Trote além do solidário
"Somos uma ONG, não temos condição de pagar por consultorias e ao mesmo tempo precisamos nos organizar para atender melhor à comunidade. Toda colaboração nesse sentido é bem-vinda e se vem no momento em que precisamos tanto, como no final do ano, melhor." É o que diz, com brilho nos olhos, Sheyla Gonçalves, assistente social da Seguidores do Bem (Sebe), uma das cinco instituições selecionadas por um grupo de alunos do curso de engenharia de produção da UFJF para integrar um projeto de trote solidário. E com o atraso no calendário das faculdades, por causa da última greve, a ação veio junto com as comemorações de Natal e Ano Novo. "Se todos fizessem isso, seria muito bom, é uma atitude que realmente contribui", completa a assistente social.
Apesar do trote solidário ter se consolidado como uma ação de boas-vindas aos calouros, os alunos que integram a Sociedade Estudantil de Engenharia de Produção (Seepro) decidiram aprimorar a fórmula. "Apenas fazer doações e recolher alimentos não estava nos satisfazendo. Decidimos criar uma ação que pudesse promover melhorias efetivas e permanentes na vida de quem precisa, além disso é uma oportunidade de no começo do curso já começarmos a ver na prática o que se faz na engenharia de produção." explica Eduardo de Paula, veterano e gerente de marketing da Seepro.
A iniciativa foi integrada a uma disciplina, o que tornou o envolvimento dos calouros obrigatório. No começo do semestre, os alunos são divididos em cinco grupos e cada equipe fica responsável por uma instituição. Neste período as entidades selecionadas para serem atendidas foram os Seguidores do Bem (Sebe), a Casa Viva, o Abrigo Santa Helena, a Aban, e a Associação São Vicente de Paulo. "Queremos ajudar o maior número de entidades possível, por isso temos o cuidado de a cada nova turma selecionar novos nomes." O trabalho é realizado em quatro etapas que englobam visitas e conhecimento das instituições, diagnóstico dos problemas, soluções e implementação do que foi proposto.
José Carlos Alvarenga é veterano, participou do projeto e continua atuando como orientador das equipes. "É muito gratificante ver ações simples fazendo diferença na vida das pessoas. O projeto nos mostra que o papel da faculdade não é formar apenas engenheiros, mas cidadãos que sabem de sua responsabilidade social. Acredito que seja o despertar da ideia de solidariedade, independente de sermos alunos e da atividade ser obrigatória".
Novo olhar sobre as entidades
As primeiras visitas às instituições começaram neste mês. Paula Peixoto é uma das calouras participantes e fala com ansiedade sobre as suas expectativas. "É o meu primeiro trabalho prático e vou começá-lo podendo ajudar." Os ações das turmas passadas mostram que a estudante pode acreditar nos resultados. O trabalho desenvolvido no último semestre na Casa São Camilo de Lélis recebeu a aprovação dos administradores e dos assistidos. Utilizando metodologias do curso de engenharia, a turma organizou o bazar da instituição, a biblioteca, documentos, criou uma fan page no Facebook e ajudou a informatizar diversos processos. "Alguns assistidos chegaram a dizer que pareciam estar em loja de shoping. O trote traz um olhar novo sobre a nossa instituição", aprova Ivan Silveira, diretor da Casa São Camilo de Lélis.
A Seepro realiza o trote solidário desde 2008, mas inicialmente tinha o formato de gincana. O formato de miniconsultoria passou a ser aplicado no primeiro semestre de 2011 e até hoje atendeu a 13 insituições. Para os integrantes do Seepro iniciativas como essa tornam o trote tradicional menos interessante. Quando Eduardo entrou na faculdade participou das duas modalidades, mas no ano seguinte, interessou-se somente em replicar nos calouros o trote solidário. "Participar como orientador está sendo muito mais gratificante. Queremos levar a iniciativa para outros cursos".









