Clima tenso em sepultamento um dia após disparo de tiros

Família esperou 9 horas pela abertura do IML
Um dos suspeitos de envolvimento no tiroteiro durante um velório na capela da Matriz São Benedito, na noite de sexta-feira, no Bairro São Benedito, região Leste, foi preso e já está no Ceresp. O homem, de 30 anos, foi detido pela Polícia Militar na Rua Eurico Viana, no Bairro Vila Alpina, conduzindo um Golf, veículo que teria sido usado na ação que resultou na morte do encarregado Welerson de Oliveira Clemente, 41 anos, e deixou três feridos: um pintor, 41, um pedreiro, 27, e uma mulher, 28, atingida apenas de raspão. Outros dois suspeitos de serem os autores dos disparos, que teriam chegado ao local do crime em uma motocicleta, teriam sido identificados, mas não foram localizados. Segundo a PM, o trio teria aberto fogo contra participantes do velório de Cosme Damião Moreira Pereira, 39, assassinado na madrugada de sexta, também no Vila Alpina, criando correria e pânico. Na manhã deste sábado (25), no sepultamento de Cosme, no Cemitério Municipal, o clima era de tensão, mesmo assim não havia policiamento no local. Equipes da imprensa chegaram a ser ameaçadas e precisaram deixar o cemitério.
De acordo com a Polícia Militar, o alvo dos disparos na noite de sexta-feira seria o pedreiro, de 27 anos, que foi atingido no tórax. A suspeita é de que ele tenha participado da morte do homem que estava sendo velado na capela da matriz. Segundo o assessor de comunicação organizacional da PM, major Paulo Alex Moreira, o indicativo é de que o grupo agiu motivado por vingança. "Não podemos afirmar, pois a investigação cabe à Polícia Civil. Mas o que parece é que esses autores agiram em retaliação a outra ação criminosa." O assessor lamentou o episódio que considerou como isolado. "Esse tipo de ação não é comum. Mas acontece que a ligação com o crime, e uma ou outra forma, potencializa a vitimização." Ele garantiu ainda que a PM tem atuado repressivamente no combate ao tráfico de drogas e para a retirada de armas de circulação.
Até a tarde deste sábado, o pedreiro estava internado no Hospital de Pronto Socorro (HPS), mas seu estado era considerado estável. O pintor, de 41 anos, baleado no tórax e no abdômen também permanecia internado na mesma unidade, orientado e lúcido. A mulher atingida de raspão foi medicada e liberada na noite de sexta-feira. Já Welerson de Oliveira Clemente, 41, morreu ainda na noite de sexta, ao chegar no HPS. Os disparos atingiram sua artéria femural, e ele não resistiu.
Na manhã deste sábado, a família de Welerson amargava a espera pela liberação do corpo no Instituto Médico Legal (IML). Foram mais de nove horas no portão do IML, sem ter respostas. "Isso é um absurdo. Já o perdemos dessa forma, assassinado sem ter nada a ver com a situação, e agora temos que ficar aqui, esperando a boa vontade. Não aparece ninguém para nos atender. Não temos onde sentar, nem como ir ao banheiro. E ainda sequer vimos o corpo dele", desabafou uma irmã da vítima, 49.
Durante a tarde, a assessoria de comunicação da Polícia Civil informou que o delegado que estava de plantão iria verificar a situação e teria se prontificado a acionar um médico legista para o local. Em contato com a Tribuna, a família contou que o corpo foi liberado do IML, por volta das 15h30.









