Alunos e professores vão às ruas do Furtado de Menezes

Alunos, professores e funcionários participaram de passeata pelas ruas do Furtado de Menezes
Atualizada às 21h16
Alunos, professores e funcionários da Escola Estadual Maria Ilydia Rezende Andrade, no Bairro Furtado de Menezes, Zona Sudeste, foram às ruas nesta sexta-feira (25) levando faixas, apitos e entoando frases como: "Somos do morro, mas somos competentes". O objetivo da caminhada é alertar para a necessidade de transformação da realidade violenta e estigmatizada da instituição. Com o tema "Ajude um professor a ajudar você", o ato contou com a participação de cerca de 300 pessoas e encerrou as diversas atividades realizadas durante a semana com o intuito de resgatar as boas relações sociais e mobilizar a comunidade.
Na opinião da diretora da escola, Marinez Miranda Esteves, a música feita pelos alunos reflete o pedido urgente de uma mudança de olhar tanto de quem é de fora, quanto dos próprios estudantes sobre eles mesmos. "Precisamos retirar essa marca que ficou estigmatizada pelas ações de violência, podemos transformar nossa realidade por meio do diálogo e com a ajuda de todos." Para a assistente social Lidiane Charbel, parte dessa caracterização acontece porque atualmente as ações existentes no bairro têm muito mais um caráter punitivo do que de incentivo à luta pelos próprios direitos. "Assim ficamos conhecidos com muitos defeitos e não pelas nossas qualidades, que são muitas", analisa.
Atividades
Durante toda a semana, foram desenvolvidos trabalhos que envolveram dinâmicas de grupos, debates e palestras pautados em três temas principais: respeito, violência e cidadania. O colégio também recebeu visitas de estagiários de cursos superiores de instituições da cidade, profissionais da saúde e do Movimento Gay de Minas (MGM). Eles levaram para os alunos informações sobre prevenção e combate às drogas. "As boas ações precisam ser dignas de notas, todos temos que recuperar a nossa autoestima. Queremos, a partir dessa iniciativa, estabelecer um grande contrato social, no qual seja possível perceber os direitos e deveres. Se a educação perder seu caráter transformador, ela perde o sentido", ressalta um dos incentivadores da ação, o professor de história Adalberto Alves Mattos.
A crença de Adalberto já começa a ecoar como transformação na vida de alguns alunos. "Esta semana percebi que meus colegas estão se respeitando mais", contou a aluna Jéssica Mariana Vieira, 14 anos . "Tenho certeza que essa iniciativa vai nos ajudar a abrir portas", continua o estudante Gustavo Diniz, 15. A informação é respaldada pela docente de ensino religioso Kelly Gonçalves: "Apesar dos problemas graves de indisciplina que temos, nenhum aluno descumpriu as normas durante a semana." A tentativa de promover uma mudança de ideias, conceitos e comportamento não ficou somente entre os alunos. "Precisamos que as pessoas percebam que nossos estudantes possuem inúmeras qualidades e que, nós, professores, não vamos para as ruas apenas reivindicar salários, mas também para exigir uma sala de aula digna", reforça a educadora de história Vanessa Lobo.








