Falta de estrutura e atrativos em parques e praças

Serviço de pedalinho suspenso no Museu Mariano Procópio
Para não deixar os filhos em casa durante este mês de férias escolares, muitos pais procuram, nos parques, o lugar ideal para passar um dia mais agradável ao ar livre. Porém, a falta de atrativos e a falha na estrutura são as principais reclamações dos usuários destes locais. A Tribuna esteve, durante a semana, em quatro locais públicos utilizados para recreação: Parque do Museu Mariano Procópio, Mirante do Cristo, Campus da UFJF e Parque Halfeld. Apesar de ser a maior área verde do município, o Parque da Lajinha não foi visitado porque, na última segunda-feira, o governador Antonio Anastasia (PSDB) anunciou obras de melhorias para o espaço, que devem começar nos próximos meses.
No parque do Museu, os cinco pedalinhos, considerados, pelos visitantes, como um dos principais atrativos para a criançada, não estão mais em funcionamento. Segundo o diretor superintendente da Fundação Museu Mariano Procópio (Mapro), Douglas Fasolato, os equipamentos foram desativados, temporariamente, por segurança. "Eles já estavam com desgaste muito grande, o que poderia colocar os usuários em risco. A diretoria se reuniu e achou, por bem, desativar a atração até que uma solução viável seja encontrada." Fasolato explica que, até então, a Associação Amigos do Museu mantinha os pedalinhos, no entanto, é estudada a possibilidade de terceirização do serviço.
A autônoma Lívia Menegati estava no local com os filhos, de 5 e 11 anos. Ela lamentou a ausência do brinquedo, considerado, por ela, o principal atrativo do parque. Sobre as condições do espaço, ela elogiou, mas frisou a necessidade de aumentar a segurança. "Têm alguns vigias, mas não fico confortável em deixar meus filhos caminhando sozinhos para os fundos sem a presença de um adulto." Fasolato afirma que a Mapro tem investido muito nisso. "Antes da reforma, havia muitas reclamações sobre usuários de drogas e assaltos no espaço, agora isso mudou. Acredito que o parque seja o mais seguro da cidade."
Durante a visita, foi possível identificar a presença de dois vendedores ambulantes (pipoca e picolé), além da lanchonete em funcionamento. Os banheiros são limpos e bem conservados, porém, é cobrada taxa de R$ 0,50 para o uso (salvo crianças de até 5 anos e idosos). De acordo com a Mapro, esta regra estava prevista no processo de licitação que escolheu a administradora do comércio. O regimento interno determina, ainda, que é proibida a entrada de animais domésticos e bicicletas. Como há um jardim histórico no complexo, a direção segue as recomendações previstas na Carta de Veneza. Ela controla o fluxo de pessoas e determina limitações para o uso público.
UFJF
Situação diferente foi encontrada na Praça Cívica, do Campus da UFJF, onde é permitida a entrada de animais e bicicletas. Mas, conforme a Diretoria de Comunicação da UFJF, isso pode ser alterado, porque um regimento interno será colocado em vigor para tentar diminuir a deterioração da área. Na praça, crianças soltavam pipas e andavam de skate e bicicleta. A academia ao ar livre, instalada no local, utilizada para a prática de exercícios físicos, parece ter se tornado a extensão do parquinho, que estava lotado. Conforme a Diretoria de Comunicação, um funcionário foi designado apenas para percorrer o campus e identificar irregularidades como estas, mas ele não tem o poder de proibir o uso, e sim orientar os pais de tais riscos.
A ausência de lanchonetes (a do Centro de Vivência está em fase de licitação) e de banheiros, que permanecem trancados, foi citada por muitos frequentadores como o principal problema do espaço. Sobre isso, a direção da UFJF garante que, neste final de semana, o caso será resolvido. Dois funcionários teriam sido contratados para realizar a manutenção dos banheiros, e eles começariam a trabalhar hoje.
Reclamações de falta de higiene e concentração de população de rua
O Mirante do Cristo, na Cidade Alta, é uma área tradicionalmente visitada por famílias juiz-foranas e turistas, principalmente nos finais de semana. Com uma vista privilegiada da cidade, o espaço tem uma capela e fornece estacionamento gratuito, parquinho para crianças e um comércio local. A dona de casa Daniele Aarseth, acompanhada do filho de 1 ano e 3 meses, era uma das usuárias presentes. "É um lugar bonito que, nos últimos anos, teve uma melhora considerável na qualidade dos equipamentos oferecidos, principalmente o parquinho." Mesmo assim, ela e outros frequentadores reclamaram das condições de higiene da areia. "Está suja e levanta muita poeira, o que pode ser prejudicial para a saúde das crianças", afirma. No momento da visita, guardas municipais faziam ronda na área.
O nutricionista Arnaldo Pinheiro estava acompanhado dos filhos, de 5 e 12 anos. Ele questiona a ausência de bebedouros e água para lavar as mãos. "Tem uma torneira, mas, na maioria das vezes que aqui estive, ela estava sem água." Já os banheiros públicos do mirante estavam com o chão sujo, lixeiras cheias e sem papel higiênico.
A Secretaria de Administração e Recursos Humanos, por meio da Assessoria de Comunicação, afirmou que a manutenção dos banheiros é de responsabilidade do proprietário do restaurante, e esta determinação está prevista no contrato firmado entre o permissionário e a Prefeitura. Segundo a assessoria, ele foi notificado para se adequar. Já sobre a areia, um técnico da Empav irá ao local, nos próximos dias, para verificar se a reclamação procede. A última troca da areia foi realizada em maio, quando também houve um trabalho de revitalização do parquinho e da estrada de acesso.
Já o Parque Halfeld, apesar da localização privilegiada, no Centro, era o que tinha a menor concentração de crianças brincando no parquinho no momento em que a reportagem esteve no local. A professora Maria Adelaide acompanhava o sobrinho, de 4 anos. "Acredito que muitos desanimam de vir para cá por causa da grande concentração de moradores de rua e, aparentemente, usuários de drogas. Eles fazem da bica um verdadeiro banheiro."
Durante a visita da Tribuna, algumas roupas estavam estendidas no coreto do parque. Sobre isso, a Guarda Municipal, por meio da assessoria, disse que os agentes estão presentes na área entre 7h e 23h, e que é função deles coibir o uso indevido das estruturas existentes.








