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Revogação da tabela de frete esvazia movimento na região

Aglomeração de motoristas chegou a ser observada, no início da manhã, em trechos da BR-116


Por Leticya Bernadete e Vívia Lima

22/07/2019 às 09h32- Atualizada 22/07/2019 às 20h46

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) acatou o pedido do Ministério da Infraestrutura e suspendeu a nova tabela de fretes, que tinha entrado em vigor no sábado (20), após pressão dos caminhoneiros. Com isso, a paralisação prevista para acontecer nesta segunda-feira (22) foi cancelada em Juiz de Fora. A informação foi confirmada à Tribuna por um dos representantes locais da categoria na paralisação de maio de 2018, José Fabiano da Silva.

Durante a manhã, antes do anúncio da pasta, não havia indícios do movimento na cidade. Nas estradas estaduais que cortam o município, a Polícia Militar Rodoviária (PMR) não havia sido notificada quanto à possível greve. As novas regras da tabela, questionada pela categoria, foram elaboradas pelo Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial, ligado ao Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Universidade de São Paulo (USP) e, conforme José Fabiano, não são viáveis para o serviço. A paralisação, comenta, era necessária para reivindicar a revisão das novas regras. “Se eu ia para o Rio de Janeiro por R$1.300, agora vou por R$ 700. Ficou só o preço do custo do diesel. Não colocaram o lucro, que teria de ser negociado com a transportadora. Não vai ser viável nem para as empresas.”

Em outras cidades na Zona da Mata, como Leopoldina e Muriaé, a categoria chegou a se mobilizar na BR-116, conforme relato dos caminhoneiros. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Leopoldina, no entanto, informou à Tribuna que não havia movimentação naquele município. Já em Muriaé, a PRF confirmou aglomeração de caminhoneiros na altura do km 701, por volta das 9h. A informação é de que não houve interrupção da rodovia, apenas lentidão no trânsito. Por volta das 13h, o movimento começou a perder força no local.

Ainda de acordo com José Fabiano, em Leopoldina, os caminhoneiros também se dispersaram no início da tarde. Também na BR-116, na altura do km 409, em Governador Valadares, houve aglomeração, com caminhoneiros solicitando paralisação voluntária de veículos de carga. Nenhum veículo foi retido. Depois de uma hora, por volta de 11h35, a mobilização foi encerrada. O trecho não foi interditado.

Nova rodada de negociação

Informações compartilhadas nos grupos de WhatsApp, meio pelo qual a mobilização tem ocorrido, dão conta de que o ministro de Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, estaria aberto a diálogo, informou o representante da categoria em Juiz de Fora. A Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), que afirma representar cerca de 900 mil caminhoneiros no Brasil, confirmou a realização de agenda com o ministro na quarta-feira (24). No entendimento da entidade, é preciso esperar o resultado do encontro para que “seja tomada uma decisão”. A CNTA também ressaltou que “sempre apoiará a decisão da categoria. No entanto, acredita que uma paralisação deve ocorrer após esgotadas as possibilidades de diálogo e de negociação com o Governo”.

O presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Juiz de Fora e região, Wagner Almeida, confirmou que não houve adesão da categoria no município, entretanto, considera que a mobilização não deve se expandir. “Acredito que não haverá crescimento no país, principalmente porque o ministro já marcou reunião com a categoria no dia 24 em Brasília”, explica. Para o representante, “não faz sentido uma paralisação agora”. “Tudo que o Governo se propôs a fazer, ele vem fazendo pela categoria. Houve um deslize, sim, na informação desse novo piso mínimo, mas o Governo já vai considerar isso. Então, não há motivo para paralisar agora.”

A Tribuna tentou contato com o Ministério de Infraestrutura para confirmar a reunião e, até o final da tarde desta segunda, não houve retorno. O próprio Ministério justificou a decisão de suspender a última tabela sob o argumento de que foi observada “insatisfação em parcela significativa dos agentes de transporte” e que “diferenças conceituais quanto ao valor do frete e o piso mínimo” devem ser novamente discutidas com a categoria.

Diretoria da ANTT aprova suspensão da nova tabela de fretes

Brasília (AE) – A decisão de a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) suspender a nova tabela de fretes, até que seja resolvido o “impasse com o setor”, foi aprovada por unanimidade na tarde de segunda (22), após o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, informar, pela manhã, que ela seria revogada. Com a decisão, a tabela anterior, referente ao ano passado, volta a vigorar.

A suspensão da nova tabela, segundo a diretoria da ANTT, considerou “notícias iminentes de greve de caminhoneiros” e a “insatisfação de parcela significativa” da categoria. O órgão regulador levou em conta a necessidade de “evitar dano irreparável ou de difícil reparação”, como “prejuízos econômicos em paralisações”. Por nota, a ANTT informou que “a agência reitera o compromisso com todos os envolvidos de manter um diálogo constante, a fim de buscar um consenso no setor de transporte rodoviário de cargas, e pretende ampliar o debate sobre a matéria”.