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Adolescente desaparecida volta para casa


Por Guilherme Arêas

24/08/2011 às 07h00

As lágrimas que aposentada Edna Maria de Lima, 50 anos, derramou durante o período em que a filha ficou fora de casa – 427 dias – finalmente deram lugar ao sorriso de ver a família completa novamente. Desaparecida desde o dia 17 de junho do ano passado, a adolescente de 15 anos, retornou à sua casa, no Bairro Grama, região Nordeste, na última semana. A jovem estava em um abrigo no Rio de Janeiro, onde recebeu cuidados até que sua mãe a encontrasse, através do SOS Crianças Desaparecidas, vinculado à Fundação para a Infância e Adolescência do Governo do Rio. "Agora está tudo em ordem novamente", comemora Edna.

Tendo a rigidez da mãe como possível motivação para a fuga, a adolescente saiu com a roupa do corpo e uma mochila nas costas, como se fosse normalmente ao colégio. "Não sabia para onde eu ia. Peguei um ônibus e fui para o Rio", conta, com acanhamento antagônico à intrepidez que demonstrou ao sair de casa aos 13 anos de idade. Nos primeiros seis meses da "aventura", a adolescente viveu em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, com uma senhora que lhe deu comida e uma cama para dormir. "Em nenhum momento passei fome ou dormi na rua."

Como a mulher não poderia continuar com uma criança desconhecida em casa, Andréia foi encaminhada à Casa de Acolhida, no Catete, na Zona Sul do Rio. "Lá, ela teve todo apoio e, inclusive, voltou a estudar", conta a mãe. Foram pouco mais de seis meses no abrigo, até que o SOS Crianças Desaparecidas recebeu a informação de que uma menina abrigada na casa poderia ser a filha de dona Edna. "Alguém viu uma foto que nós divulgamos, dizendo que a Andréia estava desaparecida, e a reconheceu como sendo a menina do abrigo", detalha a psicóloga do SOS, Andréa Assunção Pena.

O órgão estadual entrou em contato com Edna para avisá-la que a filha havia sido localizada, mas não informou o local onde a menina estava. Com auxílio da Tribuna, a aposentada finalmente chegou ao abrigo, onde impetrou, junto à Vara da Infância e Juventude do Rio, o pedido de retorno da filha.

Durante mais de um ano sem informações, Edna, o marido e as outras duas filhas do casal travaram uma verdadeira batalha para ter a menina de volta. Um protesto no Bairro Grama, com fechamento da rua e queima de pneus, foi feito logo nos primeiros meses. No dia do desaparecimento da adolescente, um boletim de ocorrência foi registrado e, logo depois, a Polícia Civil foi informada do caso, que transitou pelas mãos de três delegados. "Além do SOS Crianças Desaparecidas, ainda tive ajuda do Grupo Especial de Atendimento à Criança e ao Adolescente em Risco da PM (Geacar) e do Centro de Assistência do Cidadão (CAC)da Câmara Municipal", agradece Edna.

Desaparecidos MG – 0800 2828 197

SOS Crianças Desaparecidas – (21) 2286-8337