Universidade pesquisa droga contra câncer

Estudo do Departamento de Química foi contemplado com financiamento da Fapemig
O câncer está entre as principais causas de morte no Brasil. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), em 2010, 178.990 pessoas morreram em decorrência da doença em todo país. Em Juiz de Fora, o Núcleo de Investigação em Complexos de Platina (Nicop), do Departamento de Química da UFJF, desenvolve estudos sobre medicamentos à base de compostos metálicos no tratamento da moléstia. No mês passado, a pesquisa voltada para a atuação de derivados da cisplatina foi contemplada com novo financiamento da Rede Mineira de Química da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).
"Conseguir o apoio financeiro da Fapemig é muito importante para conduzirmos nossos estudos, além de termos reconhecimento por parte da instituição", ressalta a professora e pesquisadora do Nicop, Heveline Silva. Além de professores colaboradores da UFJF e de outras universidades, o núcleo fundado pela professora e doutora em química pela UFMG, Ana Paula Soares Fontes, conta com a participação de dez alunos de graduação, mestrado e doutorado.
A criação do Nicop, conforme explica Heveline, teve início com a descoberta da função da cisplatina na terapia do câncer, ainda na década de 1970. "Desde então, vários pesquisadores têm se dedicado a fórmulas mais potentes e com menos efeitos colaterais. No Nicop, desenvolvemos novas moléculas, aquelas que não existem na natureza, que tenham atividade antitumoral, em especial, que possuem um átomo metálico de platina, paládio ou ouro. A principal etapa a ser executada pelo grupo é conseguir sintetizar estas moléculas de forma eficiente e segura. A partir destes novos compostos, queremos chegar a uma possível molécula que atue como medicamento."
Testes
De acordo com pesquisadora, entre os compostos desenvolvidos pelo Nicop e usados em células tumorais, um passou por testes em animais com câncer induzido. "Outros compostos ainda estão sendo testados em diversas linhagens. Não há um prazo ou previsão para o término dos trabalhos, pois as etapas vêm sendo concluídas periodicamente." No entanto, Heveline adianta que, no segundo semestre, será possível realizar testes em um novo laboratório, no Departamento de Química da UFJF, que irá passar por uma reforma a partir de julho.
"Os equipamentos, já comprados, nos permitirão realizar os testes in vitro em células isoladas do tumor", comenta. "Com o crescimento no banco de moléculas, a possibilidade de obter uma droga promissora aumenta, porém, sabemos que é um caminho longo." A pesquisadora ainda pontua que não há data para o lançamento de novos medicamentos no mercado. "Um novo composto só pode ser liberado para uso comercial após uma série de testes. Se houver falha em qualquer um destes, a droga é descartada."









