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Apreendido terceiro suspeito de assalto à casa de ex-vereador


Por Tribuna

24/10/2013 às 15h52

Atualizada às 21h43

A Polícia Civil apreendeu o terceiro suspeito de envolvimento no violento assalto à residência do ex-vereador e comerciante Juraci Scheffer, 48 anos, ocorrido na noite de terça-feira, no Bairro Bosque do Imperador, na Cidade Alta. De acordo com a delegada que está à frente do caso, Sheila Oliveira, o adolescente, 17, foi encontrado pela equipe policial, na tarde de quarta-feira, na região do Bairro Jardim Casablanca, também na Cidade Alta. Junto com os outros dois jovens, de 17 e 19, que haviam sido detidos em flagrante pela Polícia Militar na noite do crime, o rapaz confessou participação no roubo. Ele foi encaminhado à Vara da Infância e Juventude e acautelado no Centro Socioeducativo, assim como o outro adolescente. Já o adulto havia sido encaminhado ao Ceresp, permanecendo à disposição da Justiça.  

Ainda conforme a futura titular da Delegacia Especializada de Roubos, que será inaugurada oficialmente na segunda-feira, apesar da apreensão e prisão dos três envolvidos na invasão à residência, o caso não será concluído, e as investigações continuam. O objetivo, segundo ela, é obter mais informações acerca das circunstâncias do assalto e identificar o paradeiro dos materiais roubados, já que os mais de R$ 50 mil em espécie levados pelo trio, além de joias, celulares, notebook e câmera fotográfica, não foram localizados. 

Ainda durante as diligências realizadas pela equipe de policiais civis na quarta, um homem, 25, foi conduzido à 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil, em Santa Terezinha, para prestar declarações. De acordo com a delegada, ele teria emprestado um Honda Civic ao adolescente apreendido pela equipe dela. O carro teria sido conduzido pelo jovem até o local do crime, junto com os comparsas, e usado na fuga. "Ele disse que havia alugado o carro por R$ 50 e alegou não saber que o Honda Civic seria usado na prática de crime. Mas ele vai responder por entregar veículo a pessoa não habilitada, e vamos investigar qual era a real participação dele."

Segundo Sheila, o trio capturado confirmou a prática do assalto e informou ter alugado as armas usadas na ação criminosa – uma escopeta calibre 12 e dois revólveres. No entanto, os jovens não deram qualquer informação sobre a procedência dos armamentos e sobre onde deixaram as armas, o dinheiro e materiais roubados. A delegada acredita que os envolvidos já tinham informações sobre a casa assaltada e a rotina da família. "Mas eram informações mais antigas. Perguntaram, por exemplo, sobre o caseiro, que já não trabalhava mais lá há seis meses." Embora o comerciante tivesse sacado os R$ 50 mil em um banco exatamente no dia em que teve a casa invadida por bandidos, Sheila disse que o trio não teria tido conhecimento prévio sobre o fato e até teria ficado surpreso diante da quantia.

 

Reincidência

Sobre a informação de que o primeiro adolescente apreendido estivesse solto após ter sido acautelado por conta de participação no latrocínio do empresário Francisco José de Carvalho Carapinha, no dia 16 de abril deste ano, a juíza da Vara da Infância e Juventude, Maria Cecília Gollner Stephan, negou a existência de inquérito policial contra qualquer adolescente neste caso. De acordo com Maria Cecília, o adolescente em questão havia sido acautelado em 2011, cumpriu a pena socioeducativa e estava em liberdade. "Este caso (do latrocínio) não foi enviado para nós. Se tivesse sido, ele não estaria na rua." O adolescente só voltou a ser acautelado esta semana por conta do roubo na residência do ex-vereador. 

A delegada Sheila, porém, confirmou nesta quinta-feira que este adolescente apreendido agora já havia sido pego pela equipe chefiada por ela na ocasião da morte do empresário. "Ele teve participação efetiva no assalto à casa do Carapinha, mas não foi a pessoa que atirou." No entanto, de acordo com a assessoria de comunicação da Polícia Civil, o adolescente não chegou a ser acautelado na época. Ele também seria suspeito de participação no assalto à casa de uma prima do empresário dias antes. Uma linha de investigação aponta que o mesmo grupo que praticou o assalto teria atuado no caso Carapinha. Neste último, o adolescente foi um dos apresentados à imprensa em uma entrevista coletiva em abril. Ele foi detido, junto com outros suspeitos, em operação conjunta entre Polícia Militar e Polícia Civil no Jardim Casablanca. Porém, não foi acautelado. Nenhum dos outros apresentados no caso Carapinha ficou preso por causa deste crime, cujo inquérito ainda não teria sido concluído.

  

Ousadia

Ambos os crimes ocorridos em residências da Cidade Alta em um período de seis meses chocaram pela ousadia e violência dos bandidos. Na casa do ex-vereador, ele e duas filhas, de 13 e 19, foram aterrorizados durante a invasão, permanecendo reféns dos assaltantes por cerca de duas horas. A jovem de 19 estava sozinha no imóvel, por volta das 19h, quando foi rendida e ameaçada de morte. Mesmo com a chegada do pai e da irmã ao local, cerca de uma hora depois, ela ainda foi torturada com xingamentos e tapas no rosto, junto com a caçula. Já Sheffer, foi agredido a socos e chutes. A família também foi obrigada a ficar de joelhos e teve as armas engatilhadas apontadas pelos criminosos contra suas cabeças.