Quase um ano depois de acidente com micro-ônibus, moradores do Bairro Niterói ainda enfrentam riscos

Via de acesso apresenta rachaduras, novos deslizamentos; comunidade cobra respostas do poder público, e PJF afirma que área é particular


Por Fernanda Castilho e Pâmela Costa

23/02/2026 às 13h28- Atualizada 23/02/2026 às 16h24

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Fotos: Felipe Couri

 

Prestes a completar um ano do acidente com micro-ônibus no Bairro Niterói/Campo Alegre, que deixou oito feridos e dois mortos em Juiz de Fora, ocorrido em maio de 2025, os moradores continuam suscetíveis a riscos e sem respostas do poder público. Com a temporada de chuvas que assola a cidade, a principal via de acesso ao bairro está rachada, e deslizamentos de terra foram registrados próximo ao local onde o veículo de transporte coletivo caiu.

Segundo a moradora Elisabete Salgueiro, 60 anos, um barranco próximo à Rua João Duarte Silveira, que já havia cedido devido à chuva, voltou a ceder e têm causado apreensão entre os moradores. Na manhã desta segunda-feira (23), o proprietário de uma pedreira enviou funcionários para realizar reparos emergenciais no local. Já a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) , segundo a moradora, não teria dado retorno. “Ficaram de arrumar a rua, tapar o buraco, legalizar os terrenos, instalar iluminação e consertar a escada, mas não apareceu ninguém”, afirma.

Desafios no dia a dia

Desde o acidente com micro-ônibus na manhã de 19 de maio de 2025, quando o veículo com passageiros despencou de um barranco ao trafegar pela estreita e não pavimentada Rua João Duarte Silveira, os desafios enfrentados pela comunidade não cessaram.

Após o acidente, as dificuldades prosseguiram com o isolamento dos moradores – que passaram mais de dois meses sem ônibus no local e tiveram que se arriscar pela BR-267. Após os coletivos voltarem a circular, os desafios seguiram com a ausência de infraestrutura básica do local: asfalto, energia elétrica e, até mesmo escadas, faltam ou estão deterioradas no lugar.

No ano passado, a secretária de Desenvolvimento Urbano com Participação Popular, Cidinha Louzada, esteve no bairro, mas segundo a moradora Elisabete, desde então, nenhum representante da prefeitura esteve mais no local.

Resposta aos moradores

A Tribuna questionou a PJF sobre quais intervenções e obras foram realizadas no bairro desde o acidente com o micro-ônibus e quando foi a última vistoria presencial do poder público na região. Também perguntou se a Defesa Civil acompanha as rachaduras na estrada de acesso e o novo deslizamento de terra registrado no local, além das medidas adotadas até agora. A reportagem também solicitou informações sobre a previsão para obras estruturais definitivas de estabilização do solo e prevenção de novos deslizamentos, bem como sobre possíveis intervenções de drenagem para melhorar o escoamento da água da chuva, incluindo se há recursos já empenhados ou processos de licitação em andamento para essas ações.

Em nota, a Prefeitura informou que “todas as obras realizadas no local foram realizadas de forma privada, bem como a referida via, que é de propriedade particular. Assim, legalmente, a PJF não pode realizar intervenções no local”. No texto, afirma que “está, atualmente, concentrando esforços para que o Bairro Niterói passe por um processo de regularização fundiária. As ações no território têm como foco a construção de uma proposta que garanta o reconhecimento formal da área, com base nos critérios técnicos e legais necessários”. Por fim, assegura que” está atenta às demandas da população e que, com a regularização da região, melhorias há muito esperadas pela população poderão ser planejadas e realizadas sem entraves legais”.

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