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Falta de estrutura e atrativos em parques e praças


Por Eduardo Valente

23/07/2011 às 07h00

Serviço de pedalinho suspenso no Museu Mariano Procópio

Serviço de pedalinho suspenso no Museu Mariano Procópio

Para não deixar os filhos em casa durante este mês de férias escolares, muitos pais procuram, nos parques, o lugar ideal para passar um dia mais agradável ao ar livre. Porém, a falta de atrativos e a falha na estrutura são as principais reclamações dos usuários destes locais. A Tribuna esteve, durante a semana, em quatro locais públicos utilizados para recreação: Parque do Museu Mariano Procópio, Mirante do Cristo, Campus da UFJF e Parque Halfeld. Apesar de ser a maior área verde do município, o Parque da Lajinha não foi visitado porque, na última segunda-feira, o governador Antonio Anastasia (PSDB) anunciou obras de melhorias para o espaço, que devem começar nos próximos meses.

No parque do Museu, os cinco pedalinhos, considerados, pelos visitantes, como um dos principais atrativos para a criançada, não estão mais em funcionamento. Segundo o diretor superintendente da Fundação Museu Mariano Procópio (Mapro), Douglas Fasolato, os equipamentos foram desativados, temporariamente, por segurança. "Eles já estavam com desgaste muito grande, o que poderia colocar os usuários em risco. A diretoria se reuniu e achou, por bem, desativar a atração até que uma solução viável seja encontrada." Fasolato explica que, até então, a Associação Amigos do Museu mantinha os pedalinhos, no entanto, é estudada a possibilidade de terceirização do serviço.

A autônoma Lívia Menegati estava no local com os filhos, de 5 e 11 anos. Ela lamentou a ausência do brinquedo, considerado, por ela, o principal atrativo do parque. Sobre as condições do espaço, ela elogiou, mas frisou a necessidade de aumentar a segurança. "Têm alguns vigias, mas não fico confortável em deixar meus filhos caminhando sozinhos para os fundos sem a presença de um adulto." Fasolato afirma que a Mapro tem investido muito nisso. "Antes da reforma, havia muitas reclamações sobre usuários de drogas e assaltos no espaço, agora isso mudou. Acredito que o parque seja o mais seguro da cidade."

Durante a visita, foi possível identificar a presença de dois vendedores ambulantes (pipoca e picolé), além da lanchonete em funcionamento. Os banheiros são limpos e bem conservados, porém, é cobrada taxa de R$ 0,50 para o uso (salvo crianças de até 5 anos e idosos). De acordo com a Mapro, esta regra estava prevista no processo de licitação que escolheu a administradora do comércio. O regimento interno determina, ainda, que é proibida a entrada de animais domésticos e bicicletas. Como há um jardim histórico no complexo, a direção segue as recomendações previstas na Carta de Veneza. Ela controla o fluxo de pessoas e determina limitações para o uso público.

UFJF

Situação diferente foi encontrada na Praça Cívica, do Campus da UFJF, onde é permitida a entrada de animais e bicicletas. Mas, conforme a Diretoria de Comunicação da UFJF, isso pode ser alterado, porque um regimento interno será colocado em vigor para tentar diminuir a deterioração da área. Na praça, crianças soltavam pipas e andavam de skate e bicicleta. A academia ao ar livre, instalada no local, utilizada para a prática de exercícios físicos, parece ter se tornado a extensão do parquinho, que estava lotado. Conforme a Diretoria de Comunicação, um funcionário foi designado apenas para percorrer o campus e identificar irregularidades como estas, mas ele não tem o poder de proibir o uso, e sim orientar os pais de tais riscos.

A ausência de lanchonetes (a do Centro de Vivência está em fase de licitação) e de banheiros, que permanecem trancados, foi citada por muitos frequentadores como o principal problema do espaço. Sobre isso, a direção da UFJF garante que, neste final de semana, o caso será resolvido. Dois funcionários teriam sido contratados para realizar a manutenção dos banheiros, e eles começariam a trabalhar hoje.

 

Reclamações de falta de higiene e concentração de população de rua

O Mirante do Cristo, na Cidade Alta, é uma área tradicionalmente visitada por famílias juiz-foranas e turistas, principalmente nos finais de semana. Com uma vista privilegiada da cidade, o espaço tem uma capela e fornece estacionamento gratuito, parquinho para crianças e um comércio local. A dona de casa Daniele Aarseth, acompanhada do filho de 1 ano e 3 meses, era uma das usuárias presentes. "É um lugar bonito que, nos últimos anos, teve uma melhora considerável na qualidade dos equipamentos oferecidos, principalmente o parquinho." Mesmo assim, ela e outros frequentadores reclamaram das condições de higiene da areia. "Está suja e levanta muita poeira, o que pode ser prejudicial para a saúde das crianças", afirma. No momento da visita, guardas municipais faziam ronda na área.

O nutricionista Arnaldo Pinheiro estava acompanhado dos filhos, de 5 e 12 anos. Ele questiona a ausência de bebedouros e água para lavar as mãos. "Tem uma torneira, mas, na maioria das vezes que aqui estive, ela estava sem água." Já os banheiros públicos do mirante estavam com o chão sujo, lixeiras cheias e sem papel higiênico.

A Secretaria de Administração e Recursos Humanos, por meio da Assessoria de Comunicação, afirmou que a manutenção dos banheiros é de responsabilidade do proprietário do restaurante, e esta determinação está prevista no contrato firmado entre o permissionário e a Prefeitura. Segundo a assessoria, ele foi notificado para se adequar. Já sobre a areia, um técnico da Empav irá ao local, nos próximos dias, para verificar se a reclamação procede. A última troca da areia foi realizada em maio, quando também houve um trabalho de revitalização do parquinho e da estrada de acesso.

Já o Parque Halfeld, apesar da localização privilegiada, no Centro, era o que tinha a menor concentração de crianças brincando no parquinho no momento em que a reportagem esteve no local. A professora Maria Adelaide acompanhava o sobrinho, de 4 anos. "Acredito que muitos desanimam de vir para cá por causa da grande concentração de moradores de rua e, aparentemente, usuários de drogas. Eles fazem da bica um verdadeiro banheiro."

Durante a visita da Tribuna, algumas roupas estavam estendidas no coreto do parque. Sobre isso, a Guarda Municipal, por meio da assessoria, disse que os agentes estão presentes na área entre 7h e 23h, e que é função deles coibir o uso indevido das estruturas existentes.