Moradores sofrem com desabastecimento em Juiz de Fora
Cesama aponta rompimento de rede da Zona Leste com principal causa; além disso, consumo por temperaturas elevadas causa rupturas em tubulações
Juiz-foranos enfrentaram, nesta semana, falta de água em residências para serviços básicos e higiene pessoal. De acordo com relatos à reportagem, o desabastecimento afetou bairros como Marumbi, Santa Paula, Nova Era e Granjas Bethel. Além disso, moradores de outras localidades, como São Sebastião, São Benedito, Santo Antônio, Santa Helena e Alto dos Pinheiros, também registraram dificuldades de abastecimento nos últimos dias. Conforme a Companhia de Saneamento Municipal (Cesama), o rompimento da rede de abastecimento da Zona Leste atingiu, além do fornecimento de água a habitantes da região, a população de outros bairros com sistemas interligados. Ainda segundo a empresa, temperaturas elevadas têm causado rupturas nos tubos de distribuição.
Na Rua Alexandre Fazza, no Bairro Marumbi, a população diz estar enfrentando problemas no abastecimento de água desde o final do ano passado. De acordo com a moradora Ruth Maria Leopoldino, a água chega às residências com pouca pressão e, logo depois, demora até quatro dias para cair nas caixas d’água novamente. A solução encontrada pela família de Ruth foi buscar água nos vizinhos do Bairro Progresso, que também estão com questões de baixa pressão, mas não chegam a ficar vários dias sem abastecimento. “Estamos passando um aperto. Não está tendo nem água para lavar louça.” Já ao lado do Marumbi, no Bairro Santa Paula, a informação é de que as residências estão totalmente sem abastecimento desde o último domingo (20), de acordo com a moradora da Rua Serra Verde, Bárbara Moura Nascimento.

Há cerca de um mês, no Bairro Nova Era, a água também tem chegado às caixas d’água aos poucos, durante a madrugada, conforme relatado por Ana Paula Almeida, moradora da Rua Walter Nogueira de Carvalho. Durante o dia, o abastecimento não ocorre e, na última semana, foi interrompido. Ana Paula está comprando a própria água para beber por conta da falta em sua residência. “Moro no lugar mais alto do bairro. Quem mora no alto, sai no prejuízo, porque abastecem as casas embaixo e, em cima, somos os últimos. Nesses últimos dias, não tem caído em horário nenhum, nem de dia, nem de noite. Não chega água aqui.”
No Bairro Granjas Bethel, a irregularidade no abastecimento de água segue desde o início do mês, no entanto, de acordo com Iara Dias Narciso Gabriel Primo, moradora da Rua Hilda Belini da Silva, a situação se agravou do dia 14 em diante. A população ficou sem abastecimento por dias seguidos e, quando retornava, a situação era a mesma observada no Nova Era, com a água chegando às residências durante a madrugada, porém com baixa pressão. Nos últimos sábado (19) e quarta-feira (23), um caminhão-pipa esteve no local para fornecer água à vizinhança. Segundo Iara, também na quarta, o abastecimento foi retomado com a pressão habitual, mas, novamente, ocorreram paralisações. “Estamos nessa incerteza, porque, nos dias anteriores, estava desta forma, com a água caindo e parando de cair. A Cesama não avisa que temos que economizar porque vai faltar água e também não está dando parecer sobre isso, e é o que está pior para nós.”
Zona Leste desabastecida
O rompimento de um tubo na rede de abastecimento, na última terça (22), na Avenida Brasil, entre as pontes dos bairros Manoel Honório e Santa Terezinha, conforme o diretor de Desenvolvimento e Expansão da Cesama, Marcello Mello do Amaral, é a razão do problema de bairros como o Marumbi, Bonfim, Manoel Honório, Santa Terezinha, Eldorado e Nossa Senhora das Graças. Embora o vazamento de água no asfalto tenha ocorrido no início desta semana, a Cesama acredita que o rompimento tenha ocorrido anteriormente. “A rede do tubo rompido na Avenida Brasil atende a toda Região Leste – consideramos bairros localizados na margem esquerda do Rio Paraibuna como Região Leste, desde Granjas Bethel até Santa Terezinha. É uma rede fundamental ao abastecimento da região. No final de semana, a Região Leste já havia sofrido dificuldades de abastecimento e, naquele momento, não conseguimos precisar o que era. Estávamos fazendo pesquisas para identificar o vazamento”, explicou Marcelo. A rede de abastecimento em questão tem 300 milímetros. Como os sistemas são interligados, o abastecimento de outros bairros, sobretudo da Zona Norte na divisa com a Região Central, foi prejudicado.
Em razão do alto consumo de água especialmente entre sextas-feiras e sábados, Marcelo estima a regularização do abastecimento até este fim de semana; serviços de reparo foram realizados, segundo o diretor, entre 9h de terça e 3h de quarta (23), quando o abastecimento foi religado. O período de desligamento para os trabalhos levou os usuários da região a consumirem o restante de água dos reservatórios. “A demanda por água cresce à medida em que se aproxima o final de semana. Normalmente, o sábado é o dia de maior consumo. Já o domingo é o dia em que a gente verifica a maior recuperação dos sistemas. O sistema vem se recuperando desde quarta-feira.” Caminhões-pipas são deslocados apenas para áreas prioritárias. “Levamos os caminhões-pipas a áreas prioritárias – como as mais altas dos bairros – e, também, a clínicas, hospitais, casas de repouso e creches, porque o pipa não consegue abastecer uma área muito grande”, disse Marcelo. “Quando a água foi religada, as residências foram abastecidas por gravidade, isto é, as casas localizadas em regiões mais baixas são abastecidas anteriormente. Então, a falta de água ocorre nas partes mais altas.”
Consumo elevado atrasa reabastecimento
Para abastecer o município de Juiz de Fora, a Cesama trata e distribui aproximadamente 1.500 litros de água por segundo, conforme dados próprios. Entretanto, em razão das elevadas temperaturas diárias, intercaladas com a ausência de chuva, levou o consumo a cerca de 1.800 litros por segundo, quantidade 26% acima da média. Segundo o diretor de desenvolvimento e expansão da Cesama, o alto consumo dos juiz-foranos, inclusive, implica em dificuldades no reabastecimento da rede da Região Leste. “É importante destacar também que o desabastecimento que estamos observando desde a volta dos reparos do sistema está acontecendo somente porque enfrentamos um período de bastante calor. Diferente do que acontece normalmente nos meses de janeiro, não há chuvas. Como estamos há bastante dias sem chuvas e com máximas acima de 30 graus, o sistema fica o tempo todo demandado pelos usuários. A recuperação, que em condições normais levaria apenas um dia, está se prolongando por dois, três”, explica Marcelo.
A média histórica de temperatura de Juiz de Fora no mês de janeiro, conforme o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), é 26,5ºC. Entretanto, levantamento da Tribuna aponta índice de 30,4ºC neste mês. Neste sábado (26), a máxima deve superar 30ºC pelo 13º dia consecutivo. Em razão das temperaturas elevadas e, por conseguinte, do maior consumo diário de água, os tubos da rede de abastecimento são submetidos a distintos níveis de pressão, situação que, conforme Marcelo, leva a rompimentos e vazamentos. “As quebras ocorrem de maneira natural e, normalmente, por conta do calor, que demanda [da rede de abastecimento] vazão maior. Como temos demanda maior por conta de altas temperaturas, mais água passa na tubulação e ocorre o fenômeno de variação de pressão na rede; quando todo mundo está consumindo, a pressão na rede cai e, à noite, quando o consumo para, a pressão sobe. A variação de pressão leva ao estresse da tubulação, que é projetada para aguentar essa variação durante um determinado tempo apenas.”









