UFJF receberá novas câmeras em outubro
As câmeras de segurança da UFJF começarão a ser trocadas a partir do dia 1º do próximo mês. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (23) pelo coordenador e representante da UFJF Moacyr do Valle Júnior durante o XXII Seminário Nacional de Segurança das Instituições Públicas de Ensino Superior (Ipes), que reúne representantes de todos os estados brasileiros. O encontro, iniciado nesta segunda-feira na cidade, segue até sábado, e a expectativa é de que 400 pessoas participem dos debates ao longo da semana. As atuais 300 câmeras do Campus da UFJF serão substituídas por novos equipamentos, mais potentes e modernos, totalizando 800 aparelhos. Segundo Moacyr, o sistema possui infravermelho, sensor de movimento e reconhecimento facial, ligado ao banco de dados das polícias. Por exemplo, se um carro roubado entrar no campus, a câmera identifica, e um alarme dispara, avisando a segurança. O mesmo acontece com pessoas procuradas pela Justiça. Além do campus, haverá vigilância eletrônica nos dois Hospitais Universitários (HUs) da instituição.
No entanto, Moacyr argumenta que só as câmeras não resolvem o problema da violência nas instituições federais. É preciso um maior efetivo. Os equipamentos vão mostrar o fato e facilitar a prisão de infratores, mas não impedem o crime. Os vigilantes é que vão prevenir e combatê-lo. De acordo com o coordenador, o número de vigilantes da instituição se encontra defasado. São 34 homens para cerca de 21 mil pessoas, entre alunos, professores e servidores. Ele acredita que, se o número fosse maior, casos como o que ocorreu em agosto em uma calourada no campus, quando duas pessoas foram baleadas, teriam menos chances de acontecer. Moacyr conta também que a UFJF registra uma média diária de 15 ocorrências relacionadas à segurança.
O encontro tem como foco a abertura de novos concursos públicos para o setor, já que não são realizados exames desde 1994. Além de maior quantidade de seguranças, os representantes da vigilância das instituições federais reivindicam pessoas qualificadas e concursadas para trabalhar. Segundo o coordenador nacional e representante da Universidade Federal do Pará (UFPA) Francisco Lima, os seguranças terceirizados não têm o mesmo comprometimento e treinamento que os concursados. O vigilante de uma instituição de ensino tem que ter um comportamento diferente do segurança de um banco. Por exemplo, se um estudante está fazendo uma manifestação, não se pode simplesmente retirá-lo do local, pois a universidade é dele. Os concursados são preparados para lidar com essa situação.
Lima também argumenta sobre a diferença da qualificação recebida pelos concursados e pelos terceirizados. Temos vigilantes concursados que são doutores. Isso é um diferencial em um ambiente acadêmico. Os representantes também buscam inserir um percentual mínimo de mulheres para os próximos concursos.
O coordenador e representante da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFGS) Mozarte Simões compara a universidade a uma cidade.Tudo o que tem lá fora tem aqui dentro: casos de estupros, sequestros-relâmpagos. No mês passado, morreu um vigilante no campus de Uberlândia, em uma troca de tiros. A universidade, que deveria ser um lugar seguro, não é mais.
Os representantes estão elaborando um dossiê, no qual constam ocorrências dentro dos campi de ensino federal. O dossiê já possui 174 páginas. O nosso objetivo é sensibilizar deputados e demais autoridades para a segurança nas universidades, explica Moacyr.








