No posto do INSS, as pessoas esperaram cerca de 40 minutos na fila para se vacinar (FERNANDO PRIAMO/25-04-16)

Juiz de Fora registrou o primeiro óbito por H1N1 (Influenza A) ontem, após três anos sem ocorrência de mortes pelo vírus na cidade. A vítima foi uma idosa de 77 anos, moradora do Bairro Eldorado, que estava internada na Unidade Regional Leste e faleceu no dia 2 de abril. O caso foi confirmado apenas ontem pela Secretaria de Estado de Saúde (SES). As ocorrências da doença na região e o número de mortes no país – até agora são 230 óbitos – levaram a população a lotar os postos de vacinação contra a gripe logo no primeiro dia da campanha, que foi antecipada para ontem no município. As filas nos postos ficaram longas durante todo o dia.

A chefe do Departamento de Vigilância Epidemiológica, Michele Freitas, explica que, quando o óbito é notificado, o município colhe a amostra e encaminha para o Estado. “A partir do resultado do Estado, fazemos a investigação epidemiológica que é verificar de onde o vírus veio, se a pessoa fez alguma viagem ou se o vírus está circulando no município. No caso da idosa, o vírus está circulando no município mesmo.” Questionada se há outros casos de H1N1 na cidade, Michele explicou que é notificada a Síndrome Respiratória Aguda Grave, e é o Estado que identifica qual o vírus causador daquela síndrome. Não há números de casos notificados de gripe.

Em Minas Gerais, 75 pessoas morreram por Síndrome Respiratória Aguda Grave por Influenza, sendo quatro decorrentes de H1N1 (ver quadro). No estado houve ainda dois óbitos por Influenza B – um em Astolfo Dutra e um oriundo de outro estado, cujo paciente faleceu em Frutal – e quatro por Influenza A não subtipado, sendo dois em Guaxupé, um em Ribeirão das Neves e um em Santa Luzia. No ano passado, Minas havia contabilizado duas mortes por H1N1. Já durante todo o ano de 2014 foram 17 óbitos pelo vírus. Em Juiz de Fora, os últimos registros do vírus ocorreram em 2013, quando três pessoas faleceram por complicações da gripe.

Conforme o infectologista Rodrigo Daniel de Souza, todos os tipos de Influenza são vírus da gripe. “O principal causador da doença grave não necessariamente é o H1N1. Coincidentemente, esse ano repetiu o H1N1, não só porque ele é mais agressivo, mas também porque é mais frequente.” Ele conta que, em seus atendimentos, presenciou três casos suspeitos do vírus na cidade. “Mas o pico deve acontecer no inverno, com aumento do número de casos.”

Campanha

h1n1 minasA meta do Ministério da Saúde é imunizar 80% do público-alvo, que compreende 138.544 pessoas em Juiz de Fora, entre crianças de 6 meses a menores de 5 anos, gestantes, puérperas (mães com bebês de até 45 dias), trabalhadores da saúde, idosos e doentes crônicos. Diferentemente do ano passado, quando a campanha precisou ser prorrogada três vezes para atingir a meta, a população tem buscado de forma mais intensa a imunização. “Vim hoje porque fiquei com receio de faltar doses, já que tem ocorrido isso em outros estados. Além disso, estou preocupada com a ocorrência de casos da doença na região. Eu também tenho que ir a São Paulo, e lá está com muito caso”, conta a aposentada Lacy Oliveira, 81 anos, que estava na fila do posto de vacinação montado no prédio do INSS, em frente ao Parque Halfeld.

Quem foi ao local teve que esperar cerca de 40 minutos para conseguir a dose. Na fila, Maria das Virgens Silva, 72, disse que todo ano se vacina, mas que neste ano a preocupação está maior. “Eu sou diabética, cardíaca e já tive dois infartos. Eu me vacino todo ano, mas este ano, quando começaram a falar da gripe perigosa que está vindo, eu fiquei ainda mais preocupada.”

O infectologista explica que, além de ajudar a reduzir o número de internações e mortes por gripe, a imunização reduz também o número de casos de infarto e derrame. “A gripe necessita de uma circulação de sangue maior, porque precisa-se de mais oxigênio que o normal. Se a pessoa já tem algum problema cardíaco, facilita a ocorrência do infarto, por exemplo, já que o coração acelera.” Rodrigo Daniel afirma que o efeito do imunizante dura entre oito meses a três anos, variando de pessoa para pessoa. “Mas é preciso vacinar todo ano porque os vírus na vacina mudam. Todo ano é reavaliado qual o vírus que se espera que vá circular. Esse ano, manteve-se apenas a imunização para H1N1 e incorporou-se a imunização para H3N2 e Influenza B.”

Igreja suspende ritos para evitar a transmissão

Para ajudar na prevenção contra a gripe, a Arquidiocese de Juiz de Fora emitiu uma carta, no último dia 8, orientando padres de 37 cidades a adotarem medidas para evitar a transmissão do vírus. “Essas medidas são omitir o abraço da paz, não cumprimentar as pessoas dando aperto de mão ou abraços, como é costume fazer. Algumas pessoas gostam de receber a comunhão na boca. Enquanto há o risco, ninguém receberá a hóstia na língua”, explica o arcebispo de Juiz de Fora, dom Gil Antônio Moreira. Outras medidas solicitadas pelo arcebispo são para que os fiéis não deem às mãos durante a oração do Pai Nosso e que as igrejas não deixem água benta exposta para uso dos católicos. “É uma forma de a Igreja colaborar com a campanha e evitar a transmissão dessa gripe letal”, completa dom Gil.

O infectologista Rodrigo Daniel de Souza reforça as orientações do arcebispo nesse período. “É preciso evitar o cumprimento com beijos e o aperto de mão, principalmente porque as pessoas têm o hábito de proteger tosse e espirro com as mãos. O ideal seria proteger com a dobra do cotovelo. Quando se usa as mãos, elas são contaminadas e irão contaminar a outra pessoa que você tocar ou objeto.”

O médico ainda alerta sobre a importância de a população aprender a diferenciar gripe de resfriado. Ele explica que na gripe há febre de início súbito, associada a dor de garganta ou tosse e dor de cabeça, nos músculos ou nas juntas. Já no resfriado, a febre é baixa, o nariz escorre e não há muita dor no corpo. Os sintomas acontecem aos poucos.