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Juiz de Fora terá câmeras em cinco regiões


Por Marcos Araújo e Guilherme Arêas

23/04/2013 às 17h34

Prefeito e comandante da 4ª RPM firmam parceria

Prefeito e comandante da 4ª RPM firmam parceria

Atualizada às 21h46

Vinte e um pontos da região central de Juiz de Fora serão os primeiros contemplados com as câmeras de videomonitoramento do programa "Olho vivo", cobrindo o quadrilátero formado pelas avenidas Rio Branco, Getúlio Vargas, Itamar Franco e Rua Benjamin Constant. A medida também prevê a instalação posterior de equipamentos em 16 ruas da Zona Sul, cinco da Cidade Alta, quatro na região Leste e oito na Zona Norte (ver quadro). O anúncio foi feito ontem durante cerimônia de assinatura de protocolo de intenções entre a Prefeitura e a Polícia Militar, na sede da 4ª Região Integrada de Segurança Pública (Risp), no Bairro Nova Era, Zona Norte. O objetivo é reduzir os índices de crimes contra o patrimônio e diminuir a criminalidade em áreas comerciais e de aglomeração de pessoas. Na ocasião, o prefeito Bruno Siqueira e o comandante da 4ª Região de Polícia Militar (RPM), coronel Ronaldo Nazareth, também apresentaram um pacote com mais seis ações integradas que será gerenciado por meio de uma parceria entre Prefeitura e PM, denominado programa "Cidade, cidadania e segurança", cuja meta é unir esforços em prol da segurança pública, com consequente recuo dos registros de homicídio e aumento da sensação de segurança. 

As iniciativas divulgadas são a criação da Rede Mediadora de Conflitos, que visa a restringir os casos de assassinatos e conflitos entre grupos rivais; do Conselho Municipal de Políticas Integradas sobre Drogas (Compid), com foco na prevenção e repressão ao uso de entorpecentes e ao tráfico de drogas, que terá sua instalação oficial realizada hoje, às 8h30, na Casa dos Conselhos; e fortalecimento do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd), para orientar estudantes sobre habilidades necessárias para viver sem drogas e longe da violência. As medidas ainda preveem o início do curso de especialização em Segurança Pública e Cidade, pela UFJF, com finalidade de qualificar policiais militares e agentes públicos; ampliação do programa "Ambiente de paz", para melhorar a infraestrutura de praças e vias, reduzindo a sensação de medo da comunidade beneficiada; e criação de um curso para aprimoramento do contato dos agentes públicos com a imprensa. "São ações que têm condições de trazer resultados a curto prazo. Já podemos assegurar, para o próximo mês, um declínio nos crimes contra o patrimônio e contra a vida", enfatizou o coronel Ronaldo Nazareth. 

 Navegue pelo mapa e veja as ruas contempladas com as câmeras:

 

Imagens captadas a distância e no escuro

O início da instalação das 54 câmeras, conforme o prefeito Bruno Siqueira, deve acontecer nos próximos meses. Ele adiantou que ainda viajará a Belo Horizonte, amanhã, onde irá formalizar mais uma etapa do programa "Olho vivo", cujo investimento é da ordem de R$ 3 milhões oriundos do Governo estadual. O projeto também conta com a parceria da Oi, responsável por ceder os dutos por onde passarão a fibra ótica para funcionamento do equipamento, e da MRS Logística, que colaborou com a cessão de seu espaço, próximo à linha férrea, permitindo a extensão aos bairros Santa Cruz e Benfica, ambos na Zona Norte. O próximo passo é a licitação para a aquisição das câmeras por parte da Polícia Militar. As imagens captadas pelos equipamentos serão monitoradas direto do Centro de Operações da PM (Copom) por equipes da corporação e da PJF. "Auxiliar para melhorar a segurança pública da cidade já era uma preocupação desde a nossa campanha. Com o "Olho vivo", damos um grande passo, pois essas câmeras especiais captam imagens de longo alcance e no escuro", destacou o prefeito.

Questionado sobre a eficiência do videomonitoramento, uma vez que, constantemente, são registrados assaltos a lotéricas e a estabelecimentos comerciais onde há câmeras de segurança que deveriam coibir a ação criminosa, o comandante da 4ª RPM, Ronaldo Nazareth, afirmou que a importância delas concentra-se na questão da identificação dos autores com sua consequente prisão. "A longo prazo, com certeza, isso irá incidir sobre os registros de crimes, resultando em sua redução", avaliou o coronel. Ainda durante a cerimônia, o prefeito Bruno Siqueira adiantou que já encaminhou à Câmara Municipal, para apreciação, o projeto de lei que visa a doação de terreno para construção do Posto de Perícia Integrado (PPI), que  irá reunir os serviços de medicina legal e criminalística, na Rua Carolina Coelho, no Granbery, ao lado do atual IML.

  

‘Ninguém vai entrar e sair do Centro sem ser monitorado’

O "Olho vivo" era uma demanda antiga de Juiz de Fora, uma vez que cidades mineiras onde o sistema foi implantado reduziram crimes contra o patrimônio em até 40%. Entre os comandantes das companhias da PM no município, o clima é de ansiedade pelo início da operação do videomonitoramento. "Conseguiram fazer um fechamento de toda a área. Ninguém vai entrar e sair do Centro sem ser monitorado", comemora o comandante da 30ª Companhia, responsável pela região central, capitão Marcelo Monteiro de Castro. Os equipamentos são vistos como auxílio a outras formas de policiamento. "O que muda é que as patrulhas vão ter informações, em tempo real, do militar que vai acompanhar as imagens das câmeras. Ele pode passar características de suspeitos, por exemplo. Então, o policial na rua recebe dados detalhados da área monitorada, coisa que o 190 não proporciona", explica o comandante da 32ª Cia, responsável pela Zona Sul, capitão Ricardo França.

Como os dispositivos serão instalados principalmente em centros comerciais e áreas com grande movimento de pessoas, espera-se impacto direto nos crimes como furtos e roubos, mas a expectativa também é grande para frear delitos como o tráfico de drogas e brigas de gangues. "As câmeras acabam influenciando em qualquer modalidade criminosa. Uma das questões que interferem no crime é o autor achar que não vai ser punido. Por isso, o monitoramento pode desencorajá-lo a cometer a ação naquela localidade", espera o comandante da 99ª Cia, da Cidade Alta, capitão Reginaldo Teixeira.

O sistema de videomonitoramento foi implantado em Belo Horizonte em novembro de 2004 e levado, gradativamente, para outras regiões de Minas. Atualmente, de acordo com a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), são contempladas a capital, com 161 câmeras, Uberlândia (72), Governador Valadares (54), Montes Claros (36), Sete Lagoas (27), São Sebastião do Paraíso (16), Itabira (16) e Viçosa (9). O projeto está em expansão e vai alcançar 20 cidades do estado, segundo a Seds. Nos municípios onde já funciona, as câmeras operam 24 horas por dia, sendo que as imagens ficam registradas por determinado período. Os dispositivos têm alcance de 360 graus na horizontal e 180 na vertical, podendo alcançar com nitidez pontos até 800 metros distantes. Alguns contam com infravermelho para visão noturna.