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Comunidades querem ampliar atendimento


Por Guilherme Arêas

24/03/2012 às 06h00

Representantes de 11 comunidades terapêuticas – evangélicas, católicas e sem cunho religioso – que recebem dependentes químicos em Juiz de Fora se reuniram ontem, um dia após a audiência pública que debateu, na Câmara Municipal, o tratamento de usuários de crack no município. O encontro de ontem teve o objetivo de alinhar o trabalho dessas entidades para que possam compor a rede de atendimento público de assistência aos dependentes de drogas. A proposta é que aumentem a capacidade de atendimento e fiquem aptas a captar recursos públicos. Organizações sociais privadas são responsáveis por 80% do atendimento aos viciados no Brasil. "Precisamos alinhar esse trabalho para salvar vidas", disse o presidente da Federação das Comunidades Terapêuticas Evangélicas do Brasil, pastor Wellington Vieira, que liderou a reunião.

Uma das principais dificuldades relatadas pelas comunidades é a adaptação às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que exige, entre outros quesitos, a existência de equipe especializada, responsável técnico, projeto terapêutico e programa de atendimento individualizado. Essa adequação vai permitir que as comunidades façam convênios com o Poder Público, inclusive no projeto "Aliança pela vida", do Governo de Minas, que visa a custear o tratamento de dependentes químicos, cujas famílias tenham renda de até dois salários mínimos. "Em Juiz de Fora, as comunidades estão em uma situação confortável. A maioria já tem profissionais técnicos e percebemos boa vontade delas, do Executivo e do Legislativo", avalia o pastor Wellington.

As normas não interferem na metodologia do tratamento, ou seja, na forma como cada comunidade utiliza a espiritualidade na recuperação de viciados. "O que as comunidades fazem não é conduzir o paciente a uma religião. Defendemos a existência de oficinas terapêuticas de despertar espiritual. Não se pode misturar o tratamento da dependência com a fé. O tratamento é feito com psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais. Já a fé é um diferencial."

O subsecretário de Políticas Antidrogas de Minas, Cloves Benevides, confirma que o convênio do "Aliança pela vida" não interfere na metodologia de tratamento. "O que fizemos foi conceber uma matriz de qualidade, com 172 itens, que define critérios mínimos. A parceria só é impedida, e é o que a lei determina, se a clínica não tem regularidade perante a inscrição sanitária na Anvisa."