Autoridades alertam para perigo do crack

Audiência expôs opiniões na última quinta (22)
A situação do crack em Juiz de Fora foi debatida ontem em audiência pública na Câmara Municipal, na semana em que a Tribuna discute o tema por meio da série de reportagens "Até quando?". Autoridades policiais, representantes de órgãos públicos e de comunidades terapêuticas lançaram o alerta para o crescimento do consumo dessa droga no município. O presidente da Comissão Parlamentar Antidrogas e requerente da audiência, vereador Noraldino Júnior (PSC), criticou o fato de o Ministério da Saúde não incluir Minas Gerais entre os estados prioritários para receber novos investimentos. "A situação do município não é muito diferente de outros centros urbanos." Ele sugeriu a criação do programa "Juiz de Fora contra o crack", para unificar ações de combate à droga. O requerimento será encaminhado ao prefeito Custódio Mattos. Vereadores da oposição cobraram o início imediato das atividades do Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas (Compid).
Dados do chefe da Polícia Civil em Juiz de Fora, Marcus Vinícius de Paiva, apontam que 80% das ocorrências policiais na cidade envolvem usuários de drogas lícitas e ilícitas. "Isso é assustador, pois a participação de crianças é crescente e preocupante." O alerta foi endossado pelo chefe da Polícia Federal, Cláudio Dornelas. "Há 15 anos, participei de uma das primeiras apreensões de crack no estado, em Uberlândia. Naquela época, já previa que essa droga seria uma epidemia." Dornelas ainda sugeriu que políticas de combate às drogas sejam financiadas com o dinheiro proveniente de leilões de bens de traficantes presos.
Sobre o tratamento de dependentes químicos, o subsecretário estadual de Políticas Antidrogas, Cloves Benevides, garantiu que o projeto "Aliança pela vida", que, por enquanto, atende a apenas dez famílias de Juiz de Fora, será ampliado nos próximos meses.
Durante a audiência, o pastor Edmar Helpes, coordenador do Grupo de Apoio à Família e ao Dependentes Químicos, fez graves denúncias sobre uma possível tentativa de suborno sofrida por ele para que sua instituição fosse credenciada junto ao "Aliança pela vida". "Dependência química virou fonte de renda para muita gente." Após cobrar mais transparência no processo de escolha das comunidades terapêuticas que receberão recursos do projeto estadual, o pastor foi orientado pelo subsecretário Cloves Benevides a formalizar a denúncia.
Representando a Federação de Comunidades Terapêuticas Evangélicas do Brasil, o pastor Wellington Vieira criticou a falta de unidade das instituições. Segundo ele, cerca de 300 usuários estão em comunidades terapêuticas em Juiz de Fora. "A droga não tem bandeira política nem religiosa. O que nos une é muito maior do que o que nos separa", disse, dirigindo-se a representantes de diversas denominações religiosas presentes na audiência.
Já o presidente do Conselho de Pastores de Juiz de Fora, Luiz Cláudio Gamonal, sugeriu que, assim como na última campanha contra a dengue, na qual as igrejas foram convidadas a se engajar na causa, o mesmo aconteça em relação ao combate ao crack.








