Morro do Cristo: atraso em laudo amplia insegurança de moradores evacuados
Moradores de nove ruas evacuadas questionam falta de respostas sobre obras, retorno às casas e custos acumulados
O laudo geológico sobre as condições estruturais do Morro do Cristo ainda não foi apresentado à Comissão dos Afetados do Sopé do Morro do Cristo (Casmoc), entidade que representa a comunidade das ruas evacuadas após as chuvas de 23 de fevereiro, nos bairros Paineiras e Santa Helena, na região central de Juiz de Fora. Inicialmente previsto para ser entregue até a última sexta-feira (17), o documento ainda não foi concluído. Em comunicado enviado à Casmoc nessa quarta-feira (22), a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) informou que a análise ainda passará por outras etapas antes da conclusão final.

A Casmoc também emitiu comunicado aos moradores das ruas evacuadas e explicou que a Prefeitura ainda precisará finalizar o material e encaminhar a outros engenheiros contratados para que a análise técnica e as ações necessárias sejam desenvolvidas. A nova previsão, sem a conclusão imediata do laudo, aumentou a insatisfação entre os moradores que seguem fora de casa à espera de definições do Poder Público.
“Estou chateada com a gestão pelo silêncio e falta de organização”, confessa a professora e moradora da Rua Redentor, Deila Martins. Ela mora em uma das nove ruas evacuadas há exatos 60 dias: Luís Sansão, Pasteur, Constantino Paleta, Marechal Deodoro, Halfeld, Renato Cruz Frederico, do Carmelo, Redentor e Engenheiro Murilo Miranda de Andrade – todas no trecho acima da Olegário Maciel. Assim como ela, outros moradores do Paineiras também questionam a falta de ações claras do Poder Público.
O comunicado emitido pela Casmoc também cita a falta de efetividade, de prazos claros e da apresentação de um cronograma com as próximas etapas das ações, como a conclusão do estudo geológico, a análise dos engenheiros, a elaboração dos projetos e a definição das obras e medidas de mitigação. “Também cobramos uma melhoria urgente da comunicação da Prefeitura. Reforçamos que a falta de informações e reportagens dizendo que ‘não há prazo’ aumentam a insegurança.” À Casmoc, a PJF informou que a Secretaria de Comunicação participará das próximas reuniões entre representantes da comissão e do Executivo municipal para melhorar o fluxo de informações.
Além disso, em nota à Tribuna, a Prefeitura enfatizou que mantém contato permanente com moradores da região por meio dos seus representantes. O Município informou ainda ter agendado uma nova reunião com a Casmoc para a próxima semana.
Entre os relatos da comunidade, a principal preocupação segue sendo o retorno de moradores a imóveis ainda sem liberação oficial. Deila relata que muitas pessoas estão voltando para casa sem saber o que está ocorrendo, de fato, na encosta do Morro do Cristo. “Isso coloca as pessoas em risco, ninguém recebe nenhum auxílio do governo e nenhuma explicação. Por isso estão retornando. Fora a incerteza sobre segurança e desvalorização do imóvel”, reforça. Sobre isso, a PJF respondeu que esse retorno só deveria ocorrer após liberação expressa da Defesa Civil, tendo em vista que ainda há risco nessas áreas.
Retorno às ruas evacuadas ainda depende de estudos e obras
Ainda segundo a Casmoc, a ordem de evacuação de vias e interdição de imóveis nas nove ruas localizadas acima da Avenida Olegário Maciel será mantida. Conforme informado aos representantes da comissão, somente após a conclusão dos estudos e dos projetos elaborados pelos profissionais contratados será possível definir se os moradores poderão ou não retornar às casas.
Além da finalização dos laudos e análises técnicas, a Casmoc afirma que essa decisão também depende da definição e execução das obras de mitigação necessárias. “Durante a execução dos trabalhos, a Prefeitura observou que o risco era maior do que o esperado. Eles não vão liberar o retorno das ruas neste momento”, concluiu a Comissão.
A Tribuna questionou a PJF sobre uma nova previsão para a apresentação do laudo geológico, mas não houve resposta até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.
Cobranças e segurança ampliam incertezas entre moradores
De acordo com o documento da Casmoc, representantes da Prefeitura informaram que a questão do IPTU seria tratada junto à Secretaria de Fazenda. No entanto, segundo informações repassadas à reportagem pela assessoria da PJF, a orientação é que o pagamento seja feito normalmente e, depois, seja solicitada a restituição por meio do Prefeitura Ágil. A Comissão também explicou que está programando uma reunião com toda a comunidade para apresentar informações mais detalhadas sobre o tema.
Além das dúvidas sobre o IPTU, os moradores também relatam problemas relacionados às contas de energia elétrica. “Estamos sofrendo com contas de luz abusivas, pois estão fazendo a média e não a leitura de cada relógio”, alega Deila. Mesmo sem ocupar o imóvel, ela usa seu apartamento na Rua Redentor para lavar roupas. “Todas as contas chegam da mesma forma. Cancelei a internet, mas condomínio, luz e água muitos estão com problemas, pois não há medidor e a conta vem através da média.”
Em nota, a Cemig informou que na região do Bairro Paineiras, devido à restrição de acesso imposta pela Defesa Civil, a leitura dos medidores não está sendo feita localmente. “As faturas estão sendo cobradas por média de consumo, conforme resolução da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica). A companhia já identificou que, em alguns casos, há inconsistência no valor calculado e já atua nas correções dessas faturas”, destaca o texto.
Outro ponto levantado pela comissão diz respeito à segurança nas áreas evacuadas. A Casmoc também cobra reforço no monitoramento da região pelas forças responsáveis. A Comissão menciona ainda a solicitação de fechamento do acesso ao alto da Rua do Carmelo, pela área do antigo hospital psiquiátrico, como medida para ampliar a segurança nas vias evacuadas após o desastre climático.
*Estagiário sob supervisão da editora Carolina Leonel
Tópicos: chuvas / morro do cristo / paineiras









