Jovem é condenado a 24 anos por matar o pai em JF
Júri popular foi realizado nesta terça-feira, quatro meses após o homicídio que vitimou Waldir Jorge Zampier

Felippe Horta Zampier, de 24 anos, foi condenado a 24 anos de prisão, em regime inicialmente fechado, pelo assassinato do próprio pai, o empresário Waldir Jorge Zampier, 64. A condenação do jovem aconteceu quatro meses após o crime, registrado em 24 maio deste ano, na Avenida Eugênio do Nascimento, no Bairro Aeroporto, na Cidade Alta. O réu foi levado a júri popular, nesta terça-feira (22), no Fórum Benjamin Colucci, e a sentença foi proferida pelo juiz Paulo Tristão, que presidiu a sessão, depois de quase dez horas de julgamento.
Conforme denúncia do Ministério Público, pai e filho estavam a caminho de um banco a fim de resolver problemas financeiros e, no trajeto, eles teriam iniciado uma discussão por motivo fútil. Felippe estaria na direção do automóvel quando efetuou um disparo que acabou atingindo seu pai, que ocupava o banco do carona. Entretanto, conforme a acusação, ele teria reclinado o banco para que seu corpo não fosse visto e seguido em direção a Matias Barbosa, onde ocultou o cadáver do pai, dispensando ainda a arma pelo caminho. Ele teria arrastado o cadáver para uma ribanceira e escondido o corpo em uma área de mata, no Distrito de Sarandira. A polícia chegou até o local depois de prender Felippe, no dia 30 daquele mês. À Polícia Civil, o rapaz teria confessado o crime e levou os policiais ao ponto onde o corpo pai foi abandonado.
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Ainda de acordo com a promotoria, Felippe, de forma fraudulenta, para produzir efeitos no inquérito e induzir a erro a perícia criminal, teria trocado suas vestimentas, que estavam sujas de sangue, e limpado o sangue da vítima que estava no carro. Para forjar um álibi, ele também teria encaminhado mensagens pelo celular do pai de forma que as suspeitas do crime fossem transferidas para a namorada do empresário. Como ainda pontuou o Ministério Público, o condenado jogou suas roupas sujas de sangue no Rio Paraibuna, assim como o celular de Waldir, simulando um possível desaparecimento. Para a família, o jovem disse que teria deixado o pai no Bairro Aeroporto, onde o mesmo iria se encontrar com a namorada.
Conforme a sentença, Felippe possui personalidade fria, dissimulada e mentirosa, uma vez que teria participado de campanhas na internet que buscavam por informação sobre o pai.
Para o promotor Hélvio Simões, o resultado foi coerente com o apurado durante o processo. “Toda a prova era no sentido de que Felippe tinha um desentendimento com o pai em virtude de questões financeiras com o banco, em razão de uma dívida de R$ 21 mil. Ele apossou-se da arma do pai e fez o disparo contra a vítima, na Avenida Eugênio do Nascimento, levando o corpo para Matias Barbosa, fraudando algumas provas”, disse. Para o promotor, pesou ainda contra ele o fato de não ter prestado socorro ao pai, uma vez que, no trajeto, o jovem teria passado por, pelo menos, três hospitais. “O júri rejeitou qualquer tese de negativa de autoria, de defesa ou legítima defesa. Em relação a Waldir não há qualquer prova de que o pai tinha a coragem para sacar a arma para atirar no filho”, finalizou.
Ao réu foi negado o direito de recorrer em liberdade, mas cabe recurso da sentença no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Depois do julgamento, Felippe retornou para o Ceresp de Juiz de Fora, onde estava desde sua prisão, em maio.
Dinâmica do julgamento
A movimentação para o julgamento começou a ser percebida por volta das 8h30 desta terça, no Fórum Benjamim Colucci. A escolha dos jurados ocorreu às 9h15, de portas fechadas e sem a presença da imprensa. Em seguida, às 9h30, os portões foram abertos, e o réu foi colocado diante do juiz Paulo Tristão, de sete jurados e do promotor Hélvio Simões. Testemunhas foram ouvidas na fase inicial. A primeira delas foi uma amiga da vítima, que havia se encontrado com Waldir na noite anterior ao crime. Logo após, às 10h, foi a vez de uma segunda testemunha, genro do empresário, que respondeu aos questionamentos da defesa e da acusação por mais de uma hora. Às 11h20, começou a ser ouvida a filha mais velha da vítima, que falou por cerca de uma hora. Outra filha, a mesma que descobriu que Waldir estava indo ao banco para resolver uma questão financeira de Felippe, antes do desaparecimento do pai, começou a ser ouvida em seguida.
Às 13h, o juiz Paulo Tristão suspendeu as atividades no júri para o almoço. No retorno, às 14h, foram ouvidos um representante comercial que teve contato com a vítima antes do crime, um síndico de um edifício-garagem, no Centro, onde a vítima possuía duas vagas, e um funcionário da obra onde o empresário trabalhava no dia da sua morte. A parte dos interrogatórios foi finalizada com o depoimento de Felippe Zampier. O jovem falou durante cerca de 40 minutos. O juiz Paulo Tristão, que presidiu o julgamento, concedeu um breve intervalo após a fala do réu.
No retorno da sessão, às 15h40, começou a fase de debates. O promotor de justiça Hélvio Simões rebateu junto ao júri a versão apresentada pelo réu, de que a arma responsável pela morte do pai tenha sido disparada de forma acidental. Para o promotor, o laudo de necropsia mostra a impossibilidade de o empresário ter disparado a arma de forma acidental, tirando a própria vida. Simões ainda questionou o réu sobre por que ele não teria procurado um hospital nas proximidades de onde o fato aconteceu para tentar salvar a vida do pai, já que, segundo ele, o evento teria sido um acidente.
Já o advogado de defesa, João Moreira, alegou que o réu teria tentado se defender do pai, que estava armado, e passou a proferir xingamentos contra o filho, enquanto o réu dirigia o veículo. Ao tentar se desvencilhar do pai armado, que teria avançado contra o réu, a arma que estava na mão do pai disparou de forma acidental, atingindo a vítima.









