Bando ateia fogo em adolescente

Atualizada às 11h43
Um adolescente de 17 anos teve quase 50% do corpo queimado depois de ter sido incendiado por um bando, na madrugada desta quinta-feira (21), na interseção da Rua Garibaldi Campinhos, no Bairro Vitorino Braga, com a Rua Benjamin Constant, região central. À tarde, a vítima passou por cirurgia no Hospital de Pronto Socorro (HPS), permanecendo internada, sem previsão de alta. Mesmo gravemente ferido, o jovem conseguiu contar à Polícia Militar que retornava do Parque Halfeld e, ao passar pelo local, por volta das 2h15, foi cercado por seis pessoas, que jogaram líquido em suas costas e, em seguida, atearam fogo. Com o corpo em chamas, o adolescente correu até um posto de combustíveis na Benjamin para pedir ajuda.
A ocorrência deixou vizinhos assustados e reacendeu a discussão sobre a falta de segurança no entorno da parte baixa da Rua Benjamin Constant. A população da região tem convivido com brigas frequentes de gangues e com a ocupação das imediações por usuários de droga, transformando a área em uma verdadeira cracolândia, como já denunciado pela Tribuna. No início do mês, um senhor, 64, foi vítima de bala perdida na Praça do Riachuelo quando fazia a recarga de seu celular em um uma banca de jornal. Em setembro, outro tiro, disparado durante uma briga entre jovens, atingiu uma mulher que voltava do trabalho (ver quadro). Para a comunidade, além da falta de policiamento, o abandono das áreas públicas próximas corroboram para a insegurança.
O grupo responsável pelo ato de violência nesta quinta fugiu logo após a ação criminosa e não foi localizado. O adolescente relatou aos militares que desconhecia os envolvidos e não soube dizer o que teria motivado o crime. Ele procurou ajuda no posto de combustível e abriu uma torneira para apagar as chamas. O funcionário do estabelecimento, que pediu para não ter o nome divulgado, afirmou que não viu quando o delito ocorreu. "Levei um susto quando vi o menino correndo com o corpo pegando fogo. A sorte era que não tinha ninguém abastecendo, senão o fogo ia se alastrar ainda mais." O frentista acionou o Samu que, depois de prestar os primeiros socorros no local, encaminhou a vítima para o HPS.
Segundo a assessoria da Secretaria de Saúde, o paciente sofreu queimaduras de primeiro e segundo graus em 47% do corpo, sendo as costas e braços as partes mais atingidas. O jovem, que também teve o tórax atingido, permaneceu internado na sala de urgência, aos cuidados da equipe de cirurgia plástica. Na manhã desta sexta-feira, ele permanecia estava lúcido e estável, mas seu quadro era considerado grave.
O ocorrido, que foi registrado pela PM como lesão corporal, começou a ser investigado pela 6ª Delegacia de Polícia Civil, responsável pela apuração dos crimes ocorridos na Zona Sudeste, porém, no final da tarde de , o delegado Rodrigo Rolli enviou o caso para a Delegacia Especializada de Homicídios. "Pela gravidade dos fatos, entendemos que se tratava de uma tentativa de homicídio", disse Rolli. Durante a tarde, uma equipe da 6ª delegacia chegou a fazer levantamentos, mas ainda não se sabe a motivação do crime. Como o caso só foi enviado para a especializada por volta de 18h, a delegacia só vai iniciar as investigações hoje.
População teme violência e pede policiamento
Uma mulher, 47, que mora próximo ao local do crime, ouviu os gritos de socorro do rapaz, mas não viu a vítima. "Infelizmente, diante de tanta violência na área, adotamos a postura de não abrir portas ou janelas após as 22h. Só ouvi os gritos desesperados de ajuda. Fiquei assustada, sofrendo, mas nem sei se ele era branco, negro ou pardo, só notei que era grito de adolescente, mas não abri a janela com medo. Já presenciamos, há alguns anos, um assassinato aqui em frente, já pedimos de todas as formas mais policiamento, e o único posto que tinha aqui perto foi retirado. A situação é crítica, tenho filhos, tenho meus pais idosos. Está difícil."
O temor também é relatado por outros moradores e trabalhadores da área. O frentista que socorreu o adolescente queimado conta que trabalha no local há 12 anos e considera a área é vulnerável. "Já vi de tudo aqui, assalto, tráfico. Apesar de viaturas passarem aqui, os criminosos se aproveitam do momento que a polícia não está. Sinceramente, dá medo trabalhar, mas não tem jeito, é só Deus para proteger", desabafa.
"A insegurança aqui é muito grande, pois há muita droga nas imediações", conta uma aposentada, 84. "Não há policiamento, e estamos perto de duas praças frequentadas por usuários de drogas. O único posto de policiamento que tinha foi retirado da área", revela um professor, 63. "O local é no coração da cidade e está abandonado. Recentemente, as lojas foram demolidas entre a Avenida Brasil e a Rua José Calil Ahouagi. Mas entre a Avenida Brasil e a Garibadi Campinhos também há muitos imóveis vazios, que atraem usuários. Trabalho aqui perto e fico receoso, com medo de ser vítima dessa violência", relata um auxiliar de serviços gerais, 47.








