Propostas de última hora dão novo tom à disputa

Tão logo foram confirmados pelas urnas como os escolhidos para disputarem o segundo turno das eleições municipais, Bruno Siqueira (PMDB) e Margarida Salomão (PT) comemoram a oportunidade de desfrutarem de um tempo maior para aprofundarem suas propostas para a Prefeitura de Juiz de Fora. Na primeira semana, os discursos foram voltados na tentativa de detalhar os planos de governo de cada candidatura, construídos durante o primeiro turno, ambos com o propósito de abrir espaço para a participação popular. Na última semana, a candidatura petista mudou o tom e foi além dos projetos apresentados durante toda a campanha, lançando uma novidade de última hora em seu leque de proposições, acenando com uma alteração na alíquota do Imposto sobre Serviços (ISS) de 5% para 2%, e uma redução de 10% no valor do imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) já a partir do ano que vem.
A nova investida petista não teve uma interpretação positiva do lado adversário. Durante a semana, Bruno classificou a proposta como demagoga. "Nosso plano de governo é uma estrutura viva, dinâmica, em constante evolução e construção. Jamais, porém, propostas serão incorporadas com o objetivo de conseguir este ou aquele resultado na eleição. Propusemos e iniciamos uma caminhada e esperamos contar com a confiança do eleitor, e este eleitor espera de nós responsabilidade, credibilidade e sinceridade", afirma Michael Guedes, coordenador da campanha peemedebista. Nos bastidores, correligionários de Bruno questionam o momento em que a proposta petista foi apresentada, já que, até o último dia 7, o PT trabalhou de forma ferrenha com a expectativa de vitória no primeiro turno, sem colocar a redução de impostos em pauta.
"Nas conversas e reuniões que realizamos, confirmamos o quanto o IPTU e o ISS impactam a vida das pessoas, o que tornou urgente a apresentação de uma resposta. O primeiro turno foi o momento de apresentar as diretrizes da nossa proposta. Já o segundo turno refere-se às ações prioritárias e a questão do imposto abusivo é uma situação emergencial. Temos convicção que estes cortes vão melhorar a vida das famílias. O impacto nas contas será reduzido pelo conseqüente aumento na arrecadação", defende Margarida.
Independente das divergências ideológicas, os dois candidatos saem em defesa de seus planos de governo, principalmente no que defendem para a saúde, a segurança pública, a educação, o transporte e a mobilidade urbana, tópicos apontados pelo Ibope, em pesquisa encomendada
pela Tribuna e TV Integração, como principais anseios da população. Apesar de propor caminhos distintos, os concorrentes apresentam concordância nas soluções para alguns problemas, como a necessidade de finalizar as obras viárias e do Hospital Regional da Zona Norte, a construção de novas UPAs e a adoção de bilhete único no serviço de transporte coletivo urbano.
"Considero minhas propostas para a saúde e transporte como as de destaque. Minha prioridade é resolver o problema do atendimento nos hospitais e unidades de saúde, contratando médicos, valorizando os funcionários, equipando devidamente cada unidade. Queremos também que o trânsito da cidade funcione, e, para isso, temos que valorizar o serviço público, melhorando as linhas e a qualidade dos ônibus, retirando o trânsito de carga do centro, para que a linha que cruza a cidade possa ser utilizada para o transporte de passageiros", define Margarida.
A candidatura de Bruno destaca como proposição central o intuito de unir forças municipais, estaduais e federais em prol do desenvolvimento juiz-forano. "Nesta construção, estamos propondo uma valorização da atenção primária à saúde, para amenizar o estrangulamento do atendimento de urgência e emergência, assim como a conclusão do Hospital Regional. No setor de infraestrutura urbana, queremos terminar as obras viárias para desafogar o trânsito, implantar o bilhete único e estudar a licitação do transporte coletivo", avalia a coordenação da campanha.
Apelo à renovação e às condutas ideológicas
Como algumas soluções apresentadas para os principais problemas da cidade pelas duas candidaturas se mostram parecidas, Bruno Siqueira e Margarida Salomão trabalham para exaltar as diferenças de suas proposições, planos de governo e, principalmente, de ideologias. "Nossa candidatura se coloca como a verdadeira oposição à atual Administração, que hoje caminha com meu concorrente. Queremos realizar a mudança que Juiz de Fora precisa, assumindo os princípios e prioridades liderados pelo Governo Federal, do Lula e da Dilma. Isso significa, primeiro, em apresentar um programa consistente, e não apenas um amontoado de intenções", professa a petista.
A avaliação do coordenador da campanha do PMDB, Michael Guedes, também segue o caminho da renovação e refuta as comparações com o Governo Custódio Mattos (PSDB), embora pontue que o importante é transmitir as ideias de Bruno, independente dos caminhos escolhidos pelos adversários. "Nossa proposta é de mudança da atual gestão e das anteriores. Desde o início da campanha, não nos pautamos nem comentamos as campanhas adversárias. Procuramos mostrar o que poderíamos acrescentar a este momento que a cidade vive, seja nas propostas ou na forma de apresentá-las."
Com relação à execução de suas proposições, Bruno e Margarida tentam tranquilizar a população. "Só prometemos o que rigorosamente teremos condições de cumprir. Entendemos que, dentro desta estagnação que a cidade vive, o cidadão não quer esperar por propostas mirabolantes ou excessivas. Ele quer soluções concretas, ele quer sinceridade, não admite demagogia. Além de não prometermos o que não pode ser cumprido, buscamos nos cercar dos apoios necessários para viabilizar as obras e ações emergenciais de que o município necessita", afirma o coordenador da campanha do PMDB.
Margarida também projeta soluções já a partir do ano que vem. "O meu desafio como prefeita é pensar a cidade, no curto e no longo prazo. Resolver o problema da saúde, por exemplo, é urgente. Vou buscar resultados já em 2013. Isso passa pela contratação imediata de novos médicos, melhoria do plano de carreira para estes profissionais, colocar as unidades de saúde funcionando de oito da manhã às oito da noite. Vou também buscar os recursos junto ao ministro Alexandre Padilha e a presidenta Dilma para construir duas novas UPAs, e para concluir a construção e equipar o Hospital Regional."







