JF terá Programa de Nutrição Enteral

O excesso de mandados judiciais para acesso a dietas orais e enterais, suplementos alimentares e insumos e o elevado gasto decorrente dessas demandas levaram a Secretaria de Saúde de Juiz de Fora a criar o Programa de Nutrição Enteral e Oral. O subsecretário de Gestão, Mariano Miranda, conta que, dos R$ 11 milhões gastos com mandados judiciais no ano passado, cerca de 35% foram para dietas. Além disso, segundo ele, as dietas fornecidas por meio de mandados judiciais acabam não dando resultados efetivos, já que os usuários não recebem orientação de como administrar e das quantidades certas desses produtos. “Tem-se um custo alto e pouca efetividade. Como há grande procura, o melhor é criar um protocolo de acesso, definir os perfis terapêuticos e fornecer acompanhamento adequado. Assim, reduzimos custos e levamos aos usuários um tratamento mais humanizado.” O programa começa a funcionar hoje, com a abertura para o cadastramento dos usuários.
Para ter acesso a esses produtos, os responsáveis pelo paciente deverão se dirigir à Secretaria de Saúde (Rua Halfeld 1.400, Paineiras), onde irão realizar o cadastro. O paciente irá passar por uma nutricionista do Programa do SUS que avaliará seu perfil terapêutico. Uma assistente social irá analisar o perfil socioeconômico daquela família. Para atender ao protocolo, os responsáveis legais pelo paciente devem ter um rendimento de até três salários mínimos. Situações fora desse perfil serão avaliadas caso a caso. Se aprovado, o usuário começará a receber a nutrição em 30 dias.
Acompanhamento
A nutricionista da Secretaria de Saúde e responsável pela elaboração do protocolo, Sara Ferreira, conta que um projeto semelhante foi implantado no Departamento de Internação Domiciliar (DID) e obteve resultados positivos. “Nesse programa, vamos realizar visitas aos pacientes para fazer o acompanhamento individualizado de nutrição. Hoje temos nos mandados judiciais pessoas acamadas há anos utilizando farinha láctea. É um produto calórico, que não vai dar a nutrição especializada que o paciente precisa, e irá causar sobrepeso. Com a judicialização, também não sabemos se o paciente está recebendo a dieta com higiene, de forma adequada.”
Para dar início ao programa, a Secretaria licitou 31 itens, entre insumos e dietas (ver quadro). Para essa compra inicial, foram usados como base os mandados e a cesta nutricional. “Fizemos um pacote geral das dietas que mais usamos, que são as hipercalóricas com fibra ou sem fibra e a dieta normocalórica, com fibra e sem fibra. Elas atendem em torno de 70% dos pacientes. Nos 30% restantes entram os diabéticos e alguns pacientes com feridas que precisam de dietas específicas”, conta Sara.
Entre os produtos escolhidos estão as dietas semi-artesanais. “As pessoas acham que existem apenas as dietas industrializadas, mas temos também as semi-artesanais. Você consegue ter redução de custo de mais de 50% e tendo isso de forma mais prática. O excesso de alimentação industrializada causa algumas patologias no paciente. Por exemplo, as dietas são todas com baixo teor de sódio. A família não sabe disso, porque não recebe essa instrução no pós-hospitalar. Assim, depois de um ano, o paciente é internado com crise hipossódico”, explica a nutricionista.









