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Homem de JF aplica golpe de ‘nudes’


Por Tribuna

25/05/2016 às 07h00- Atualizada 25/05/2016 às 08h13

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Imagine abrir seu Facebook e receber, sem qualquer tipo de consentimento, a foto de um de seus contatos, completamente nu, justificando, segundos depois do envio da imagem: “Desculpe, era para enviar para uma amiga minha, a janela de seu chat abriu sem querer”. Foi esta a situação, no mínimo constrangedora, a que a secretária e consultora de vendas Sammy Itaborahy, de 21 anos, e diversas outras mulheres que vivem ou viveram em Juiz de Fora foram sujeitas, pelo mesmo homem, de idade não identificada, e conhecido de todas ao menos virtualmente. “Quando aconteceu, acreditei mesmo se tratar de um erro e relevei”, conta Sammy. “Quando uma colega de trabalho o viu nos amigos em comum do Facebook e me perguntou de onde eu o conhecia, questionei por quê. E ela me contou das fotos dele nu, dizendo a mesma coisa: que era um engano. Aí comecei a achar muito, muito estranho”, diz a jovem.

A partir da descoberta da segunda vítima, Sammy fez um post em seu perfil pessoal, dizendo que “nudes não deveriam ser enviados se não fossem consensuais”. A esta publicação, uma nova vítima relatou ter passado pela situação, com o mesmo homem. Entre postagens e compartilhamentos, pelo menos mais sete mulheres foram identificadas até o momento como vítimas do mesmo golpe, sempre pelo chat do Facebook, dizendo se tratar de um erro. A Tribuna entrou em contato com outras supostas vítimas, mas não obteve respostas. Nas imagens, você pode ver a reprodução do diálogo do suspeito com diferentes mulheres. Quando mais mulheres relataram ter sofrido o mesmo assédio, Sammy fez uma publicação identificando o homem, que imediatamente deletou seu perfil no Facebook.

Ele foi identificado pelas vítimas (que o conheciam) e tem 24 anos. Segundo Sammy, depois de deletar seu perfil, ele ainda entrou em contato com ela duas vezes. “Uma delas foi utilizando o perfil da namorada, como se fosse ela, e pedindo que eu não o identificasse, porque ele tinha ‘problemas com a Justiça’ e ‘estava em liberdade provisória’. A pessoa (ela ou ele, não sei) dizia que ele sabia que estava errado e que procuraria tratamento, e isso não aconteceria mais, e me pedia para não ir à polícia.” Ainda segundo Sammy, uma mulher que se identificou como advogada do homem também entrou em contato com ela, propondo uma “retirada amigável” do conteúdo em que ele era exposto e um acordo, porque ele “já estava pagando pelo que fez, tendo sido sem querer ou não”.

Denunciar é preciso

Segundo Sammy Itaborahy, ela e algumas das outras vítimas levarão o caso à Delegacia de Mulheres. “Quando vi a gravidade da situação, constatei que ele tem que ser investigado sim. Imagina quantas meninas que ainda não receberam estas fotos ainda estão por aí, e pior, quantas delas são adolescentes e crianças”, pondera ela. De acordo com a delegada de mulheres Ione Barbosa, deve sim haver preocupação com possíveis casos de pedofilia em situações como esta. “Normalmente os criminosos abordam crianças e adolescentes e mandam imagens como as que estas vítimas relataram receber”, destaca a especialista, acrescentando que não há casos parecidos como este “golpe do nude” registrados em Juiz de Fora.

Ainda conforme a delegada, não é possível estabelecer como o ato do homem seria tipificado, mas é imprescindível que quem sofra este tipo de assédio denuncie. “O mais prudente é salvar as telas destas conversas para ter prova e registrar um boletim de ocorrência, para que a polícia possa apurar o caso. Em situações como as relatadas, o homem seria intimado a depor e se explicar, estas mulheres seriam ouvidas e as denúncias seriam investigadas a fundo”, orienta a profissional. A delegada ressaltou também que o fato de o suspeito ter deletado seu perfil pessoal e feito contato com algumas das vítimas pode ser um agravante, pois as ações apontam para má-fé por parte dele.”