Medellín serve de exemplo para Juiz de Fora

César Castaño esteve em JF, onde falou dos projetos bem-sucedidos da cidade colombiana
De cidade mais violenta do mundo a mais inovadora. O salto, vivido pelo município de Medellín, segundo maior da Colômbia, é fruto do profundo processo de transformação política, social e econômica ocorrido nos últimos 20 anos. No período, a Prefeitura fomentou a integração da sociedade, melhorou a qualidade de vida dos quase 3 milhões de habitantes e impulsionou a economia local. Um dos participantes desta mudança e funcionário de uma das principais empresas públicas do país, César Castaño, esteve ontem em Juiz de Fora e, em entrevista exclusiva à Tribuna, disse ter encontrado forte semelhança entre as cidades. “A geografia dos dois municípios é muito parecida, e lá encontramos alternativas urbanas simples e econômicas para o trânsito. O exemplo pode ser seguido aqui.” Outra identificação, preponderante em toda América Latina, é a respeito da criminalidade. “Narcotráfico e briga de grupos rivais também são as principais causas de morte em Medellín. Para baixar estes índices, é necessário investimento em áreas básicas, como educação e saúde. Ou seja, políticas públicas que estimulem o crescimento de quem tem baixa renda.”
Enquanto a taxa de homicídios na cidade colombiana caiu quase 80% entre 1991 e 2010, fazendo com que ela saísse do mapa das mais perigosas, Juiz de Fora viveu o processo contrário com o aumento sistemático das mortes violentas. “Nosso lema é ‘o melhor para os mais pobres’. Mas na verdade todos têm acesso aos melhores colégios, a melhor infraestrutura, aos melhores hospitais. E a consequência é a redução da criminalidade.” Em 2013, o município foi premiado com o título de Cidade do Ano em Inovação, pelo Urban Land Institute. Todo o processo, que hoje serve de exemplo, foi apresentado por Castaño no III Encontro Internacional de Inovação Tecnologia Sustentável (InovatechJF), evento que busca a troca de experiências e o desenvolvimento de novas alternativas tecnológicas sustentáveis. O colombiano é profissional de negócios e projetos especiais da Ruta N, empresa pública que, para fomentar a inovação, apostou na criação de um distrito tecnológico no Norte da cidade, e lidera as atividades voltadas para a ciência, tecnologia e informação.
Gestão coparticipativa
Conforme Castaño, os pilares da transformação de Medellín estão nas políticas públicas inclusivas. “Chamamos de uma gestão coparticipativa, quando a comunidade é convidada a acompanhar os projetos e a impulsão dos investimentos públicos, e ainda sugerir alternativas. Os prefeitos mudaram a visão das ações a longo prazo, criaram e apoiaram instituições que impulsionam e investem na educação, a saúde, o empreendimento, a inovação. E, conforme havia a sucessão (lá o mandato também é de quatro anos), os novos dirigentes mantinham os projetos.” Os recursos necessários para as mudanças vieram destas empresas, que trabalham com saneamento básico e energia.
E tudo foi aliado à criação de um sistema integral de transporte, que deu oportunidade de acesso aos bens da cidade à população mais humilde. Incluem-se neste projeto metrô, teleféricos, ciclovias e ônibus. “Além disso, temos as escadas eletrônicas, que facilitaram a vida de quem mora no alto de morros, algo que poderia ser feito em Juiz de Fora. Uma iniciativa simples, inovadora e gratuita.” Sobre o trânsito de Juiz de Fora, César chama a atenção para a falta de planejamento. “A população segue crescendo e, se não inovar e planejar, como por exemplo utilizar o trem de carga para passageiros, como a cidade estará em dez anos ? Juiz de Fora e Medellín possuem muitas semelhanças e, apesar da diferença de tamanho, seria interessante que o município compartilhasse da nossa experiência.”
Lá, o pensamento de atrair grandes indústrias para a cidade foi substituído pela absorção de conhecimento. As empresas públicas destinam uma porcentagem de seus lucros para o investimento em tecnologia e inovação. “Isto é rentável e dissemina a cultura da inovação. A Ruta N promove empresas que trabalham com tecnologia, investe em regiões mais fracas e impulsiona a inovação em escolas.”









