Emplacamento de motos cresce 20% em Juiz de Fora; carros têm estabilidade

Aumento na procura no município acompanha tendência nacional, segundo Fenabrave


Por Vinicius Soares

24/07/2025 às 06h00

O número de novas motos emplacadas em Juiz de Fora, no primeiro semestre de 2025, foi de 1.951,  aumento de 20,7% em relação ao mesmo período do ano passado, quando 1.616 motocicletas foram emplacadas. Os dados são do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos de Minas Gerais (Sincodiv-MG).

O crescimento da comercialização de motos em Juiz de Fora acompanha a tendência nacional. De acordo com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), o número de emplacamentos do modal saltou de 932.932 em 2024 para 1.029.297 neste ano, o que representa incremento de 10,3%.

emplacamento motos by felipe couri 2
Aumento de motos pode ser percebido nas ruas de Juiz de Fora (Foto: Felipe Couri)

Cenário econômico explica crescimento

O preço dos combustíveis e a possibilidade de utilizar a moto para trabalhar inclusive com transporte de pessoas são dois dos motivos que justificam a maior adesão ao modal, conforme afirma o especialista em mobilidade urbana, José Luiz Britto Bastos. “O aumento da venda de motos é em razão da própria economia, da dinâmica do mercado, que estimula as pessoas a comprarem motocicletas, seja para usarem em trabalho adicional ou mesmo como principal”, analisa.

Apesar da demanda identificada nesse momento, Britto pondera que não é possível afirmar que se manterá como tendência nos próximos anos. “Estamos entrando em uma fase de mudança radical da questão da matriz energética, deixando de lado a queima de combustíveis fósseis para uma matriz energética elétrica. É inevitável que vai acontecer de qualquer forma. Ainda assim, acho que as motocicletas vão continuar sendo mais vendidas sim, e as pessoas seguirão comprando e usando menos o automóvel”, avalia o especialista.

Emplacamentos de carros segue estável

Diferentemente das motos, o número de emplacamentos de carros em Juiz de Fora permaneceu praticamente o mesmo. Em 2024 foram 3.074 e, em 2025, 3.072, segundo o Sincodiv-MG.  Considerando os veículos, no entanto, o cenário difere do mercado nacional. Conforme a Fenabrave, houve aumento em 3,5% no número de emplacamentos, saltando de 848.736 em 2024 para 878.594 este ano, sempre considerando o primeiro semestre nos dois períodos.

A expressiva diferença entre a quantidade de novos carros e motos nas ruas das cidades brasileiras pode impactar, no futuro, a fluidez do trânsito. “Na medida em que se diminui o número de automóveis em circulação, a fluidez do trânsito, consequentemente, irá melhorar, já que o que atravanca mesmo o trânsito são os automóveis”, afirma Britto.

Emplacamentos de motos cresce em 20% em Juiz de Fora; carros apresentam estabilidade
Aumento de motos pode ajudar na fluidez do trânsito, mas traz o risco de aumento de acidentes (Foto: Felipe Couri)

Apesar de reconhecer que o aumento da frota de motocicletas pode contribuir para a fluidez do trânsito, Britto alerta que o número de acidentes com vítimas fatais pode crescer, já que o modal oferece menos segurança a motorista e passageiros ante o carro. Por isso, entende que o investimento em mobilidade urbana é a chave para a diminuição da saturação do trânsito no Brasil.

“Temos que reduzir o número de automóveis, mas a gente realmente não tem que aumentar tanto o número de motocicletas. (…) É necessário pensar na questão da mobilidade ativa, que é composta pelo transporte público de qualidade, por bicicletas e caminhadas para pequenas distâncias. Isso tem sido trabalhado no mundo inteiro, e no Brasil precisa ser também”, destaca o especialista.