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UAI atende apenas 30% de sua capacidade


Por Júlia Pessôa

24/03/2012 às 06h00

Quase seis meses após criação, procura ainda é baixa

Quase seis meses após criação, procura ainda é baixa

Enquanto serviços públicos de emissão de documentos e de direitos trabalhistas estão lotados, com filas de espera, em órgãos do Centro, a Unidade de Atendimento Integrado (UAI), inaugurada há quase seis meses no Independência Shopping, no Cascatinha, Zona Sul, tem atendido a apenas 30% da sua capacidade diária. Criada para assistir até mil pessoas por dia, atualmente, a procura não passa de 300. Na nova sede, os juiz-foranos têm acesso à emissão de carteira de identidade, atestado de antecedentes criminais e carteira de trabalho, podem solicitar seguro-desemprego, fazer inscrição no CPF ou procurar emprego. O lugar é o único da cidade onde se pode fazer o CPF gratuitamente. A localização é o principal empecilho apontado pelos usuários, que continuam a comparecer aos postos de alguns desses serviços na área central, como a unidade do Sistema Nacional de Emprego (Sine), a sede do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e a Câmara Municipal. A desinformação sobre a unidade é outra barreira.

Com a inauguração da UAI no piso G2 do shopping, a sede do Posto de Serviços e Informações para o Usuário (Psiu), que ficava no Calçadão da Rua Halfeld, no Centro, e emitia carteiras de identidade e atestados de antecedentes criminais, foi desativada. Hoje o Psiu não existe mais no estado. No entanto, muitos juiz-foranos ainda procuram o endereço para os serviços antigos. No local, foi instalado o Sine, onde os cidadãos podem apenas fazer o requerimento de seguro-desemprego e procurar vagas no mercado. Antes das 8h, quando começa o expediente, já há fila na porta da entidade e, pouco depois deste horário, as senhas estão esgotadas até o último horário, 17h. "Resolvi tentar resolver minha situação aqui no Centro mesmo, porque estou sem trabalhar e tento cortar qualquer gasto. Mas hoje não vai dar", diz Luzia Rodrigues Ferreira, 45 anos, que precisava dar entrada no seguro. O local distribui apenas dez senhas, cinco para a manhã e cinco para a tarde, para o seguro-desemprego. Para procura por trabalho, são entregues entre 60 e 70 números.

No Centro de Atenção ao Cidadão da Câmara Municipal, o usuário pode fazer a carteira de identidade ou de trabalho. Não há limite no número de atendimentos por dia, mas o funcionamento é realizado somente das 8h às 14h, para confecção de identidade, e das 8h às 11h, para emissão da carteira de trabalho. À tarde, é feita apenas a entrega do documento trabalhista. Segundo a assessoria do órgão, todas as pessoas que chegam ao local até às 14h recebem senha e são assistidas. A Tribuna esteve lá e, apesar de não haver queixas sobre a fluidez do atendimento, todos os assentos permaneciam ocupados por pessoas que aguardavam sua vez. "Não sabia que dava para fazer identidade no shopping, mas, mesmo assim, não iria lá. Aqui é mais perto. Lá ia pagar o dobro em passagem", diz a dona de casa Maria de Fátima Bento, 47, que levou a filha Fabiana, 15, para tirar carteira de identidade.

Já no Ministério do Trabalho e Emprego, na Rua Santo Antônio, onde é possível dar entrada no seguro-desemprego, também há filas. "Esperei cerca de uma hora. Até imaginava demorar mais, mas ainda assim é muito tempo", revela o desempregado Geraldo Ribeiro, 48. O funcionamento é das 8h às 17h, e o movimento, segundo uma atendente, é intenso o dia todo. A capacidade diária não foi informada.

 

Espera no Centro e rapidez na nova sede

No mesmo dia em que visitou os órgãos do Centro, a reportagem voltou à UAI, onde o tempo de espera não passava de três minutos e as cadeiras permaneciam desocupadas, com pouco mais de dez pessoas aguardando atendimento. "Resolvi vir aqui porque o Ministério do Trabalho estava muito cheio, mas foi a última opção. O atendimento foi rápido e de ótima qualidade, mas tive que gastar com estacionamento", reclama a estudante Aline Melo, 27, que solicitou recebimento de seguro-desemprego. Como a maioria das pessoas, ela desconhecia a existência e a função do órgão. "Talvez se houvesse mais informação, mais gente usaria. Só fiquei sabendo porque perguntei lá no ministério se havia outro lugar que fazia o serviço. Mesmo assim, a sinalização dentro do shopping é ruim, e ninguém sabia informar." Segundo o coordenador especial de gestão das UAIs, Erick Brasil Vasconcelos, a divulgação da unidade será reforçada em diversas mídias nos próximos meses.

De acordo com a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), há atualmente 25 UAIs em 21 municípios mineiros, quatro delas na capital. A Seplag esclareceu também que a implantação dos órgãos faz parte do projeto "Descomplicar", do Governo de Minas Gerais, que tem como principal objetivo conferir mais conforto, agilidade e melhor condição estrutural aos usuários. A unidade juiz-forana tem 26 guichês, onde atuam 46 profissionais que receberam treinamento específico. Ainda conforme a assessoria, a escolha do local levou em conta a acessibilidade do shopping, por meio de transporte particular ou público, e as condições necessárias para instalação de uma UAI. A gerência da sede juiz-forana informou que, na unidade, a maior procura é por emissão de carteira de identidade e de certificado de antecedentes criminais, seguidos pela de carteira de trabalho.

 

‘Estudos apontaram que o Centro está saturado’

Segundo o coordenador especial de gestão das UAIs, Erick Brasil Vasconcelos, a avaliação da UAI de Juiz de Fora pelos usuários, desde sua instalação, tem sido positiva, com índice de aprovação de 99,22% até o momento. "A UAI foi um espaço totalmente pensado para um atendimento de qualidade. Temos várias vantagens em relação aos outros órgãos: não fechamos para almoço e não temos limite de senhas. Se a pessoa chegar lá às 16h55, vai ser atendida."

A própria população reconhece os benefícios, mas reclama da localização."A estrutura é muito melhor do que qualquer lugar do Centro, é tudo muito organizado, e os funcionários são capacitados. Mas, para muita gente, é inviável fazer o deslocamento até aqui. Eu mesmo só vim porque o Ministério do Trabalho estava lotado", relata o estudante Daniel Corrêa, 21 anos, que solicitou o recebimento de seguro-desemprego.

Conforme Vasconcelos, a intenção do Governo de Minas é que as UAIs se tornem referências nos serviços que prestam. "A instalação no shopping veio depois de muitos estudos, que apontaram que o Centro de Juiz de Fora está saturado. Onde está, a UAI oferece um ambiente confortável, climatizado e adequado aos serviços prestados. Nossa intenção é melhorar ainda mais." Ele ressalta, entretanto, que a distribuição das rotas e das empresas de transporte é de responsabilidade do município.

Settra

A assessoria de comunicação da Settra informou que o acesso ao Independência Shopping é feito por diversas linhas de ônibus: 532 (São Pedro/Via Caiçaras), 534 (Santos Dumont), 535 e 545 (Universidade), 541 (São Pedro), 560 (Avenida Independência/Via Shopping), 755 (Zona Norte/UFJF). Ainda segundo a Settra, a 755 permite que moradores da Zona Norte cheguem ao shopping sem ter que pegar outro ônibus no Centro e que, nos horários de entrada e saída das faculdades, de manhã e à noite, considerados de pico, os coletivos circulam de dez em dez minutos, em média. Fora deste período, os ônibus transitam de hora em hora.

 

Ampliação de atendimento na área central é viável

Com o baixo índice de utilização da UAI, muitos usuários questionam a restrição do serviço prestado nas unidades do Centro. "Tinha que ser possível escolher entre ir ao shopping ou não. Mas nem todos os serviços podem ser feitos no Centro e, quando podem, os horários também não ajudam", observa a costureira Joelma Reis. Desde que a UAI foi instalada, a média diária de carteiras de identidade emitidas na Câmara Municipal aumentou 50%, passando de cem para 150. O expediente também foi aumentado em uma hora depois disso, já que antes ia das 8h às 13h. Segundo Leonardo Pires, coordenador do Centro de Atenção ao Cidadão, responsável pela prestação do serviço na Câmara, a possibilidade de expansão do atendimento não está descartada caso seja constatada necessidade. "O funcionamento atual atende à demanda que temos, mas, se realmente for preciso, é possível aumentar mais a capacidade, depois de estudos e avaliações, como já fizemos uma vez."

Conforme a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado de Trabalho e Emprego, que coordena todas as unidades do Sine em Minas Gerais, existe a intenção de otimizar o atendimento no estado. Embora não haja data definida, a previsão é de que o quadro de atendentes de todos os Sines seja ampliado, possibilitando o aumento no número de pessoas assistidas diariamente por cada sede. O Ministério do Trabalho e Emprego, em Juiz de Fora, foi procurado, mas a Tribuna não conseguiu contato com os responsáveis.

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