Ouça agora

Veículos dão lugar à arte na Getúlio Vargas


Por Felipe Mussel

23/09/2011 às 07h00

O tumultuado trânsito da Avenida Getúlio Vargas, na área Central, deu lugar ontem a manifestações artísticas e culturais no período entre 6h e 16h. A iniciativa fez parte do movimento do Dia Mundial sem Carro, que aconteceu em Juiz de Fora e outros 30 municípios do país e mais de dois mil em todo o planeta. Apesar de o fluxo ter sido interditado para carros de passeio, motos e caminhões entre as ruas Floriano Peixoto e Batista de Oliveira, não houve grandes impactos no tráfego da região. Nas ruas, o movimento dividiu opiniões: enquanto alguns afirmaram ter encontrado retenções, não acreditando que as pessoas deixaram o automóvel em casa, outros disseram que o movimento de veículos estava menor na área Central.

src=http://96.31.89.20:8080/polopoly/polopoly_fs/1.937410.1316726023!/image/2386304230.jpg
 
/

A Tribuna esteve nas ruas durante o horário em que a Avenida Getúlio Vargas esteve fechada e identificou pequenas lentidões na Rua Batista de Oliveira, próximo à Rua Fonseca Hermes. O secretário de Transportes e Trânsito, Marcio Gomes Bastos, disse que vai se reunir, nos próximos dias, com a equipe que participou das atividades para avaliar o impacto, mas adiantou que não houve tumulto em nenhuma das ruas da área Central. Embora os números ainda não tenham sido divulgados, ele considerou a iniciativa "extremamente positiva". "Atingimos o nosso objetivo porque este foi o assunto do dia na cidade. Conseguimos fazer com que a população refletisse sobre a importância de substituir o veículo individual por um coletivo."

Opinião dividida

A Rua Floriano Peixoto, entre as avenidas Getúlio Vargas e Rio Branco, teve pouco movimento durante todo o dia. Conforme os taxistas que trabalham na área, os motoristas estavam evitando seguir naquela direção. "Até no ponto de táxi, o movimento está fraco. Outras ruas estavam mais tumultuadas mais cedo, como a Benjamin Constant. Mas, de um modo geral, acredito que não houve grandes mudanças hoje", disse o taxista Wenderson da Costa, 33 anos.

Em um ponto de ônibus próximo ao Parque Halfeld, estava o advogado Marcelo Terra, 34 anos. Ele conta que aproveitou o Dia Mundial sem Carro para deixar seu veículo no lava-jato, próximo à sua casa. "Precisava ir ao Fórum e desci de ônibus até o Centro. Fiz minha parte, mas acho que poucos seguiram o meu exemplo." Ainda na Avenida Rio Branco, o manobrista Pedro Roberto Fernandes disse que, no estacionamento onde trabalha, a procura pelo serviço caiu cerca de 30% no período da manhã, e 20% à tarde. Mas, em outro estacionamento, na Rua Batista de Oliveira, exatamente no trecho onde o trânsito da Getúlio Vargas estava sendo desviado, os funcionários disseram que tudo estava dentro da normalidade.

 

Prefeito troca veículo oficial por coletivo

No Dia Mundial sem Carro, o prefeito Custódio Mattos trocou o veículo oficial pelo transporte coletivo urbano. Com o ato simbólico de adesão ao movimento, o chefe do Executivo quis chamar a atenção para a necessidade de se repensar o modelo de mobilidade urbana baseado nos veículos individuais. "É preciso deixar o carro para as situações estritamente necessárias. O futuro das cidades está em uma melhor convivência entre os automóveis e o transporte coletivo. Cidades do mundo inteiro estão proibindo ou cobrando pelo acesso de carros às regiões centrais. A frota juiz-forana cresce 8% ao ano, o que faz com que duplique a cada oito anos. As melhorias viárias não conseguem acompanhar esse ritmo de crescimento."

style=

Por volta das 9h, Custódio deixou a pé o Condomínio Parque Imperial, na Cidade Alta, onde mora, e foi até um ponto de ônibus na Avenida Pedro Henrique Krambeck, acompanhado pelo secretário de Transportes e Trânsito, Marcio Gomes Bastos, que se deslocou até o local de táxi. Após cerca de dez minutos, ambos embarcaram no coletivo da Linha 525 – Universidade, em direção ao Centro. Cerca de 17 minutos depois, prefeito e secretário desembarcaram na Avenida Getúlio Vargas, onde estão concentradas as atividade do dia sem carro. "O que a Prefeitura pretende mostrar simbolicamente com este dia é que são enormes os ganhos para a cidade quando há a migração das pessoas do transporte particular para o transporte público urbano", conclui o secretário.

Depois de desembarcarem, seguiram a pé pela rua até a sede da Prefeitura, com entrada pela Avenida Francisco Bernardino, onde ainda tiveram de aguardar a passagem de uma composição férrea para chegar ao prédio principal. "Levo normalmente 15 minutos para chegar ao trabalho e, hoje, ainda esperando a passagem do trem, foram 20 minutos mais ou menos. Considerando que eu não tenho problemas com estacionamento e que um cidadão comum ainda tem essa preocupação em achar e pagar por uma vaga, então acho muito razoável essa troca. Por questões de trabalho, na minha circunstância, como prefeito, seria hipocrisia dizer que vou utilizar o transporte coletivo todos os dias. Mas, como cidadão, estou convencido de que é a melhor opção." Com objetivo de incentivar o uso do transporte coletivo, 49 linhas circularam com ônibus extras ontem.