Adiada abertura de base da PM

Morador registra homem dormindo em unidade desativada, e diz que comunidade está insegura
Inicialmente prevista para amanhã, a inauguração da base territorial da Polícia Militar na Praça Jeremias Garcia, em Benfica, Zona Norte, foi adiada para o próximo mês, como informou ontem a assessoria de comunicação da Secretaria de Obras. A alteração no calendário preocupa a comunidade, que têm sofrido com casos de briga, vandalismo e tentativas de homicídio, ligados à rivalidade entre gangues. No último dia 13, a Tribuna destacou que os enfrentamentos de grupos rivais estão acuando moradores e comerciantes da área. Na época, a Prefeitura anunciou que a unidade da PM, parte do projeto "Ambiente de paz", desenvolvido em parceria entre o Executivo Municipal e a Polícia Militar e prometido desde 2010, seria inaugurada neste sábado. Entretanto, conforme a assessoria da pasta comunica que a própria PM teria solicitado o adiamento.
O assessor de comunicação da 4ª Região de Polícia Militar (4ª RPM), major Sebastião Justino, afirma que a ocupação da praça se dará, neste fim de semana, por meio da base móvel comunitária, uma vez que a unidade territorial ainda não está pronta para abrigar o efetivo policial. "Com a base móvel teremos condições de lançar policiamento com mais rapidez, e vamos marcar presença, aumentando a sensação de segurança no local." Apesar da notícia, a população ainda se diz assustada com atos de violência no bairro, como o ocorrido na última segunda-feira. Uma briga generalizada, envolvendo grupos diferentes, resultou no arremesso de pedras para todos os lados, sendo que uma atingiu o vidro de uma agência bancária, na Rua Paulo Garcia.
O crime contra o patrimônio foi registrado pela PM, por volta das 21h30. Segundo o boletim de ocorrência, a pessoa que solicitou a presença policial, um comerciante, contou que estava em seu estabelecimento, quando ouviu uma gritaria na rua e, ao sair para verificar o que teria acontecido, notou a confusão perto do banco. Ele relatou, ainda, que os autores fugiram, tomando rumo ignorado. Segundo uma moradora, que também presenciou o confronto, houve muita correria e várias lojas fecharam as portas. "Temo só de pensar que eu poderia estar na rua, no mercado, na farmácia, sei lá, qualquer lugar, e até passeando com meu bebê", reclamou a mulher, acrescentando que, no momento da briga, não havia policiamento perto. "A polícia foi chamada por vários moradores, mas sem sucesso. Com muita dificuldade meu marido conseguiu atendimento, e demoraram uma hora para chegar."
Expansão
O comandante da 4ª RPM, Coronel Ronaldo Nazareth, informa que o programa "Ambiente de paz" teve início em Benfica, porque 30% dos homicídios registrados em Juiz de Fora no ano passado aconteceram na Zona Norte. Ele antecipa que a proposta é expandir o projeto, com a criação de bases territoriais nos bairros Santa Cruz, na mesma região, Olavo Costa, Zona Sudeste, e São Benedito, região Leste.
Posto desativado é usado como dormitório
Moradores de Benfica também reclamam do uso inadequado do antigo posto policial do bairro, na Rua Diogo Álvares. A informação é de que o local estaria sendo utilizado como dormitório por pessoas desconhecidas. Um consultor ambiental, 37, que preferiu não se identificar, chegou a fotografar a situação. "Diversas pessoas usam a sede como abrigo. É uma situação frequente e que deixa os moradores assustados, já que, muitas vezes, estes desconhecidos estão em atitude suspeita."
O assessor de comunicação do 27º Batalhão da PM, tenente Flávio Campos, argumenta que o posto não funciona mais com policiamento fixo 24h por dia, servindo apenas como ponto para confecção do Registro de Eventos de Defesa Social (Reds). Sobre a utilização do espaço como dormitório, ele afirma que a situação será verificada. A respeito do policiamento, em geral, em Benfica, o tenente assegura que o trabalho é realizado de forma regular, e que todos os problemas apresentados pelos moradores devem ser levados ao comando da área. "Isso vai possibilitar que o patrulhamento seja lançado conforme as demandas, visando o local e o horário dos acontecimentos."








